Virgílio Rapazote, em cima, à direita. Foto: DR

Quando se começava a preparar a comemoração do centenário do Sport Abrantes e Benfica, dois amigos ligados à Direção do clube convenceram-me a escrever um livro sobre o trajeto deste histórico emblema abrantino. Num percurso de 100 anos, há inevitavelmente duas figuras que sobressaem: António de Oliveira Mateus, que faleceu enquanto era Presidente da Câmara, em 1961, e Virgílio Rapazote, que nos deixou hoje, 12 de julho de 2017. Virgílio Rapazote, natural de Bragança, passou por Abrantes nos anos 60, em que teve a primeira ligação ao Sport Abrantes e Benfica, e regressou, já na década de 70, para se estabelecer em definitivo e para ficar na história do clube e da cidade.

Desde o começo, logo em 1967, Virgílio Rapazote assumiu um papel preponderante enquanto Presidente da Direção do Sport Abrantes e Benfica. Após vários anos de quase inatividade do clube, conjuntamente com David Grácio, Fernando Rodrigues, Orlando Nogueira, António Pedro, entre outros (a Assembleia Geral era presidida por Rogério Ribeiro) voltou a organizar equipas de futebol e fez regressar os equipamentos vermelhos e brancos ao Campo do Barro Vermelho. Nesta fase, a prática desportiva do clube circunscrevia-se ao futebol, nos escalões de juvenis e/ou juniores.

Virgílio Rapazote, em cima, terceiro a contar da esquerda. Foto: DR

Depois de ter passado por África, em 1977, de novo em Abrantes, Virgílio Rapazote reassumiu a presidência da direção do clube que em 1916 nasceu como Sport Lisboa e Abrantes, cargo em que se manteve até 1999. Nos anos 70, até 1983/84, para além do atletismo, a atividade desportiva do Sport Abrantes e Benfica desenvolveu-se fundamentalmente em torno da prática do futebol, nos escalões de Juvenis e/ou Juniores. As épocas desportivas 1983/84, 1984/85 e 1985/86 correspondem ao período em que o clube teve uma equipa de futebol sénior. Esta equipa subiu de divisão em 1983/84, depois de se ter classificado em 2.º lugar, tendo disputado o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão em 1984/85.

A época 1985/86 correspondeu à grande transição de dinâmica operacional do clube. O Sport Abrantes e Benfica, para além da equipa de Seniores, apresentou uma equipa de Iniciados, a qual conseguiu o feito de, logo na época de estreia, conquistar o título de campeã distrital. Esta equipa atingiu a fase final do Campeonato Nacional, alcançando o 5.º lugar a nível nacional.

Virgílio Rapazote, em cima, segundo a contar da direita. Foto: DR

Em 1988/89, o Sport Abrantes e Benfica tinha a disputar os campeonatos distritais com formações em todos os escalões de jovens, apresentando inclusivamente várias equipas por escalão (de 1.º e 2.º ano). Neste período, o clube atingiu sistematicamente ótimas classificações, participando várias vezes no Campeonato Nacional de Infantis. Foi por esta altura que o clube estabeleceu um protocolo, ainda hoje em vigor, com o Sporting Clube de Abrantes, que definia que o Sport Abrantes e Benfica se passaria a dedicar exclusivamente ao futebol, enquanto o Sporting abrantino se tornava responsável por outras modalidades.

E os títulos sucederam-se: em 1988/89, os Iniciados foram campeões distritais, um título que se repetiu em 1994/95 (após esta subida, este escalão manteve-se 14 anos consecutivos no Campeonato Nacional); ainda na época 1994/95, os Infantis também conseguiram vencer o campeonato distrital; em 1997/98, os Infantis e Juvenis do clube alcançaram de novo o título distrital. As conquistas sucederam-se, fruto de um trabalho continuado, realizado com qualidade, em que os atletas eram integrados no clube desde muito cedo, onde faziam uma formação muito precoce, acompanhados por múltiplos técnicos e dirigentes. Durante um quarto de século, houve um homem incontornável neste processo, que se assumiu como líder desta dinâmica, o seu nome é Virgílio Rapazote.

Numa entrevista que fiz ao treinador abrantino Nuno Gomes, ontem transmitida na Antena Livre, ele não deixou de destacar o que significou Virgílio Rapazote para sucessivas gerações de jovens abrantinos. Este contínuo reconhecimento, por parte de tantos homens que Virgílio Rapazote ajudou a crescer, será sempre a melhor homenagem que lhe pode ser feita.

 

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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