A rua Manoel de Mattos, em Tomar, não parou no tempo. Embora seja inevitável alguma nostalgia quando nos deparamos com o edifício da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, mesmo ao lado da Biblioteca Municipal. Falamos de um edifício moderno, algo inesperado perante antigas coletividades, onde muitas gerações fizeram ginástica, tocaram instrumentos musicais ou realizaram teatro. À entrada logo um bar com serviço de refeições.
É comum as associações disponibilizarem uma televisão, aparelho colocado a pensar essencialmente nos jogos de futebol, mas nos dias em que Patrícia Sampaio competiu nos Jogos Olímpicos de Paris, montou-se um ecrã gigante para que todos pudessem acompanhar… juntos! Porque a união e a resiliência são as palavras que caracterizam uma instituição como a Filarmónica tomarense.
A Sociedade Filarmónica Gualdim Pais é uma associação centenária (desde 1877), sem fins lucrativos de utilidade pública desde 1982 e IPSS desde 1994, que presta serviços à comunidade através da sua área cultural (Banda Filarmónica, Escola de Música, Escola de Dança e Arte Sénior), desportiva (Natação, Ginástica de Trampolins e Judo) e social (Creche, Jardim de Infância e CATL), através de serviços disponíveis nas mais diferentes valências, com gente na casa quase todos os dias do ano, à exceção de agosto, mês de menor agitação.




As associações culturais e os clubes recreativos resistem, ainda que precários, no interior do País. Sabe-se pelas notícias que em Lisboa já estão a desaparecer, em mais uma ação considerada de destruição da identidade dos bairros e das redes primárias de apoio.
Por cá, o risco também é real e, se a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, que forma campeões olímpicos, encerrar portas, ficam por dar muitas respostas sociais na área cultural, social e desportiva.
A área social é uma vertente a que a instituição tem dedicado grande atenção mantendo em atividade um Centro de Atividades de Tempos Livres vocacionada para crianças que frequentam a escolaridade no 1º e 2º ciclo. Para dar qualidade a esta valência a sede foi ampliada, tendo sido essa ampliação inaugurada em 2002 pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.
Ainda nesta área foi construído e inaugurado, em 2009, um novo equipamento onde passou a funcionar uma Creche e um Jardim de Infância.
“Na área social com uma Creche e um Jardim de Infância e um ATL para crianças do 1º e 2º ciclo. A Creche e o Jardim de Infância contam, regularmente, com cerca de 80 crianças mais 40 nas ATL. Depois a parte cultural constituída pelo Centro de Formação Artística, com a Banda, uma escola oficial de música e uma escola de dança, com ensino articulado”, começa por explicar Vasco Fortunato, diretor desportivo da Sociedade.

O ensino articulado é uma via do sistema de ensino através do qual o Ministério da Educação permite que os alunos, a partir do 5º ano de escolaridade, tenham aulas em simultâneo numa escola do ensino regular e numa escola do ensino artístico especializado, frequentando o Curso Básico de Música ou de Dança.
A Sociedade está “em articulação com os Agrupamentos de Escolas de Constância e Ferreira do Zêzere. Constância já vamos para o quarto ano e Ferreira do Zêzere estamos no segundo ano de articulação. Os professores deslocam-se às escolas para aulas de Dança e Música, dentro das condicionantes que isso envolve. Não conseguimos ter todos os instrumentos ao dispor porque também precisamos deles em Tomar. Há determinadas classes de instrumentos às quais ainda não conseguimos chegar”, afirma João Tarana, membro da direção e coordenador da área da Produção de Eventos.
No caso da Dança “tem a ver com o espaço que as escolas têm disponível e depende sempre do número de alunos que se inscrevem. Constância tem vindo a crescer e em Ferreira ainda estamos no início, mas há também um crescimento significativo”, acrescenta.
Os 300 alunos do ensino articulado “não pagam um tostão. Mas o dinheiro que vem, através dos contratos patrocínio, não é o dinheiro para todos. Há um esforço e um manuseamento do recheio financeiro para conseguir isso. Entendemos que, se o ensino artístico é para todos, então tem mesmo de ser para todos. Por exemplo, um aluno no secundário, tanto em Música como em Dança, custa em média 4500 euros por ano. Um aluno de básico custa 350 euros por mês. Qual é o pai que tem esse dinheiro para despender por mês? Às vezes têm dificuldade em comprar o maillot e as sapatilhas e para pagar o aluguer do instrumento”, dá conta o responsável.
Mas ninguém é excluído, devido ao carácter de IPSS e até pela forma como a instituição nasceu, a partir da Banda Filarmónica, local onde os operários da Casa de Fiação deixavam os filhos antes de laborar, “mantém a chama viva”.

