A nova Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em Abrantes, foi hoje oficialmente inaugurada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins. A cerimónia contou com a presença de autarcas, profissionais de saúde e parceiros institucionais, numa celebração marcada pelo reforço do investimento na modernização dos cuidados hospitalares na região.
“Esta inauguração é um marco histórico pois representa a concretização de um investimento fundamental para a melhoria dos cuidados de saúde a prestar à nossa população e dar condições adequadas aos profissionais que garantem o funcionamento de cinco urgências abertas 24 horas por dia, 365 dias por ano”, declarou o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, entidade que agrega três unidades hospitalares em Abrantes, Tomar e Tores Novas.




Casimiro Ramos, ladeado pela ministra da Saúde, autarcas, profissionais de saúde, e representantes de diversas entidades, lembrou que o investimento realizado era uma “necessidade há muito sentida”, tendo feito notar que o hospital de Abrantes, que completará 40 anos em outubro, “foi dimensionado para uma população de 40 mil habitantes e hoje serve cerca de 180 mil”.

ÁUDIO | CASIMIRO RAMOS, PRESIDENTE DA ULS MÉDIO TEJO:
Para o gestor, que elencou outros projectos de investimento e modernização na ULS Médio Tejo, como a “requalificação dos blocos operatórios de Torres Novas e Abrantes”, as “novas instalações para a Anatomia Patológica” e o “Laboratório de Nível III na Patologia Clínica”, em Tomar, a par de uma “sala de cirurgia cardíaca” em Abrantes, o dia “é de celebração do trabalho em equipa, do investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do compromisso com o bem-estar da nossa comunidade”.





A intervenção agora concluída representou um investimento de 3,6 milhões de euros (ME) e consistiu numa “ampliação e reorganização profunda do espaço” existente naquela unidade hospitalar.
O novo serviço está equipado com 19 postos de atendimento médico, 12 espaços de atendimento cirúrgico e duas salas de reanimação e emergência.





A unidade passa também a dispor de quartos individuais e de isolamento, que asseguram melhores condições de segurança e privacidade para os utentes.
Com estas melhorias, a área de prestação de cuidados de urgência “mais do que duplicou”, passando a oferecer “instalações modernas, funcionais e centradas na qualidade do atendimento”, tanto para utentes como para os profissionais de saúde.




A nova Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital Doutor Manoel Constâncio, em Abrantes, foi hoje oficialmente inaugurada pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que, após visitar o novo serviço, destacou o momento como sendo “um dia bom” para o SNS, e “de grande alegria”, tendo lembrado “20 anos de caminhos feitos por muitas pessoas” para se chegar e este momento.
“Hoje é um bom dia para o Serviço Nacional de Saúde, e para os cidadãos desta região e do centro do país”, declarou a governante, tendo destacado o papel do Hospital de Abrantes na rede de cuidados de emergência do SNS.

ÁUDIO | ANA PAULA MARTINS, MINISTRA DA SAÚDE:
“Esta é uma resposta muitíssimo qualificada, que vai contribuir para uma maior coesão social do interior do país”, afirmou Ana Paula Martins.

O presidente da Câmara de Abrantes, por sua vez, destacou um momento “histórico” para o concelho e para a região, em “dia onde se fez justiça do ponto de vista da coesão territorial” e do próprio SNS.
“Hoje é um dia histórico porque se fez justiça do ponto de vista daquilo que é o investimento no SNS para uma região que também merece este reforço para responder melhor aos nossos cidadãos, servir melhor às nossas comunidades e, obviamente, criar as melhores condições para que os nossos profissionais façam também a sua missão da melhor forma possível”, declarou Manuel Jorge Valamatos.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
“Melhorámos as condições dos serviços de urgência, dos profissionais e dos seus utilizadores, e a comunidade, obviamente, reconhece esta importância deste dia”, sustentou.
Com ação reivindicativa contínua há mais de duas décadas pela realização de obras nas Urgências de Abrantes, a Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) destacou a inauguração como “um dia importante para a região, para os utentes E para os profissionais” de saúde.
“É um dia que engrandece o Serviço Nacional de Saúde e é um dia que engrandece todo um conjunto de entidades que nunca desistiram de que esta obra tinha que ser feita o mais rapidamente possível”, disse Manuel Soares, porta-voz da CUSMT.

