O incêndio, que deflagrou no sábado no concelho de Leiria e se alastrou a Ourém, encontra-se desde o final desta manhã deste domingo em fase de conclusão, informou fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo. A praia fluvial de Cardigos, em Mação, foi, entretanto, reaberta ao público, depois de ter sido interditada por precaução.
Apesar de se encontrar já extinto, o incêndio continuava, pelas 13:30 deste domingo, a mobilizar 184 operacionais, apoiados por 56 meios terrestres e um meio aéreo, para assegurar as operações de rescaldo, de acordo com David Lobato, do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo.
ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDO SUB-REGIONAL MÉDIO TEJO:
O incêndio deflagrou no sábado, pelas 14:16, no concelho de Leiria, em zona de eucaliptal e pinhal, sendo as localidades mais próximas Vale Tacão e Sirois, próximas da fronteira com o concelho de Ourém, onde o fogo acabou por se alastrar durante o período da tarde. Neste âmbito, o Itinerário Complementar (IC) 9 esteve cortado à circulação nos dois sentidos, entre os nós de Gondemaria e Alburitel, em Ourém, estando a situação já normalizada.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque (PSD), afirmou que o incêndio “está controlado”, após a chegada de diversos reforços ao longo do dia de sábado, o que permitiu que as zonas ativas ficassem resolvidas.
O autarca afirmou que “não há feridos” a registar, mas “houve algumas habitações onde o fogo passou, porque Ourém é um concelho que tem muitas habitações dispersas pela floresta e sempre que há um incêndio de maior dimensão, isso é sempre um risco”.
“Isso também aconteceu, mas, felizmente, – pelo menos que tenhamos conhecimento -, não houve qualquer dano material a assinalar”, declarou Luís Albuquerque.
Durante o combate ao fogo, houve a necessidade de fazer “algumas, poucas, evacuações de habitações, apenas por precaução”, mas as pessoas já puderam voltar às suas casas.
Três incêndios deflagraram no sábado no Médio Tejo, com os bombeiros a combaterem chamas em Cercal (Ourém), Minde (Alcanena), e S. Pedro (Tomar). Ao final da tarde, o fogo em Ourém era o único que estava por controlar, tendo entrado em fase de resolução perto das meia noite. Em Mação, a praia fluvial de Cardigos foi interdita ao publico, por precaução, devido ao incêndio que lavra desde sexta-feira em Castelo Branco, tendo sido reaberta ainda no sábado, ao final do dia.
Na região do Médio Tejo o dia de sábado foi de muito trabalho para os bombeiros e proteção civil, não só pelos incêndios mas também devido à presença do Papa Francisco em Fátima, tendo sido registadas 81 ocorrências com peregrinos, nomeadamente devido ao calor que se fazia sentir.
David Lobato disse ainda que o incêndio que lavra em Castelo Branco e que se estendeu a Proença-a-Nova chegou a ameaçar entrar no concelho de Mação, mas que, neste momento não existe perigo imediato que tal aconteça.
O perímetro do incêndio que deflagrou na sexta-feira, em Castelo Branco está neste momento estabilizado, sem qualquer frente ativa e com quatro pontos quentes que “merecem maior preocupação”, informou hoje, por sua vez, o Comando Regional de Proteção Civil do Centro.
“A área ardida estimada é de 7.000 hectares, mas o potencial deste incêndio aponta para mais de 20 mil hectares. O foco, neste momento é não deixar haver novas reativações com período superior a 15 minutos”, referiu o segundo Comandante Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo, José Guilherme, num ‘briefing’ sobre o ponto de situação do fogo às 11:30.
“Infelizmente temos a registar até ao momento 11 feridos ligeiros”, adiantou.
O incêndio deflagrou na tarde de sexta-feira, na localidade de Carrascal, Santo André das Tojeiras, concelho de Castelo Branco e progrediu para o concelho vizinho de Proença-a-Nova.
José Guilherme adiantou que no terreno vão manter-se os mais de mil operacionais que “estão a conseguir a estabilização do perímetro do terreno. Os quatro pontos quentes são entre Pedra Altar e Foz do Cobrão, a oeste de Gaviãozinho, a este de Carregais e entre Catraia Cimeira e Aldeia Cimeira”, todos no concelho de Proença-a-Nova.
“Estamos a falar de uma área muito grande [60 quilómetros de perímetro], com populações dispersas. Não houve necessidade [durante a noite] de evacuações. Muitas habitações devolutas e anexos foram danificados, mas felizmente não há primeiras ou segundas habitações danificadas”, sublinhou.
O segundo comandante da proteção civil adiantou ainda que neste momento não existem quaisquer vias de comunicação interditas ou encerradas à circulação rodoviária, mas deixou um apelo para que as pessoas utilizem essas vias só em caso de necessidade, uma vez que continuam por lá a circular muitas viaturas da Proteção Civil e de outras entidades que se encontram no combate ao incêndio.
“O combate está a evoluir muito favoravelmente e prevemos que nas próximas horas, a manter-se assim, no final do dia façamos uma nova avaliação. Tudo depende das condições meteorológicas e do vento, sobretudo. O foco vai ser nos quatro pontos para evitar reativações mais fortes”, concluiu.
À hora do ‘briefing’, o incêndio mobilizava 1.030 operacionais, apoiados por 359 veículo, 16 máquinas de rasto e dois meios aéreos (aviões Fire Boss).
c/LUSA