Coletividade com forte implantação local
No final do século XX e dada a sua forte implantação na comunidade local, começou a emergir a necessidade de dar resposta a novas exigências. Para tornar possível a manutenção de todas estas áreas de atividade, a instituição construiu uma nova sede social, que foi inaugurada em 1988.
Na área desportiva funcionam as modalidades de Ginástica, Judo e Natação. Resultante do protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Tomar, atualmente a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais é a entidade responsável pela Escola de Natação de Tomar, com mais de 600 utentes. Em 2021 foi reconhecida pela Federação Portuguesa de Natação a categoria de excelência para a Escola de Natação de Tomar da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais.
Na área cultural, tendo como referência a sua Banda Filarmónica centenária, o ensino artístico especializado surge como uma necessidade. E assim, funciona uma Escola Vocacional de Música e uma Escola Vocacional de Dança com alvará do Ministério da Educação.
Ainda nesta área, surge como promotor de muitos projetos de relevância nacional e internacional, em que se destacam o projeto da Orquestra Nacional de Sopros dos Templários, Festival Internacional de Percussão de Tomar – Tomarimbando (estreou-se em 2007 e foi o primeiro festival do género no País), o tomar.a.dança – Festival de Dança de Tomar, o tomar.a.música – Festival de Música de Câmara de Tomar (iniciou-se em 2022 e é pioneiro na região do Médio Tejo) e as noites de stand-up comedy, eventos que a direção da Sociedade quer “fazer crescer para dar mais condições aos alunos e atletas”.

No ano letivo 2023/2024 o Centro de Formação Artística – Dança e Música – contou, como referido, com 300 alunos. Na área desportiva a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais disponibilizava então três modalidades, porque a Ginástica de Trampolins já não será uma realidade no próximo ano letivo, por motivos de “restruturação”.
No Judo “são cerca de 70 atletas federados, nos trampolins são 60. A natação tem duas vertentes; a escola de Natação com cerca de 600 alunos e a parte competitiva tem cerca de 40 atletas federados”, indica Vasco Fortunato, diretor desportivo da Gualdim Pais.


Ministério da Educação não revê contrato de patrocínio “há anos”
Mas a vida é cheia de incertezas e desafios. Na Sociedade não é diferente, obrigando a uma gestão rigorosa para a sobrevivência da coletividade. Segundo o Relatório de Contas de 2023, a Gualdim Pais teve rendimentos e ganhos superiores a 2 milhões de euros, mas o total do ativo, em dezembro do ano passado, rondava os 800 mil euros, sendo que os gastos com pessoal em 2023 foram superiores a 1 milhão de euros. A instituição emprega cerca de 80 pessoas, entre professores e pessoal administrativo e auxiliar.
Sendo certo que as quotas dos associados têm um peso significativo nas contas da instituição, bem como as mensalidades pagas pelos alunos e o apoio ao associativismo do Município. Porém, o dinheiro chega essencialmente através do contrato patrocínio estabelecido com o Ministério da Educação pela escola artística que “não é revisto há muitos anos. O próprio número de vagas também não é revisto há muitos anos”, nota João Tarana.