ÁUDIO | MANUEL SOARES, UTENTES DA SAÚDE DO MÉDIO TEJO:
A ULS Médio Tejo dá resposta direta a cerca de 169.270 utentes dos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, concelhos dos distritos de Santarém e Castelo Branco.
A estrutura possui três hospitais: Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas entre si por cerca de 30 quilómetros.
Ministra da Saúde reconhece lacunas no sistema de gestão de cirurgias
A ministra da Saúde reconheceu hoje lacunas no Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), por ser permeável a “incentivos perversos”, tendo lamentado as investigações em curso.
“Nós lamentamos muito a situação que se está a passar, confiamos muito nas autoridades que a estão a investigar, e confiamos muito no Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria para poder tomar as medidas necessárias”, afirmou hoje Ana Paula Martins aos jornalistas.
A ministra falava em Abrantes, à margem da inauguração do novo Serviço da Urgência Médico-Cirúrgica da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo.
Tendo reconhecido “lacunas” no SIGIC, sistema que vai ser alterado em setembro entrando em vigor um novo modelo, com a designação SINACC – Sistema de Informação Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia -, a governante defendeu que quem usa abusivamente de dinheiro público deve ser penalizado, tendo feito notar, no entanto, que “a árvore não faz a floresta”.

ÁUDIO | ANA PAULA MARTINS, MINISTRA DA SAÚDE:
“Nós, através do SIGIC, ao longo de 20 anos, resolvemos muitas situações a muitos doentes e a maioria dos nossos profissionais (…) agiram sempre com zelo, com ética e com sentido de responsabilidade. Dito isto, tudo aquilo que sai fora deste pressuposto, que é servir o cidadão com o dinheiro público, obviamente tem que ser penalizado”, declarou, tendo apontado às lacunas do atual sistema SIGIC.
“Tínhamos consciência há um ano, quando iniciámos a governação, que o SIGIC, que foi sendo melhorado ao longo destes quase 20 anos, apresentava (…) imensas lacunas, desde logo de natureza tecnológica, porque as plataformas de gestão da informação, de codificação, precisavam, e precisam, ser atualizadas”, declarou.
Nesse sentido, Ana Paula Martins disse que o SINACC – que “deixa de ser SIGIC e passa a ser SINACC” – tem “diversas características”, num “novo modelo” que passa a ter um “manual associado de boas práticas, onde não é permitido que algumas das coisas que hoje vão acontecendo, aconteçam”, e “não permitir incentivos perversos”.
Na sexta-feira, a CNN revelou que um dermatologista do Hospital de Santa Maria terá recebido 400 mil euros em 10 sábados de trabalho adicional em 2024, tendo um dos dias sido utilizado para retirar lesões benignas aos pais.
Em causa está o sistema SIGIC, que permite fazer cirurgias fora do horário laboral, de modo a mitigar as longas filas de espera nos hospitais.
O SIGIC abrange toda a atividade cirúrgica programada realizada a utentes do SNS, seja a efetuada nos hospitais públicos ou nos hospitais privados e do setor social que tenham contratos de convenção ou acordos de cooperação com o SNS para a realização de cirurgias.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) também abriu na segunda-feira um inquérito à atividade cirúrgica adicional realizada no SNS, assim como uma auditoria aos factos relacionados com a atividade cirúrgica realizada em produção adicional e classificação dos doentes em grupos de diagnósticos homogéneos (GDH).
Hoje, a ministra da Saúde disse que são várias as auditorias que estão a decorrer, a nível nacional, e em várias áreas de funcionamento e da gestão hospitalar.
“As auditorias, a de Santa Maria especificamente, como sabem, foi pedida pelo atual Conselho de Administração. Relativamente a outras auditorias, estão no plano (…) que a IGAS já tinha definido para o ano 2025. E por isso, essas auditorias são nacionais e são a várias áreas. Não são apenas ao SIGIC, são também a outras áreas do funcionamento e da gestão dos hospitais”, declarou Ana Paula Martins.
Em março deste ano, o Ministério da Saúde criou, através de um despacho, um grupo de trabalho para preparar a extinção do SIGIC e a implementação do SINACC, uma das medidas previstas no plano de emergência e transformação da saúde que o Governo aprovou em maio de 2024.
Esse despacho da ministra Ana Paula Martins reconhecia que o modelo em vigor “revela fragilidades que comprometem a resposta do SNS”, como a fragmentação dos processos, a falta de articulação entre os diferentes níveis de cuidados, a ausência de uma abordagem integrada na gestão das listas de espera e a “necessidade de mecanismos mais robustos de monitorização e auditoria”.
O plano de emergência e transformação da saúde justifica a extinção do SIGIC por ser um sistema que se “encontra tecnologicamente desatualizado”, avançando que o futuro SINACC vai incluir “processos de alarmística no caso de TMRG [Tempos Máximos de Resposta Garantidos] ultrapassados, bem como ser fonte de informação para um sistema automático de referenciação entre instituições e setores no caso de escassez de recursos para a capacidade instalada”.
c/LUSA
