"A Cidade Imaginária", obra de Charters de Almeida, em Abrantes. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa

Há, junto à margem do Tejo, uma imponente escultura de Charters de Almeida, inaugurada em 2006, que nos sugere várias portas e passagens – de um lado para o outro da margem, entre o passado e o futuro e, com os seus 27 metros de altura, até entre a terra e o céu.

O escultor escolheu chamar-lhe “Cidade Imaginária” porque pretendia que os abrantinos, interagindo com esta sua obra, conseguissem descobrir “múltiplas perspectivas do existente e do novo existente”. 

A estrutura de betão pintado de vermelho dialoga hoje com uma outra concebida pelo mesmo escultor 10 anos depois, por ocasião do centenário da elevação a cidade, e que foi colocada em frente ao quartel, na entrada (ou saída) oposta de Abrantes: “A Celebração do Tempo”. Esta, construída em aço “corten” – com propriedades anticorrosivas e, portanto, resistente ao tempo –, reveste-se de uma simbologia particular, pois ali passaram a ser inscritos os nomes dos primeiros bebés que nascem a cada ano no concelho.

Também todos os anos se celebra a 14 de junho o dia em que Abrantes passou a ser cidade. Neste lugar altaneiro, de onde se pode avistar grande parte do Ribatejo, da Beira Baixa e do Alentejo, muito mudou desde 1916, e muito haverá ainda para melhorar. Mas em tempo de festa importa brindar ao tanto que a cidade já construiu, e mostrá-lo com orgulho a quem a visita.

Honrando a herança dos seus 800 anos de história, as gentes de Abrantes provaram ao longo de muitas gerações que têm os olhos sempre postos num novo amanhã – esse tempo de esperança em que será possível chegar mais perto da “cidade perfeita”, nas múltiplas perspectivas que a sua comunidade for capaz de a imaginar.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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