Abrantes reforça meios de prevenção com juntas de freguesia ao nível de kits de primeira intervenção. Foto arquivo: CMA

As previsões não são animadoras para este verão e para a denominada época de incêndios, com o risco a ser muito elevado tendo em conta as previsões de várias ondas de calor para os próximos meses. O tema foi debatido em reunião de executivo da Câmara de Abrantes, onde foi aprovado, por unanimidade, alargar o protocolo existente para apoio na defesa da floresta contra incêndios à Associação de Caça e Pesca de Alvega.

A Câmara de Abrantes já havia aprovado protocolos com quatro associações de caçadores que possuem kits de primeira intervenção para darem apoio na defesa da floresta, a que se junta agora a associação de Alvega no apoio e ajuda às ocorrências de Proteção Civil, durante o período critico de incêndios.

Nesse sentido, serão atribuídos apoios de 1.500 euros (de um total de 7.500 euros) à Associação de Caçadores de Mouriscas, Associação de Caçadores de Martinchel, Associação de Caçadores de São Facundo e Vale das Mós, Associação de Caçadores de Arreciadas, e Associação de Caça e Pesca de Alvega.

Abrantes reforça meios de prevenção e alerta para verão muito quente. Foto: CMA

O protocolo de colaboração entre a Câmara e as diversas associações define mecanismos de apoio para que estas passem a ter mais e melhores condições para apoiar nas ações de vigilância, prevenção, primeira intervenção e apoio ao combate, em virtude do seu conhecimento do território e interesse nos espaços à sua responsabilidade, cabendo ao município uma comparticipação financeira de 1.500,00€ ano a cada associação.

A par das cinco associações, o concelho de Abrantes vai ter 10 das 13 juntas de freguesia a integrar o dispositivo municipal de combate a incêndios rurais (DECIR), colocando no terreno viaturas equipadas com kits de primeira intervenção e munidos de dispositivos de comunicação via rádio. Por via da celebração de contratos interadministrativos, esta medida representa um investimento global na ordem dos 165 mil euros.

Integram esta iniciativa de Proteção Civil as freguesias de Bemposta, Carvalhal, Fontes; Mouriscas; Pego; Rio de Moinhos; Tramagal; União das Freguesias de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede (2 kits); União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto e União das Freguesias de S. Facundo e Vale das Mós.

Ficam de fora a União de Freguesias de Alvega e Concavada, Martinchel e União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo.

Os kits de primeira intervenção servem uma intervenção inicial, muitas vezes determinante, intervindo sobre ignições e impedir que um foco de incêndio tome maiores proporções.

Abrantes apresenta dispositivo com forte aposta na prevenção e no ataque a fogos nascentes. Foto: CMA

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Na reunião de Câmara, o vereador Vasco Damas, do movimento Alternativacom, questionou o presidente da autarquia sobre os programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras” em Abrantes dois programas governamentais que, notou, têm objetivos diferentes, embora dentro do mesmo cenário de incêndios rurais.

O programa “Aldeia Segura” visa implementar e gerir zonas de proteção aos aglomerados e infraestruturas estratégicas, identificando pontos críticos e locais de refúgio, ao passo que o programa “Pessoas Seguras” visa sensibilizar para a prevenção de comportamentos de risco, medidas de autoproteção e realização de simulacros de planos de evacuação, enquadrou, para questionar sobre a implementação dos dois programas.

“No Portal do Município, assim como no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, não vemos qualquer referência a estes dois programas, mas no site governamental www.aldeiasseguras.pt informa-se que o concelho de Abrantes terá 52 “Aldeias Seguras”, disse o vereador do Alterativacom, perguntando se “pode o Sr. Presidente esclarecer sobre a implementação destes dois programas no nosso concelho (…) dizendo-nos também o que falta fazer para o cabal cumprimento da Resolução n.º 157-A/2017 e do Decreto-Lei n.º 82/2021”.

O presidente da Câmara de Abrantes, o socialista Manuel Jorge Valamatos, disse que, em relação às Aldeia Seguras, muitas estão já implementadas e muitas em fase de implementação, no âmbito da Proteção Civil, tendo assegurado apresentar um ponto de situação mais detalhado, também sobre oficias de ligação, em próximo reunião de executivo.

Questão dos incêndios foi abordada na reunião de Câmara de Abrantes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | QUESTÃO de VASCO DAMAS e RESPOSTA de MANUEL JORGE VALAMATOS:

Abrantes apresentou em maio o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), integrando, entre muitas outras entidades, os kits de primeira intervenção que, a par do apoio financeiro e aos equipamentos de proteção individual, englobam formação aos elementos das respetivas equipas, facultada pelos Bombeiros Voluntários de Abrantes.

No âmbito do DECIR 2023, entre 15 de maio e 30 de outubro, as carrinhas das freguesias, nos períodos de alerta laranja e vermelho, comprometem-se a estar pré posicionadas em Locais Estratégicos de Estacionamento (LEE), dentro do limite da freguesia e em horários também definidos previamente pelo comandante dos Bombeiros de Abrantes e pela Proteção Civil Municipal.

Foram muitas as entidades presentes na apresentação do DECIR Municipal 2023, que ocorreu no Aquapolis Sul, e que integram o dispositivo. Além do presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e do comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato, marcou presença o Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), coordenado por Paulo Ferreira, a Divisão Logística da Câmara de Abrantes, os Bombeiros de Abrantes, Cruz Vermelha Portuguesa, UEPS, GNR, PSP, RAME, Sapadores Florestais (da Associação de Agricultores e da CIM Médio Tejo), Altri, Gestiverde e as 10 freguesias envolvidas e as associações de caçadores.

Abrantes reforça meios de prevenção e alerta para verão muito quente. Foto: CMA

O concelho de Abrantes tem uma área de 714 quilómetros quadrados e uma vasta zona florestal, tendo o dispositivo em 2022 registado uma área ardida na ordem dos 100 hectares e nenhum bombeiro ou agente de proteção civil ferido ou afetado pelos incêndios.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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