Com significados mais ou menos religiosos ou feministas, não deixa de ser assinalado em diferentes partes do globo, embora em datas diferentes.

Lembro-me que desde miúda juntava os escudos todos que sobravam da compra das senhas das torradas do bar da escola durante a semana para conseguir comprar uma prendinha de cento e cinquenta escudos que fossem para a minha mãe. Não precisava ser nada muito valioso. Só queria que ela percebesse que não me tinha esquecido. Adorava dar presentes. Este espaço não deve servir para falar da minha vida pessoal, mas não posso deixar de hoje aproveitar para lhe prestar homenagem.

Quem me conhece sabe que a minha mãe não está fisicamente junto a mim, mas que nunca deixou de o estar e de me acompanhar todos os dias da minha vida. Sinto a sua falta todos os dias. Sempre andámos às turras, talvez por sermos demasiado iguais, mas não fazíamos vida uma sem a outra. Esteve sempre lá. Ajudou-me a crescer, incentivou-me apesar de sempre me lembrar que devia ter cautela em determinados “mergulhos”, mas nunca deixou de olhar por mim. Trabalhadora, humilde, amiga de todos, sem papas na língua e senhora do seu nariz. Sempre preocupada connosco e nada com ela. Um dia, sem que contasse com isso, sem qualquer aviso, deixou de estar fisicamente ao meu lado. Sofro até hoje. Sinto a sua falta, mas sinto também a sua presença. Sei que está sempre comigo. Não me acompanhou em alguns momentos da minha vida, não conheceu o meu marido, nem os meus filhos, mas sei que nos guia.

Hoje sou uma mãe melhor porque todos os dias tento por em prática aquilo que me ensinou, os exemplos que me deu. O meu coração fica sempre apertadinho nestes dias, mas cheio ao mesmo tempo por ter os meus filhos. É parte de mim, é parte de nós. Só espero conseguir ser metade do que ela foi.

Por mais que nos zanguemos, por mais que tenhamos perspectivas diferentes sobre a vida, nunca ninguém nos ama como a nossa mãe. É quem se importa verdadeiramente e apesar de poder não ser automático este sentimento quando nascemos, ele vai crescendo e consolidando-se à medida que nos vamos conhecendo. É por isso que acredito que a relação mães/pais – filhos é das coisas mais puras que existem no mundo. Agradeço aos meus pais, hoje em especial à minha mãe, tudo o que me dá. Ontem, hoje e sempre.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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