“O verão ainda não terminou e precisamos de estar todos muito atentos”, foi o alerta do presidente da Câmara de Abrantes face ao aumento de ignições no Médio Tejo e dos incêndios que ainda lavram no país, sublinhando a importância da colaboração de cidadãos e entidades no combate e prevenção das chamas.
Em declarações aos jornalistas, no final da reunião de executivo de terça-feira, Manuel Jorge Valamatos manifestou preocupação com os incêndios que têm assolado várias regiões do país, sublinhando a importância da colaboração de todos no combate e prevenção destes acontecimentos e afirmado que as autoridades estão muito atentas a fenómenos de incendiarismo.
“Lamentar o drama que estamos a viver no país e nas regiões que estão a ser assoladas por este incêndio, que tem dificuldade em terminar, pela sua dimensão. Obviamente que lamentamos imenso, os nossos homens, quer da nossa Associação Humanitária de Abrantes, quer do Médio Tejo, têm estado solidários e têm estado com brigadas também no apoio a estes grandes incêndios, que ganharam uma dimensão, de facto, incrível”, afirmou o autarca de Abrantes, que também preside à CIM do Médio Tejo.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
Valamatos apelou à esperança de que as condições atmosféricas contribuam para a diminuição da gravidade das chamas: “Desejamos, obviamente, que as condições atmosféricas possam ajudar nos próximos dias, com o baixar da temperatura e o aumento da humidade, possa diminuir a dimensão gigante destes incêndios.”
O presidente destacou a importância da prevenção e da vigilância de todos os cidadãos, lembrando que “somos todos agentes de Proteção Civil, temos de estar todos muito atentos, temos que colaborar e evitar situações de risco de incêndio.”
O autarca enalteceu ainda o trabalho das várias entidades envolvidas no combate aos incêndios: “Estou muito agradecido a todos os agentes de Proteção Civil em concreto que fazem parte do DECIR, às associações de caçadores, às juntas de freguesia com os kits de primeira intervenção, aos agentes da floresta, às empresas que têm atividades na floresta, à associação de agricultores e com as brigadas também de sapadores, os nossos bombeiros, naturalmente, mas a todos aqueles que fazem parte deste processo… ao cidadão comum que está atento e ajuda a evitar situações de risco.”
Relativamente ao concelho de Abrantes e à região do Médio Tejo, o presidente revelou que têm ocorrido mais ignições do que nos últimos dois anos, destacando os esforços para melhorar a vigilância: “Estamos a tentar criar dispositivos para vigiar, para estar mais atentos, para que, quer com as forças de segurança, quer com os agentes no terreno e o seu posicionamento, possamos criar condições para estarmos muito vigilantes, muito atentos, despertos para qualquer situação de anormalidade.”
O autarca reforçou ainda a necessidade de responsabilidade e alerta para atos criminosos: “Também sabemos que as forças de segurança e as entidades responsáveis, nomeadamente a Polícia Judiciária, já têm algumas informações acrescidas relativamente a algumas situações de ignição e queremos debelar, de uma vez, essas situações e não compactuamos com qualquer ato criminoso. Pelo contrário, estaremos muito atentos a qualquer iniciativa criminosa para tentar responsabilizar, a todo o tempo, essas mesmas ações.”
Manuel Jorge Valamatos concluiu o apelo à população lembrando que “o verão não terminou. Todos são precisos para colaborar e todos são agentes de proteção civil. Precisamos que todos nos ajudem, todos tenham este comprometimento e percebam o quanto é dramático o território a arder.”
Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Os fogos provocaram três mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.
Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual dispõe de dois aviões Fire Boss, estando previsto chegarem mais dois aviões Canadair na sexta-feira.
Segundo dados oficiais provisórios, até 21 de agosto arderam 234 mil hectares no país, mais de 50 mil dos quais só no incêndio de Arganil.
