Habitação comunitária e PRR impulsionam plano de transformação em Alcanena, Foto: CMA

“Estamos já a olhar para o futuro de médio prazo, com o desenvolvimento de novos conceitos de habitação muito ligados ao co-housing e à habitação comunitária (CoLiving), como forma de ativar comunidades e responder às novas gerações”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio.

O projeto de habitação comunitária (CoLiving) será apresentado na sexta-feira na Serra de Santo António, em Alcanena, integrado num evento satélite do New European Bauhaus (NEB), iniciativa europeia dedicada à sustentabilidade, inclusão e inovação, associada ao festival que decorre em Bruxelas.

O programa inclui ainda uma mesa redonda com decisores e especialistas, bem como um momento de debate público, no âmbito de uma visita da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Costa, ao concelho, que integra também a entrega de habitações e a visita a obras em curso.

O novo modelo de habitação comunitária (CoLiving) integra a estratégia municipal de inovação habitacional e regeneração territorial, apostando em formas de habitação colaborativa que promovem a participação comunitária, a partilha de espaços e a criação de novas dinâmicas sociais.

Segundo o autarca, o conceito foi desenvolvido em articulação com instituições académicas como a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e a Universidade da Beira Interior, envolvendo também a comunidade local e experiências piloto na freguesia de Serra de Santo António.

“São modos de olhar a habitação de forma diferente, com cozinhas comunitárias e espaços partilhados, mas sobretudo com envolvimento das comunidades onde estes projetos vão nascer”, afirmou Rui Anastácio.

O projeto está enquadrado na lógica do New European Bauhaus, combinando sustentabilidade, inclusão social e inovação arquitetónica, e pretende testar novos modelos de habitação aplicáveis a futuras intervenções no território.

Em paralelo, o município mantém em execução um plano habitacional que prevê a criação de 308 fogos, distribuídos entre habitação social e arrendamento acessível, financiados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Atualmente, mais de 200 habitações encontram-se em obra, enquanto 55 já foram concluídas e entregues, e cerca de 40 estão em fase de preparação para execução.

A autarquia prevê ainda novas entregas já esta sexta-feira, no Bairro Timor Lorosae, num total de quatro habitações inseridas num lote de 48 fogos, numa intervenção faseada.

“Vamos entregando casa a casa e continuamos a trabalhar para garantir que até ao final do ano e início do próximo ano conseguimos concluir várias dezenas de habitações, sobretudo destinadas a jovens e classe média”, referiu o presidente da Câmara.

O autarca explicou que parte das intervenções sofreu atrasos devido a concursos públicos que ficaram desertos, situação que obrigou à revisão de valores e reprogramação de algumas empreitadas.

“Já tivemos projetos que ficaram desertos três vezes, mas estamos agora a ajustar os valores para conseguir executar todas as obras”, afirmou.

Apesar disso, sublinhou que a procura por habitação no concelho tem sido elevada, destacando o caso das primeiras habitações de arrendamento acessível, que registaram cerca de 90 candidaturas para seis fogos.

Rui Anastácio enquadra o investimento habitacional numa estratégia mais ampla de combate à desertificação, fixação de população jovem e atração de novos residentes, defendendo que a habitação é um dos pilares centrais da transformação do concelho.

“Se queremos atrair talento e fixar população, temos de garantir condições de excelência, e a habitação é uma das bases fundamentais”, afirmou.

O autarca acrescentou que este investimento é acompanhado por outros projetos estruturantes, incluindo equipamentos sociais e dinamização económica, numa estratégia integrada de reforço da atratividade territorial e que o município considera determinantes para a transformação demográfica do concelho.

c/Lusa

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