Há dias assim, sem motivação para ir buscar a vontade e honrar o compromisso. Dias em que falta o rasgo porque não apetece continuar a escrever sobre mais do mesmo. Dias em que o cansaço se deixa vencer pela força da corrente porque sente que não vale a pena continuar a ser uma voz isolada.
Dias em que nos cansamos da intolerância, da mesquinhez e da pequenez e em que olhamos à volta e sentimos que vai continuar a ser assim, porque sabemos que a sabedoria se encerra na inquietação e na dúvida e a realidade nos afoga na estupidez intolerante das verdades absolutas.
Há vidas que se cruzam sem se tocar, mas felizmente há outras que se entrelaçam para ajudar a construir aquilo que seria impossível construir sozinho.
É nestes momentos que valorizamos o que temos e quem nos ajuda a ser o que somos. Pilares construídos na força dos valores nobres. Âncoras que nos puxam para cima quando pensamos que somos puxados para baixo mergulhando no abismo.
A palavra certa, o sorriso desconcertante, o aconchego da companhia. Às vezes em silêncio. Muitas vezes em silêncio, mas com a certeza de sentirmos a sua presença que se mantém ali incondicionalmente para o que for preciso.
A origem da renovação da motivação em dias assim, que nos devolve a força que sentíamos perdida e que nos devolve a clarividência para filtrar corretamente, relativizando o acessório, valorizando o essencial.
Porque há de facto dias assim. Dias que afinal se revelam ser apenas mais um teste que nos desafia a superarmos os limites que pensávamos que tínhamos. Dias em que menos é mais e onde ganhamos consciência que os resultados dependem de nós e daquilo que controlamos, que a nossa energia tem que ser gasta apenas onde pode fazer a diferença e os nossos pilares, que funcionam como porto seguro, ajudam a redirecionar o foco para aquilo que é verdadeiramente importante.
Há dias assim. Há de facto dias assim. E ainda bem que os há, porque são eles que nos permitem perceber e valorizar que aquilo que temos não é um direito… mas antes uma conquista!