“O Médio Tejo é sempre prejudicado e é algo que já foi abordado com o Município, foi pedido para fazer pressão na CIMT porque não somos a única escola a sofrer do mesmo mal; a Canto Firme, a Choral Phydellius em Torres Novas, a Ourearte em Ourém, mas continua-se a assobiar para o lado e quem sofre são as escolas”, alerta.
Para a contabilidade soma-se ainda o contrato patrocínio com a Segurança Social, devido à área social que incorpora, que “também não é suficiente, de todo”, assegura.
Os órgãos sociais, onde se inclui a direção, assembleia geral e conselho fiscal, são constituídos por voluntários, à semelhança de outras coletividades, embora sendo uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) tenha algumas diferenças, como por exemplo mandatos de quatro anos, “o que implica outro tipo de predisposição”.
“É preciso que as pessoas tenham noção para o que vão e quase sempre têm ligação ou afetiva ou parental com a casa. Parte significativa dos elementos da direção são pais de alunos. Mas mesmo numa estrutura muito grande há muito caráter associativo, sim” como acontece atualmente, considera João.

Gualdim Pais com dificuldades financeiras “avassaladoras”
Revela que a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais atravessa um período difícil, “com dificuldades financeiras muito grandes. Estão a ser avassaladoras”, apesar do empenho dos envolvidos.
Explicou que a sala onde decorreu a entrevista foi intervencionada por elementos dos corpos sociais que meteram mãos à obra comprando tintas e outros materiais para elaborar a mudança.
“A sala de Judo, onde treina a Patrícia Sampaio, está a ser remodelada por mim e pelo Igor [Sampaio, irmão e treinador da atleta olímpica]. Para essa sala são necessários 72 tapetes, numa média de 110 euros por tapete, um valor que ronda os 10 mil euros, já para não falar na estrutura onde assentam os tapetes que tem esferovite, esponja de amortecimento e madeira”, refere, por seu lado, Vasco Fortunato.
João fala em “dar muito de si para dar ao outro” e refere que a atual direção, que agarrou as rédeas da instituição há um ano, “apanhou uma casa um bocadinho desorganizada. Mesmo a nível dos espaços, e foi preciso meter mãos à obra. Não é fácil, é uma casa muito grande!”, sinalizou.
Por exemplo, na área desportiva “a parte competitiva não vive de mensalidades. Tem de viver do dinheiro dos pais e o clube tem de viver de mecenato, de sponsers, patrocínios, que na nossa região do Médio Tejo é muito difícil de conseguir. Não nos podemos comparar com outros clubes do Norte do País que têm essa facilidade”.
Por isso, Vasco apela à “sensibilidade das pessoas e das grandes empresas, para a importância que têm naquela que seria uma das suas funções, colaborar com os clubes e com os atletas”.
Para o diretor desportivo “estas modalidades competitivas precisam muito mais de apoio, não só estatal mas também das entidades privadas através do mecenato. E estamos elegíveis para o mecenato com alguns benefícios fiscais para as empresas. O serviço que prestamos, que é pago através de apoios do Estado, neste momento, não chega para suprir as necessidades”.

