Segundo disse ao mediotejo.net o comandante dos bombeiros de Abrantes, António Manuel Jesus, o caso ocorreu no exterior da estação de comboios e os bombeiros foram acionados pelas 07:34, tendo indicado ser impossível, com as atuais estradas, percorrer a distância entre a corporação, em Abrantes, e o Tramagal nos oito minutos previstos pelo INEM.
“Quando há trânsito e camiões, como a via dificulta a ultrapassagem, chegamos a demorar 35 a 40 minutos”, disse António Manuel, notando que o posto avançado de bombeiros do Tramagal só funciona com ambulância a partir das 08h00.
“A ambulância que está aí no posto do Tramagal está num horário em que, estatisticamente, é nas horas que há mais solicitações. Foi ajustado de acordo com a estatística que temos da necessidade de haver mais possibilidades de haver aí serviço”, declarou.
ÁUDIO | ANTÓNIO MANUEL, COMANDANTE DOS BOMBEIROS DE ABRANTES:
A fita do tempo, a que a Lusa teve acesso, refere uma ocorrência classificada como P1 (emergente) – com um tempo de chegada ao local definido pelo INEM de até oito minutos – de um homem em paragem cardíaca, pelas 07:29. A ambulância dos Bombeiros Voluntários de Abrantes e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo foram enviados para o local.
O meio mais diferenciado (VMER) chegou ao local pelas 07:53, segundo os mesmos dados.
“Isto a chamada foi às 7h34, bombeiros seguem às 7h35, às 7h51 estavam no local, às 7h52 a equipa estava a iniciar as manobras de reanimação. Portanto, em termos de tempo de chegada, não era possível fazer mais rápido. Estamos a falar na Estrada Nacional 118, muito sinuosa, fizemos cerca de 13 a 14 quilómetros para chegar junto da vítima”, afirmou o comandante, lembrando a distância, a sinuosidade da via e a hora de ponta.
Em declarações à Lusa, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) confirmou que na tarde de quinta-feira houve várias dezenas de ocorrências em espera para envio de meios de emergência, chegando a estar mais de 60 em simultâneo, muitas delas com tempos de espera ultrapassados, tendo em conta as prioridades definidas pelo INEM.
O INEM, por sua vez, afirmou que não se verificaram dificuldades na ativação e disponibilidade de meios no caso do homem que morreu em Abrantes depois de esperar 20 minutos pelo socorro, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória.
“Não se registaram dificuldades na ativação ou disponibilidade de meios” nesta situação, adiantou o instituto à Lusa, salientando que os tempos associados a cada prioridade são metas de referência internacionais que servem de orientação à resposta, “não sendo tempos máximos garantidos”.
Neste caso concreto, o INEM referiu que a chamada para o 112 foi atendida pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) às 07:30 de quinta-feira e classificada como prioridade 1, – para casos emergentes, ou seja, os mais graves -, tendo sido acionada uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER) às 07:32, assim como os bombeiros às 07:34.
“Às 07:45 foi comunicada a paragem cardiorrespiratória, mantendo-se o acompanhamento clínico telefónico”, referiu o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), adiantando que a VMER chegou ao local às 07:53, um “tempo compatível com a distância à base dos meios”, cerca de 18 minutos de percurso até à estação de comboios do Tramagal.
O novo sistema de prioridades do INEM, que entrou em vigor no início do ano, define que uma ocorrência classificada como P1 (emergente), com critério clínico de “risco imediato de vida”, deve ter meios de socorro no local em oito minutos, enquanto nos casos P2 (muito urgente) os meios devem chegar em 18 minutos.
Para os P3 (urgente) a chegada ao local está definida em até 60 minutos e para P4 (pouco urgente) em 120 minutos.
As ocorrências classificadas como P5 não têm necessidade de envio de meios de emergência e são transferidas para a Linha SNS24.
C/LUSA
