A excepcionalidade das características turísticas de Fátima deve merecer uma atenção, também muito especial, por parte das diversas entidades e agentes envolvidos nessa dinâmica, numa lógica de transversalidade e integração de medidas de política e ação sectoriais.
A região envolvente a Fátima é rica em valores naturais, culturais e paisagísticos o que lhe oferece condições singulares para potenciar o fenómeno turístico-religioso aí instalado, num quadro que do ponto de vista regional seria interessante explorar graças à diversidade de motivos como o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, as Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, os Mosteiros da Batalha e de Alcobaça, o Convento de Cristo, a Vila Medieval de Ourém e, mais ao longe, o Tejo, por um lado, e o litoral por outro. Valores de relevância nacional e internacional como atestam algumas das suas classificações.
Em redor do esqueleto geomorfológico que é o Maciço Calcário Estremenho, onde Fátima ocupa lugar central, estende-se um potencial para o desenvolvimento turístico que não pode deixar de ser agarrado pelos diversos actores de desenvolvimento.
Durante muitos anos o desenvolvimento de Fátima passou ao lado dessas potencialidades deixando-se embalar pelo modelo mais cómodo e primário de rentabilizar a procura dos milhões dos visitantes anuais, sem grandes preocupações com a qualidade e diversificação da oferta.
Salvo raríssimas exceções deu-se resposta às necessidades básicas de comer, dormir e adquirir lembranças de temática religiosa.
Muito pouco, para uma tão grande diversidade de turistas/peregrinos e talvez a justificação para que Fátima ainda não apresente níveis de desenvolvimento idênticos a outros locais de destino turístico-religioso.
Olhando os erros, por omissão, do passado, temos a obrigação de estar alerta para não os repetir!
Garantir o desenvolvimento desta região é uma aspiração legítima e louvável para o qual todos os atores devem contribuir, no entanto, esse desiderato tem de ser concretizado através da concertação de vontades e interesses.
Infelizmente não se tem afirmado nas últimas décadas uma liderança clara e respeitada no processo de crescimento do fenómeno Fátima à excepção do domínio da Igreja, e esse é o principal problema para a concretização do verdadeiro desenvolvimento de Fátima e da sua região.
Num momento em que se iniciam as comemorações do centenário do fenómeno das aparições creio ver aí a oportunidade para uma reflexão séria e esclarecida sobre uma dinâmica e empreendedora e com visão estratégica que possa trazer para esta região aquilo que faltou no passado e atrás caracterizei.
Exige-se dos principais atores inteligência para concertar interesses, envolver vontades e afirmar uma voz reivindicativa junto dos diversos responsáveis que ultrapasse os ocasionais deslumbramentos e pequenos protagonismos que já demonstraram, à exaustão, a sua ineficácia!
O Futuro passa pela capacidade de garantir condições necessárias para responder ao que se procura numa terra de fé, consolidando essa marca num compromisso para com o mundo, mas adicionando condições para outras descobertas e outras vivências que sejam uma mais-valia qualificadora dessa identidade.
O Turismo, pensado de modo integrado e sustentável, tem de ser oportunidade tal como o pudemos verificar em muitos locais do nosso país e do mundo menos prendados pelos valores da natureza e da cultura.
As características patrimoniais da região conferem-lhe uma oportunidade que bem trabalhada pode satisfazer os turistas/peregrinos e criar oportunidades de desenvolvimento para as comunidades locais.
É esta expectativa que deve ser celebrada com resultados em ano de comemorações.
