Incêndio em Tramagal resolvido à nascença gera apelo a comportamentos preventivos. Foto: Jorge Pereira

Um incêndio deflagrou às 14:16 em Chão de Lucas, Tramagal, num local florestal já fustigado pelas chamas em julho e que gerou muita preocupação, tendo o comandante dos bombeiros de Abrantes apelado hoje a cuidados redobrados e a comportamentos preventivos. O ataque rápido e musculado, com cerca de 90 bombeiros, mais de 20 viaturas e dois meios aéreos, permitiu dar o incêndio como dominado em menos de uma hora.

O incêndio, que deflagrou no dia 6 de julho em Chão de Lucas, entre Tramagal e Bicas, teve suspeitas de origem numa fagulha de uma máquina de cortar erva e chegou a mobilizar nove meio aéreos e mais de duas centenas de bombeiros, tendo sido dominado após cerca de oito horas de combate. O incêndio de hoje, segundo o comandante dos bombeiros de Abrantes, António Manuel Jesus, é “de origem desconhecida” e “terá sido provocado por algum descuido”, tendo lembrado que uma simples beata pode gerar um incêndio florestal. Às 16:00 não havia nenhum fogo ativo no distrito de Santarém.

O ataque rápido e musculado é uma das estratégias de combate aos fogos, com o município de Abrantes, a exemplo de outros, a investir num programa de carrinhas com kits de primeira intervenção, numa parceria com as juntas de freguesias, previamente posicionadas em locais estratégicos para uma pronta intervenção.

“Uma das questões que fomos percebendo é não deixar que o fogo ganhe dimensão. Por isso, o primeiro ataque, a reação rápida, é um elemento decisivo nos incêndios”, afirmou o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, na apresentação do DECIR municipal.

Área ardida este ano já ultrapassa os 100 mil hectares

A área ardida em Portugal devido aos incêndios deste ano já ultrapassou os 100 mil hectares, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) divulgados na terça-feira.

Os dados provisórios, obtidos com base no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), registam que arderam 103.332 hectares, 51% de povoamentos florestais, 39% de matos e 10% de área de agricultura.

Desde o início do ano até hoje já foram registadas 9.100 ocorrências, de acordo com os mesmos números, publicados na página do ICNF.

Dados também publicados pelo ICNF, no quarto relatório provisório de incêndios rurais de 2022, com valores de 01 de janeiro a 15 de agosto, arderam nesse período 80.760 hectares, o que significa que na última semana terão ardido mais de 22 mil hectares. A 15 de agosto o número de ocorrências cifrava-se em 8.517, pelo que na última semana registaram-se mais de 500 ignições.

O relatório indica que, comparando com o histórico dos 10 anos anteriores, houve até dia 15 menos 12% de incêndios rurais mas mais 30% de área ardida.

Desde 2012, sempre com dados até 15 de agosto, este é o sexto ano com maior número de incêndios e o terceiro com mais área ardida.

No período em questão registaram-se 16 incêndios com uma área ardida igual ou superior a mil hectares (a maior parte, 82%, não chega a um hectare) e 66 com uma área ardida igual ou superior a 100 hectares, já considerados grandes incêndios. Castelo Branco foi o distrito com mais área ardida.

Até dia 15, das causas de incêndios apuradas indicam que 22% se deveram a queimadas e outros 22% a incendiários.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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