O comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, disse hoje à Lusa que o dispositivo operacional (DECIR 2024) “é similar ao do ano passado”, contando na fase mais crítica com cerca de 600 operacionais, 60 viaturas e três meios aéreos, além de três máquinas de rasto e o apoio de meios humanos e materiais de várias entidades, como o ICNF, UEPS/GNR, Afocelca e municípios, a par das novas tecnologias, com sistemas de apoio à decisão por georeferenciação e acompanhamento em tempo real das condições do vento e do terreno.
“A análise que foi feita é que estes meios são suficientes para aquilo que é o nosso histórico e mantemos os mesmos homens, os mesmos meios e não alterámos a dinâmica”, afirmou, tendo destacado que “tem corrido bem” e que o dispositivo assenta em premissas que se vão manter este ano, como sejam “o pré-posicionamento de meios”, a “monitorização permanente”, uma “deteção precoce” e o “despacho imediato e musculado de meios”.
David Lobato lembrou que, aos 600 operacionais na fase Delta, de 01 de julho a 30 de setembro, “a sub-região tem cerca de 900 bombeiros no quadro ativo e que são também mobilizáveis, se houver essa necessidade” de apoio.
“Se não acontecerem [os incêndios] todos ao mesmo tempo”, o dispositivo tem a “capacidade de os debelar numa fase muito inicial”, assegurou.

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE SUB-REGIONAL MÉDIO TEJO:
O comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo alertou para um quadro com “muitos combustíveis finos” nas áreas florestais, tendo lembrado que “choveu muito” e que, com temperaturas como as registadas hoje, a 31 de maio, na ordem dos 37º C, “se houver negligência e dolo pode gerar problemas complicados”, tendo apelado à contínua limpeza dos terrenos e a cuidados acrescidos com as queimas e queimadas.
Assim, segundo o comandante, na fase máxima, Delta (01 de julho a 30 de setembro), o Médio Tejo contará com 600 operacionais, 150 dos quais em permanência 24 horas, 27 equipas de intervenção permanente (EIP), com 135 elementos, e uma força de ataque ampliado com dois grupos de combate de âmbito sub-regional para reforço imediato, a par de dois grupos de combate a incêndios florestais para reforço fora da sub-região, num total de 133 bombeiros.
A Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), para intervenção em ataque inicial, é constituída por sete equipas e sete veículos, num total de 38 militares, a que se juntam 16 equipas e duas brigadas de sapadores florestais, num total de 107 operacionais, a par de equipas da Afocelca (associação de produtores florestais), com duas equipas terrestres, uma máquina de rasto e uma equipa de combate helitransportada.
No Sardoal está já um helicóptero em permanência, entrando o de Ferreira do Zêzere em 01 de junho e, posteriormente, também nesta base, ficará um helicóptero pesado, existindo um meio aéreo adicional à disposição da região, o da Afocelca, adiantou David Lobato.
A GNR e a PSP estarão presentes, na parte da fiscalização e vigilância, com cerca de 54 elementos, contando a sub-região, no apoio ao combate, com três máquinas de rasto das câmaras municipais de Ferreira do Zêzere, Abrantes e Mação, além das que podem ser contratualizadas a particulares.
O comandante destacou ainda os 11 postos de vigia e as 11 câmaras de vigilância que estarão a funcionar no Médio Tejo, que emitem alerta imediato no caso de uma ignição.
“Os meios são suficientes e estamos preparados. Só não estamos preparados para o excecional. Mas isso é o excecional”, declarou.
O comando sub-regional do Médio Tejo abrange os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém.
Dispositivo de combate reforçado pela segunda vez este ano
O dispositivo de combate a incêndios rurais volta este sábado, dia 1 de junho, a ser reforçado pela segunda vez este ano, passando a estar no terreno 12.096 operacionais e 70 meios aéreos. Este dispositivo vai estar no terreno entre os dias 1 e 30 de junho, e trata-se do segundo reforço de meios do ano, no que é denominado ‘nível Charlie’.
Durante este período, vão estar disponíveis 12.096 operacionais que integram 2.690 equipas dos vários agentes presentes no terreno, além dos meios aéreos, que serão no máximo 70.
Os 12.096 operacionais envolvidos no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) neste mês de junho são elementos pertencentes aos bombeiros voluntários, Força Especial de Proteção Civil, militares da Guarda Nacional Republicana e elementos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nomeadamente sapadores florestais e sapadores bombeiros florestais.
No âmbito do DECIR está já em funcionamento a Rede Nacional de Postos de Vigia da responsabilidade da GNR que é composta por 77 postos de vigia para prevenir e detetar incêndios.
Os meios de combate voltarão a ser reforçados a 01 de julho até 30 de setembro – ´nível delta´-, naquela que é considerada a fase mais crítica de incêndios e que mobiliza o maior dispositivo, estando este ano em prontidão 14.155 operacionais de 3.162 equipas e 3.173 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2023.
No entanto, a época considerada mais crítica em incêndios rurais vai contar este ano com 70 meios aéreos, menos dois do que em 2023, sendo os meios que não vão estar disponíveis no DECIR dois aviões ‘canadair’ devido às dificuldades no mercado.
Dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) dão conta de que este ano já ocorreram cerca de 1.200 ocorrências de incêndios que queimaram aproximadamente 2.000 hectares.
c/LUSA
