Em jeito de complemento, na sequência da minha crónica da semana passada, lembrei-me de uma das conversas, que, entretanto, infelizmente foram rareando, tida há largos meses com um amigo que muito estimo, onde ele “largou” um “se tu soubesses o que eu não sei, eras um génio!”.
Confesso que olhei para ele semicerrando os olhos a tentar descobrir onde é que se tinha escondido o meu verdadeiro amigo e só mais tarde entendi a verdadeira dimensão das suas palavras.
Com efeito o nosso conhecimento é limitado quando o comparamos com a imensidão que desconhecemos e, normalmente, são aqueles que mais sabem que têm uma atitude mais humilde perante esse conhecimento.
O contrário também é verdade e costuma manifestar-se de forma mais ostensiva. Aqueles que menos sabem gostam de mostrar o seu desconhecimento tentando mostrar que sabem mas mostrando invariavelmente que não sabem. É uma deficiência no ego com base numa insuficiência da educação.
Voltando ao meu amigo e às nossas raras conversas, tenho que ter a humildade para afirmar que, apesar de cada vez mais raras, “regresso” sempre mais rico dessas nossas conversas. A partilha altruísta do seu conhecimento permite-me, invariavelmente, passar a olhar para os factos com muito maior amplitude.
Felizmente tenho mais amigos assim. Amigos que me “enriquecem” mas que me dão espaço para “enriquecer” à minha maneira. Amigos que partilham mas que não impõem. Amigos que me ensinam, que me acrescentam valor e que contribuem para diminuir a minha ignorância. Amigos que, acima de tudo, me ajudam a relativizar o meu conhecimento.
Enquanto assim for, terei a humildade para continuar a aprender, sempre consciente que por mais que aprenda, esse conhecimento será sempre infinitamente mais pequeno que o meu desconhecimento…
Em síntese, continuarei a “assentar” a minha evolução nestes pilares: um ínfimo copo de conhecimento à deriva num imenso mar de ignorância!
