Abrantes mobiliza freguesias, caçadores e sapadores para ataque rápido ao fogo. Foto: mediotejo.net

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) municipal de 2026 foi hoje apresentado no recinto de festas da freguesia de Bemposta, reunindo bombeiros, sapadores florestais, forças de segurança, juntas de freguesia, associações de agricultores, caçadores e empresas ligadas à floresta.

Entre viaturas de primeira intervenção estacionadas no recinto, mangueiras enroladas e operacionais fardados, o presidente da Câmara de Abrantes insistiu numa ideia repetida ao longo da cerimónia: “os incêndios não nascem grandes, nascem todos pequeninos”, sintetizando a ideia central da estratégia de combate.

“É aí que reside um princípio absolutamente decisivo, o ataque inicial e a importância de estarmos posicionados no território”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.

O concelho, com 714 quilómetros quadrados – dimensão que o autarca comparou à da ilha da Madeira – volta este ano a assentar parte da estratégia de proteção civil numa rede de proximidade composta por juntas de freguesia, sapadores florestais e associações de caçadores distribuídas pelo território, com ‘kits’ de primeira intervenção.

Abrantes mobiliza freguesias, caçadores e sapadores para ataque rápido ao fogo. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CÂMARA DE ABRANTES:

Em 2026, o município celebrou contratos interadministrativos com 11 juntas de freguesia para operacionalizar 12 ‘kits’ de primeira intervenção, num investimento total de 180 mil euros.

Cada ‘kit’, apoiado com 15 mil euros, integra viaturas ligeiras equipadas com tanque de água, mangueiras, maquinaria e sistemas de comunicação rádio, sendo posicionados em locais estratégicos durante períodos de maior risco.

Desde 2019, o município já investiu cerca de 1,3 milhões de euros neste dispositivo.

Segundo o segundo comandante sub-regional de Proteção Civil do Médio Tejo, João Pitacas, a dispersão territorial do concelho obriga a “ter meios espalhados pelo território” capazes de chegar rapidamente a uma ignição.

“Temos uma malha entre sapadores florestais, associações de caçadores e juntas de freguesia, entre 25 a 30 viaturas de primeira intervenção muito rápidas”, afirmou.

“Apesar de serem pequenos em dimensão, são grandes em importância quando estão no território”, acrescentou.

Abrantes mobiliza freguesias, caçadores e sapadores para ataque rápido ao fogo. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOÃO PITACAS, 2º COMANDANTE PROTEÇÃO CIVIL MÉDIO TEJO:

Segundo João Pitacas, estes meios permitem não apenas uma primeira intervenção mais rápida, mas também vigilância, dissuasão e acompanhamento de situações de risco, incluindo queimadas autorizadas.

“Todos os incêndios nascem com uma dimensão muito reduzida e o primeiro objetivo é fazer deslocar pelo menos um meio no menor tempo possível”, declarou.

Além dos ‘kits’, o DECIR integra bombeiros, Cruz Vermelha, GNR, PSP, Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), sapadores florestais da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Associação de Agricultores de Abrantes, Barquinha, Constância, Mação e Sardoal, além de empresas florestais e associações de caçadores.

O município assinou também protocolos com sete associações de caçadores, num investimento adicional de 10.500 euros destinados à prevenção e vigilância florestal.

A poucos dias do início do período mais crítico de incêndios, Manuel Jorge Valamatos admitiu preocupação com as condições meteorológicas e com o impacto da tempestade que atingiu o norte do concelho com a tempestade Kristin, a 28 de janeiro.

“O norte do concelho foi afetado pela tempestade e existem muitas árvores caídas, aumentando significativamente a carga combustível, sobretudo em vales encaixados onde é difícil fazer a remoção”, afirmou.

Apesar de os principais caminhos florestais já terem sido desobstruídos, o autarca reconheceu que “até 30 de junho é uma corrida contra o tempo”.

O município prepara ainda a instalação de novas câmaras de videovigilância na floresta, em articulação com a Polícia Judiciária, numa tentativa de reforçar a dissuasão e deteção de ignições.

“Somos dos concelhos com mais ignições verificadas nos anos anteriores, intencionalmente ou por descuidos, e temos de combater isto”, declarou.

Ao encerrar a apresentação do dispositivo, perante dezenas de operacionais, Manuel Jorge Valamatos deixou um apelo à coordenação entre entidades e à vigilância permanente da população.

“Todos são importantes. Não há entidades nem pessoas mais importantes do que outras quando se pretende defender um território”, concluiu.


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