O antes e depois do incêndio no Moinho de Avecasta, em Ferreira do Zêzere. Foto: DR

É com tristeza e nostalgia que moradores reagem ao fim do Moinho reconstruído com orgulho há cerca de 27 anos e que agora está reduzido a cinzas. Apesar de estar perto do Moinho, o baloiço que a Junta de Freguesia de Areias e Pias tinha instalado ali ao lado, em agosto de 2021, acabou por não ser atingido pelas chamas, disse hoje o Presidente da Câmara Municipal. Bruno Gomes fez um ponto de situação relativamente ao evoluir do incêndio, apelou à calma da população e assegurou que o Moinho vai ser reerguido na Avecasta, tendo feito notar que em primeiro lugar está sempre a proteção de pessoas e bens e que há muitos meios no terreno.

ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:

Localizado numa elevação na aldeia de Avecasta, o Moinho, em estrutura triangular e formado por troncos de madeira, girava assente num eixo à volta de um círculo de pedra, movendo-se de acordo com a direção do vento.. A curta distância, encontra-se baloiço panorâmico, que não foi destruído, e a gruta com o mesmo nome, uma estação arqueológica com vestígios de ocupação desde o paleolítico.

Continua hoje a suscitar preocupações o fogo que teve início na quinta-feira na localidade da Cumeada, concelho de Ourém,, que mobilizava cerca da meia-noite 768 operacionais e 241 veículos e já tinha “uma vasta área ardida” e já afetava três concelhos – Ourém, Ferreira do Zêzere e Alvaiázere – de dois distritos, Santarém e Leiria.

Apesar do “número expressivo de meios” envolvidos, o combate ao incêndio de Ourém “ainda está muito desfavorável”, estando o comando operacional a “apostar no período noturno” para contribuir para o seu domínio. Esta manhã, segundo a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o combate a este incêndio contava com 743 homens, 234 meios terrestres e oito meios aéreos.

A topografia do teatro de operações e os ventos fortes que se fazem sentir estão a dificultar o trabalho dos bombeiros, explicou Pedro Araújo, acrescentando que 23 pessoas, entre civis e operacionais, já foram assistidas neste incêndio, seis das quais – cinco bombeiros e um civil – tiveram de ser transportadas ao hospital.

Incêndios | Mais de dois mil homens combatem 32 fogos rurais

Mais de dois mil operacionais combatem esta manhã 32 incêndios florestais, destacando-se oito que estão ainda em curso, em especial os dos concelhos de Pombal, Ourém e Carrazeda de Ansiães, segundo a Proteção Civil.

Segundo os dados disponíveis na página da Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, consultados pela Lusa às 08:30, estavam 2.065 homens no terreno a combater 32 fogos rurais, apoiados por 639 viaturas e sete meios aéreos.

A maioria desses incêndios estava em fase de conclusão (21), havendo ainda três em fase de resolução. Os oito fogos rurais em curso mobilizavam a maioria dos homens: 1.528.

O incêndio de Abiul, em Pombal, continua a ser um dos que mobiliza mais meios: Às 8:30 estavam no terreno 503 homens, 162 viaturas terrestres e três meios aéreos.

Em Ourém, o fogo que começou na quinta-feira na Cumeada, conta hoje com 743 homens, 234 meios terrestres e oito meios aéreos.

Em Carrazeda de Ansiães (Bragança), as chamas estão a mobilizar 204 homens, 63 meios terrestres e um meio aéreo.

Por volta das 08:30, a proteção civil tinha o registo de seis novos incêndios que deflagraram hoje de manhã: Em Canelas e Custóias, ambos no distrito do Porto, e em Pisão, distrito de Leiria; Gavião, e Braga; Sabroso de Aguiar (Vila Real), Arruda dos Vinhos, em Lisboa.

O ministro da Administração Interna anunciou no sábado que o Governo decidiu declarar a situação de contingência entre segunda e sexta-feira, permitindo que a Proteção Civil mobilize “todos os meios de que o país dispõe” para combater os incêndios num período em que se preveem temperaturas superiores a 45° em alguns pontos do país.

José Luís Carneiro explicou que a decisão se deve à previsão de agravamento das condições meteorológicas associadas a um elevado risco de incêndio, com a conjugação de fatores como a seca que se vive no país, níveis de humidade muito baixos, a previsão de ventos de várias orientações e noites muito quentes, o que não dá garantia de que haja reposição de humidade para níveis de segurança.

c/LUSA

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 Comentário

  1. O que importa a perda de algo construído, e eu sei com coração, devoção e uma grande força interior em manter as tradições!
    Mesmo conservado com carinho, limpo tudo ao redor para evitar esta tragédia, o fogo, o vento nem sempre são amigos!
    São poderosos perante os humanos!
    Quem força deu a este monumento que ficará na história já não se encontra cá para voltar a construir outro igual!

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