Incêndio em Ourém quase dominado, Governo decreta situação de alerta entre domingo e terça-feira. Foto arquivo: Paulo Jorge de Sousa

Em declarações à Lusa, Jorge Gama, comandante dos bombeiros de Vila Nova da Barquinha ao serviço no CDOS de Santarém, explicou que este incêndio “está em resolução desde as 09:45”, concentrando ainda no perímetro 678 operacionais, 210 veículos e seis meios aéreos.

“Mantém-se o dispositivo todo no local. Estamos com atenção aos pontos quentes e esperamos que não haja reativações, que é uma preocupação”, referiu o responsável, alertando: “O rescaldo vai ser demorado. Com o aumento da temperatura e o vento, a humidade vai baixar bastante e pode haver alguma reativação”.

De acordo com a mesma fonte, nas últimas horas já não houve mais retiradas de pessoas das respetivas habitações ou necessidade de assistência médica a cidadãos. Pelo menos 50 pessoas tinham sido retiradas de casa, por precaução, devido ao incêndio, disse à Lusa esta sexta-feira o presidente Câmara de Ourém, Luís Albuquerque.

Em declarações hoje pouco depois das 08:30 à SIC Notícias, o comandante operacional distrital David Lobato esclareceu que chegaram a estar envolvidos cinco meios aéreos para lidar com os pontos quentes desta ocorrência e garantiu que as “preocupações” com possíveis reativações, devido à subida da temperatura e do vento ao longo do dia, vão levar a “manter o mesmo dispositivo pelo menos hoje o dia todo e possivelmente amanhã”.

“Temos duas pequenas frentes ativas na zona da Aldeia Nova. Neste momento, os meios que já estão estabelecidos no perímetro do incêndio, em princípio, mais meia hora deverão conseguir debelar a situação. Esperamos dentro de meia hora colocar o incêndio em resolução”, afirmou o responsável.

Pelas 08:50, este incêndio mobilizava ainda 722 bombeiros, 225 meios terrestres e três meios aéreos.

Assumindo a expectativa de uma “tarde de muito trabalho”, Comandante distrital de operações da Proteção Civil de Santarém referiu ainda que a proximidade deste incêndio obrigou à retirada de cerca de 30 pessoas das respetivas habitações e que apenas arderam “armazéns, barracões agrícolas e um aviário”. David Lobato assegurou também que não se registaram feridos, apenas pessoas que foram assistidas.

Governo decreta situação de alerta entre domingo e terça-feira

O ministro da Administração Interna anunciou, na sexta-feira, que o território continental vai estar em situação de alerta entre 21 e 23 de agosto devido ao risco de incêndios.

“Tomámos a decisão de determinar a situação de alerta para os dias 21, 22 e 23 – domingo, segunda e terça-feira, com reavaliação na segunda-feira ao fim do dia, tendo em vista reavaliar a necessidade de manter ou alterar a situação de alerta. Toda esta circunstância se aplica ao território continental”, afirmou o governante, após uma reunião na sexta-feira com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide (Oeiras).

Em conferência de imprensa, José Luís Carneiro explicou também que a determinação da situação de alerta durante este período pressupõe “especiais limitações quanto ao uso do fogo, ao uso de máquinas e ao uso de trabalhos agrícolas, bem como no que diz respeito ao acesso aos espaços florestais”, sublinhando que a utilização do fogo é apontada como causa em 54% das ocorrências, aos quais se juntam outros 10% de causas diversas.

O ministro assinalou os “momentos absolutamente extraordinários” em termos de combate aos incêndios, com enfoque nas atuais circunstâncias meteorológicas e ambientais em Portugal.

“Em primeiro lugar, o novo pico de calor que se vai fazer sentir nos próximos dias, a partir de domingo, que poderá alcançar temperaturas superiores a 40 graus; em segundo lugar, ventos que poderão variar entre os 40 e os 60 quilómetros por hora, em terceiro lugar, a manutenção de seca severa e extrema em grande parte do território nacional”, observou.

Segundo o governante, este “é um período novo e exigente”, embora tenha reconhecido que no domínio das temperaturas “não é tão exigente como foi o período de julho”. Quanto à questão da seca severa e extrema e do vento, José Luís Carneiro defendeu que “exige uma manutenção da capacidade operacional que exige a mobilização de mais meios”.

Confrontado com a responsabilidade pela atual situação dos incêndios em Portugal, José Luís Carneiro vincou só poder responder pela sua pasta, notando que “há matérias que não são de competência da Administração Interna”, mas reiterou que “todos os meios de que o Estado dispõe foram colocados desde a primeira hora ao dispor das comunidades locais”.

“O país tem conseguido salvaguardar as vidas humanas e o património edificado – apesar destas circunstâncias absolutamente excecionais. Todos têm dado o seu melhor, desde os bombeiros que estão no terreno a combater em circunstâncias muito difíceis, até às comunidades locais, aos autarcas e ao país, enquanto Estado, que coloca ao serviço das comunidades os meios que são de todos nós”, resumiu.

Questionado sobre as críticas de autarcas, entre as quais sobressaiu a declaração de calamidade para os territórios afetados pelas chamas, José Luís Carneiro remeteu as respostas para uma reunião na segunda-feira.

“Está prevista uma reunião que será presidida pela ministra Mariana Vieira da Silva, em que estarão os ministérios da Administração Interna, Agricultura, Coesão, do Ambiente e da Segurança Social para ouvir o que há a dizer por parte dos autarcas para que a resposta possa ser estruturada em função das necessidades mais emergentes e, depois, necessidades de médio e longo prazo, que têm também de ter uma atuação metodologicamente preparada por parte do governo”, concluiu.

c/LUSA

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