“A Igreja é de facto uma joia aqui no centro do nosso país e um ex libris do nosso concelho de Constância e, com este património, a beleza acompanha sempre uma necessidade muito grande de recuperação, de manutenção. Tudo o que é património histórico, século 18, século 17, século 19, tudo pede uma intervenção forte, senão a degradação acaba por perder toda sua expressão, mas também toda a sua história”, disse o padre Nuno Silva aos jornalistas, no final de uma visita que a ministra Dalila Rodrigues efetuou esta semana à igreja Matriz.
“O telhado é muito urgente, portanto, toda a mancha da Igreja a nível de telhado tem que ser revista e algumas partes substituídas, porque chove em alguns momentos e em algumas partes aqui dentro da Igreja”, alertou o pároco.
“Toda aquela zona do teto, onde está o medalhão é uma parte completa, as ripas estão-se a soltar, precisa de uma de uma intervenção muito urgente, depois tudo o que é forma exterior, a igreja está muito degradada exteriormente, precisa de uma pintura urgente também para consolidar toda a sua expressão”, acrescentou, apontando também para o interior da igreja.
“Depois, dentro, o ideal era que o património artístico fosse todo revisto, porque temos algumas imagens a degradarem-se e a perder as suas feições. Temos alguns altares também a degradar e a precisar de alguma recuperação. Portanto, as preocupações são sempre muitas, porque de facto, é um património muito valioso e que nos ultrapassa”, declarou, tendo apontado a necessidade de um investimento muito avultado.




ÁUDIO | NUNO SILVA, PÁROCO DE CONSTÂNCIA:
“Já pedimos uns orçamentos, há uns 4 ou 5 anos, porque eu estou cá há 11 anos e desde que cá estou já a minha luta tem sido a recuperar, recuperar, recuperar. Já fizemos várias intervenções, umas muito urgentes, particularmente no teto, e neste momento estamos solidificados naquilo que é urgente, mas depois há uma outra expressão que é preciso rapidamente intervir”.
O investimento inicial rondou os 180 mil euros, para atacar necessidades mais urgentes no teto, e a Câmara prepara-se para disponibilizar mais cerca de 300 mil euros, no âmbito dos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) com fundos comunitários.
“Nós temos um protocolo já assinado com a Câmara Municipal, onde trabalhamos nessa perspetiva. Sabemos que os dinheiros destes projetos nunca são muito avultados, mas, de forma urgente, teto e paredes, procuramos que seja essa a resposta. Agora, se houver mais um pouco, que nos permita atacar o património histórico, que também está com alguma fragilidade, então isso seria incrível”, afirmou Nuno Silva, que apontou a um investimento global na ordem dos “três a quatro milhões” de euros, e, para a fase mais urgente, entre 1.5 a 2 milhões de euros.
A ministra da Cultura visitou atenta e demoradamente a Igreja e todo o seu património, tendo ficado particularmente interessada num quadro exposto na sacristia. “É um quadro do famoso pintor Rivera, que está connosco, é espólio da nossa comunidade e também temos preservado, temos cuidado. Estava com um estado de degradação também. Já apostamos na recuperação e agora está ali a valorizar a nossa grande sacristia que nos orgulha também muito essa peça, entre outras. Temos muitas peças muito boas na nossa comunidade”, declarou Nuno Silva.

O presidente da Câmara de Constância, por sua vez, afirmou que as preocupações que fez questão de transmitir à ministra da Cultura se centravam, precisamente, na necessidade de requalificar a Igreja Matriz, mas também de ampliar o cemitério da vila, lado a lado com o templo religioso.
“Em relação à Igreja, mostrámos efetivamente o interior da Igreja e o exterior e demos conta que temos na ITI do município uma verba, digamos assim, alocada para a recuperação do telhado da Igreja e pintura exterior da mesma”, disse aos jornalistas Sérgio Oliveira, tendo referido uma verba na ordem dos 300 mil euros.
“Como eu disse naquela pequena introdução que fiz, não sei se dará para ir muito além disso e que nesse processo vamos precisar do apoio do Ministério da Cultura, a nível de pareceres, de autorizações, porque a Igreja é um imóvel classificado e foi desse ponto de vista também que viemos mostrar à senhora Ministra que estamos empenhados nesse processo e precisamos da colaboração do Ministério da Cultura desse ponto de vista”, contextualizou, tendo apontado de seguida à necessidade de alargamento do cemitério de Constância.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
“Tem que se avançar mesmo com o processo de alargamento do cemitério. O cemitério neste momento, se não fosse uma gestão muito rigorosa que a Câmara faz a nível das sepulturas e o facto de, se a memória não me falha, desde 2011 não se poder comprar sepulturas no cemitério aqui em Constância, nós neste momento não teríamos lugar para sepultar as pessoas da vila de Constância”, notou.
“O processo foi feito em maio de 2023, enviado para, na altura, a Direção-Geral do Património Cultural, para desafetar aquela zona de ampliação do cemitério da zona não edificante. Portanto, a garantia que foi dado pela parte do património cultural foi que, até ao final do ano, conta que a portaria seja publicada em Diário da República e que Constância, no início do próximo ano tenha condições de avançar com o processo para o alargamento do cemitério”, concluiu.
A ministra da Cultura disse na ocasião aos jornalistas que Constância vai integrar as comemorações do V centenário de Luís de Camões, cujo programa vai ser conhecido em breve.
“O que nós queremos nesta deslocação é homenagear a vila de Constância com os seus vários temas e a qualidade histórico-artistica. Começámos pela igreja e pelas pretensões [do município] a que seja emitido um parecer favorável ao alargamento do cemitério, por se tratar de uma zona não edificante, e, por fim, a Casa-Memória de Luís de Camões, que vai ser valorizada, desde logo, pela comunidade, e pelos meios que o Ministério da Cultura dispõe e pela Comissão do Centenário”, afirmou a governante.




A ministra da Cultura esteve de visita na quarta-feira a diversos equipamentos culturais em Constância, tendo iniciado na Igreja Matriz, a necessitar de investimento para requalificação do edificado e conservação do património, tendo Dalila Rodrigues, acompanhada de Vasco Silva, diretor Executivo da Comissão para as Comemorações do V Centenário de Luís de Camões, Diogo Ramada Curto, diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, e de João Soalheiro, presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, visitado depois a Casa-Memória de Camões, o Jardim-Horto de Camões e o Monumento ao poeta instalados na vila ribatejana.
