Isabel Monteiro, Coordenadora de Cardiologia no Hospital CUF Santarém. Créditos: CUF

Assinala-se hoje, 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, provocando perto de 35 mil óbitos por ano. Entre elas, encontra-se a insuficiência cardíaca. No nosso país, esta doença afeta cerca de 400 mil pessoas, entre as quais 16% dos idosos com mais de 80 anos. O mediotejo.net foi ouvir Isabel Monteiro, Coordenadora de Cardiologia no Hospital CUF Santarém, para esclarecer as principais dúvidas sobre a insuficiência cardíaca e conhecer as opções de tratamento disponíveis.

O que é a insuficiência cardíaca?
A insuficiência cardíaca caracteriza-se pela incapacidade do coração bombear o sangue de forma adequada às necessidades do organismo, ou pela necessidade de um esforço cardíaco exagerado para o fazer, devido a anomalia estrutural ou funcional do coração. Alguns dos fatores que podem levar ao desenvolvimento desta doença são a hipertensão arterial não controlada, o enfarte agudo do miocárdio, a diabetes descompensada, níveis de colesterol elevados e causas genéticas. Também  a idade, uma alimentação inadequada, o sedentarismo e a obesidade, o stress, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool e de outras substâncias tóxicas podem levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca. 

Esta doença provoca sintomas? Quais são os sinais de alerta que devem motivar uma ida ao médico?
A insuficiência cardiaca tende a provocar um conjunto de sintomas e sinais. Contudo, estes sintomas são inespecíficos, ou seja, podem ter outras causas. É o caso do cansaço ou falta de ar desproporcionais ao esforço efetuado, a falta de ar quando o doente se deita, tendo de levantar a cabeceira para respirar melhor, e o inchaço dos tornozelos e pernas. Se uma pessoa desenvolver algum destes sintomas deve ser avaliado pelo seu médico de família ou cardiologista, que poderá solicitar alguns exames para confirmar ou excluir que tenha insuficiência cardíaca.

Cansaço ou falta de ar desproporcionais ao esforço efetuado, bem como inchaço dos tornozelos e pernas, são sintomas que devem ser avaliados pelo médico de família ou cardiologista.

Isabel Monteiro, Coordenadora de Cardiologia no Hospital CUF Santarém

Que opções de tratamento estão disponíveis no Hospital CUF Santarém?
A insuficiência cardíaca é uma doença crónica, que pode ser controlada com medicamentos e em alguns casos mais graves, poderá haver necessidade de recorrer a dispositivos médicos. Alguns doentes podem necessitar de internamento ou de tratamentos endovenosos de curta duração em hospital de dia. Todos estes tratamentos estão disponíveis no Hospital CUF Santarém.

O Hospital CUF Santarém acabou de inaugurar o seu Hospital de Dia. Que novidades traz este serviço para os doentes que sofrem de insuficiência cardíaca?
O Hospital de Dia permite tratar doentes com insuficiência cardíaca que se encontrem com algum grau de descompensação. Se essa descompensação for tratada precocemente, enquanto é ligeira, por exemplo, com tratamentos endovenosos de curta duração em hospital de dia, é possível, muitas vezes, estabilizar o doente e evitar que tenha de ser internado.

A referenciação entre especialidades médicas e o tratamento multidisciplinar da insuficiência cardíaca são uma aposta do Hospital CUF Santarém. Como funciona e quais são os benefícios desta abordagem para o doente?
No Hospital CUF Santarém seguimos as recomendações das sociedades científicas, que advogam que os doentes com insuficiência cardíaca sejam tratados por unidades multidisciplinares. A explicação é simples: estes doentes têm habitualmente várias comorbilidades, ou seja, associam doenças de outros foros, cujo tratamento permitirá, também, melhorar a condição cardíaca (por exemplo, apneia do sono, melhor tratada por um pneumologista; diabetes, melhor tratada por um internista ou endocrinologista). Além disso, podem precisar do apoio de um nutricionista, para manter uma dieta adequada, e de apoio psicológico, para gerir a ansiedade associada a uma condição crónica que pode ser bastante limitante. Esta abordagem multidisciplinar permite melhorar a qualidade de vida dos doentes, reduzir o número de internamentos e, até mesmo, prolongar a vida de quem tem insuficiência cardíaca.

Neste Dia Mundial do Coração, que conselhos dá à população, para prevenir a insuficiência cardíaca e as doenças cardiovasculares, em geral?
Para evitar as doenças cardíacas e, em particular, a insuficiência cardíaca, é fundamental adotar comportamentos saudáveis, entre os quais fazer uma dieta adequada, evitar o tabaco, o álcool em excesso e o sedentarismo, e consultar regularmente o seu médico para avaliação. Nos doentes que já têm alguma doença cardíaca conhecida ou fatores de risco para doença cardíaca (como os que são hipertensos), nunca é demais lembrar que devem cumprir com rigor as recomendações médicas, nomeadamente a medicação crónica que lhes tenha sido receitada e o seguimento regular em consulta.

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