O ministro da Administração Interna fez hoje um apelo “muito sério” aos portugueses para que se preparem para um “verão terrível” e colaborem, desde já, na limpeza de terrenos e áreas florestais para minimizarem o risco de incêndio.
“O verão vai ser terrível, pode ser muito difícil, há fatores novos, extraordinários, negativos, e, por isso, eu peço, em nome de todos, que cada um possa fazer o seu trabalho. O tempo de preparação, de limpeza, de identificação de dificuldades é agora, este é o momento oportuno”, disse Luís Neves.
O governante falava aos jornalistas no final da inauguração da sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, na Guarda.

“Devido às chuvas, temos mais mato para limpar, há mais combustível com milhões de árvores caídas e temos algumas estradas ainda obstruídas. Vamos ter muitas dificuldades no verão”, alertou.
O governante pediu, por isso, “colaboração” aos privados e proprietários de terrenos agroflorestais para que “façam a sua parte”.
“Limpem em redor das casas, em redor das edificações e, sobretudo, que nos sinalizem aquilo que é necessário fazer. Nós, como sabem, não podemos entrar nas propriedades privadas para fazer o trabalho que gostaríamos de fazer, que é a limpeza”, afirmou.
Luís Neves lembrou que foi recentemente aprovada a legislação que “dá alguma margem de manobra, mas a propriedade privada, um direito constitucionalmente consagrado, tem que ser respeitada, pelo que se está a trabalhar no sentido de minimizar essa situação”.




O ministro da Administração Interna insistiu que “é preciso cortar, limpar, desobstruir” para que quando chegar o momento mais crítico se poder ter esta antecipação.
Disse ainda que este ano há mais meios disponíveis para o combate aos incêndios e que a Proteção Civil está a contar com “um apoio absolutamente singular, e que virá para ficar, das Forças Armadas, sobretudo nos equipamentos pesados”.




“Inestimável e inigualável” tem sido também a colaboração dos municípios e das Juntas de Freguesia, acrescentou.
O governante assinalou que “é a primeira vez que estruturas que estão vocacionadas para o combate estão a trabalhar meses antes, na antecipação”.
“O trabalho de proteção civil, a questão dos incêndios, é um combate de todos. Todos têm que estar alertas, todos têm que contribuir, todos têm que limpar e identificar aquilo que pode ser complicado para a esfera do combate”.
Como exemplo de cooperação entre entidades da Proteção Civil, forças de segurança, autarquias e forças armadas, o ministro falou do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), criado para responder à necessidade urgente de limpeza tendo em conta as milhares de árvores caídas e caminhos destruídos devido às tempestades que atingiram Portugal em janeiro e fevereiro.
“Nos 22 concelhos foram identificados 10 mil quilómetros de estradas, de caminhos rurais, aceiros e terrenos para limpar e numa semana já foram limpos três mil quilómetros, praticamente um terço”, revelou.
Um trabalho que deixou o ministro “muito otimista e satisfeito”, porque é “muito relevante para a ação dos bombeiros e para o socorro”. Para o ministro, o CIPO “está já a dar estes frutos que são muito relevantes”.
MAI inaugura Comando Sub-regional de Proteção Civil na Guarda
A nova sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela foi hoje inaugurada, na Guarda, após investimento de 800 mil euros do município na reabilitação de um edifício no centro histórico.
Inaugurado pelo ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, o centro operacional de última geração vai coordenar a proteção civil de 12 concelhos do distrito da Guarda e três do de Castelo Branco.

“Realizar este espaço no coração histórico da Guarda é dar continuidade à nossa identidade, mas é também garantir melhores condições para quem tem a nobre missão de proteger vidas”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Costa.
Com esta nova sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, “iniciamos um novo ciclo na proteção civil da nossa região”, sublinhou.
“Inauguramos a prova de que a Guarda decide, investe em si e ajuda a proteger o país. Com verdade, com investimento próprio e com resiliência”, afirmou.
Sérgio Costa recordou que a obra era um dos projetos candidatados ao Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, aprovado na sequência do incêndio de agosto de 2022 e que não avançou, pelo que foi integralmente custeada pelo município.
“Assumimos o encargo e, hoje, orgulhamo-nos de entregar à ANEPC uma sede de excelência. Esta sede é uma obra da Guarda, esses 800 mil euros são o imposto da nossa dignidade. É prova de que a Guarda não espera pelo Estado”, afirmou.
“Não se tratou apenas de substituir coberturas ou reforçar isolamentos térmicos. Tratou-se de blindar o território e dar dignidade absoluta a quem nos protege, convertendo um edifício de elevado valor simbólico como este no cérebro tecnológico da segurança do distrito da Guarda e da comunidade intermunicipal de toda a Beira Interior”, acrescentou.
Concluída esta obra, Sérgio Costa pediu ao MAI soluções para as instalações “desadequadas e indignas” dos comandos Distrital da PSP e Territorial da GNR.
“São mais de 300 pessoas, homens e mulheres das nossas forças de segurança. Queremos tirar do papel os novos comandos que a Guarda merece. O respeito começa na dignidade das infraestruturas e das condições de trabalho de quem nos protege”.
O ministro não respondeu ao pedido do autarca, mas considerou a inauguração do Comando Sub-regional como exemplo da colaboração que entende ser necessária no domínio da proteção civil.
“É preciso trabalharmos em conjunto. A colaboração, a coordenação, estribada na confiança, são o fator de sucesso em tudo isto. Proatividade e trabalho de equipa são as palavras que nos podem levar ao sucesso”, afirmou.
Luís Neves exemplificou com a criação do CIPO, em Leiria – “pela primeira vez no nosso país”, Proteção Civil, GNR, AGIF e Forças Armadas estão a “trabalhar juntos”.
A sede do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela dispõe de uma sala de operações, sala de apoio à decisão, salas de comando, salas de refeições e dois dormitórios.
Propriedade do município, o imóvel foi arrendado à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil pelo período mínimo de 20 anos.
Na cerimónia, António Fonseca, antigo comandante sub-regional, recentemente aposentado, foi condecorado pelo MAI com a medalha de mérito da Proteção Civil, grau ouro e fita azul, pelos serviços prestados.
Na Guarda, Luís Neves também participou nas comemorações do sexto aniversário da Unidade de Emergência Proteção e Socorro (UEPS), como unidade autónoma da GNR, cujo comando nacional está sediado na cidade.


Esta valência foi criada em 2006 e, desde então, realizou mais de 76.000 intervenções em incêndios rurais no continente e na Madeira.
Com um efetivo de mais de 1.100 militares, a UEPS “destaca-se especialmente nas missões helitransportadas de ataque inicial, com cinco ou mais militares, onde mantém uma taxa de eficácia operacional superior a 94%”, lembrou a GNR em comunicado enviado à agência Lusa.
Lusa
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