Atletas “com pouco fazem muito”
Fortunato referiu o nome de Patrícia Sampaio, que conquistou uma medalha de bronze no Judo nos Jogos Olímpicos de Paris, e de outros atletas, para ilustrar que, “com pouco, fazem muito”.
A atleta medalhada treina nas instalações da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, com apoio de um ginásio, treinando igualmente em Lisboa, no Centro de Alto Rendimento do Jamor, mas “no último ano esteve muito mais tempo em Tomar. É aqui que se sente bem, é aqui que tem o seu treinador, e este é o clube que representa”.
Contudo, os prémios não se ficam pelo desporto. Dois alunos do secundário de Música conquistaram o terceiro lugar no concurso Jovens Músicos, na classe música de câmara, nível médio: Duarte Silva e Tiago Chico.
“Temos uma casa diversa. Com as condições que lhes damos, só podemos estar orgulhosos”, diz João.
A expressão é comum mas utilizada para definir a conquista de objetivos: “É com muito sangue suor e lágrimas, como se costuma dizer. Com muito sacrifício e determinação do atleta mas também com muita determinação e trabalho das pessoas que estão à volta desse atleta, dos treinadores, principalmente, que têm de se privar da família, dos seus amigos, da sua vida social, para estar sempre a acompanhar os atletas, fim de semana após fim de semana, treino após treino. E sempre esperando mais uma ajuda que precisamos: um médico, um fisioterapeuta, um nutricionista. Só assim é possível, com uma resiliência enorme”, acrescenta Vasco Fortunato.
Garante que a “grande dificuldade” do desporto em Portugal é a inexistência de equipas multidisciplinares nos clubes, à exceção de quatro clubes no País que conseguem reunir as seis especialidades necessárias para acompanhar um atleta: treinador, treinador adjunto, médico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.
“No interior as dificuldades são ainda maiores, nestas cidades simplesmente não existe uma clínica que possa apoiar o clube. A Patrícia, nas suas lesões, teve a sorte de estar ligada ao Comité e estar já na qualificação olímpica porque se assim não fosse, apesar de ter sido quatro vezes campeã da Europa, medalhada em Grand Slam, não teria o apoio que teve. Bastava estar um lugar abaixo, como acontece a outros atletas, nomeadamente no Judo, e que estão no campeonato da Europa”.

No futuro, a ambição, a nível desportivo, passa por ter maior representatividade “em campeonatos da Europa e do mundo e, quiçá, em Jogos Olímpicos. Gostaríamos que em 2028 não fosse um atleta mas dois, isso seria aumentar para o dobro”, revela o diretor.
Apesar dos sucessos, a Sociedade Filarmónica “corre o risco de fechar”, garante João, dizendo que, para ultrapassar as atuais dificuldades financeiras é impossível aplicar um Plano B, “a não ser que haja uma mudança de paradigma, das instituições estatais”.
Portanto, o Plano B “é continuar a lutar, sensibilizar as pessoas, tentar ir atrás dos apoios. Não basta aparecer a notícia de que a Gualdim Pais é a instituição do concelho de Tomar que mais dinheiro recebe do apoio ao associativismo, é preciso escrutinar os valores”, defende, admitindo que “realmente é! Mas também é aquela que mais produz”.
Assim, o futuro passa por “negociar com a banca e pedir sempre muita paciência e compreensão aos colaboradores e esperar por dias melhores”.
Porém, o foco permanece na viabilidade financeira da instituição, embora “esteja muito exposta a todas as mudanças que existam na banca e à inflação”.
Durante o ano de 2023 foram renegociados alguns empréstimos reduzindo encargos, salientando a direção que houve um enorme aumento de custos financeiros, dada a conjuntura internacional. O ano passado terminou com um resultado líquido negativo superior a 20 mil euros.

No entanto, aumentar as mensalidades dos alunos para o valor necessário para colmatar todas as necessidades “está fora de questão! Sabemos que as pessoas não terão dinheiro para pagar”. Um trabalho em prol da comunidade, que certamente perderá com o encerramento da instituição. No Judo, por exemplo, as crianças podem começar aos 4 anos, mas a instituição também disponibiliza aulas para adultos, na Natação as aulas vão desde os bebés até aos adultos.
Em Portugal “um atleta é suportado pelos pais e pelo clube”
Em Portugal “não é novidade nenhuma que um atleta até chegar a certo patamar é suportado pelo clube e pelos pais essencialmente. E aí reside a grande questão do desporto em Portugal. O correto era: um atleta que representa o clube a nível nacional, não deveria pagar mensalidade, não deveria pagar alojamento, não deveria pagar alimentação, nem deveria sequer pagar o equipamento, o fato de treino, porque vai em representação do clube. Isso era o ideal”, defende Vasco.
Neste âmbito, as Federações “deveriam ter um papel importante, mas não têm. Aliás, é exatamente ao contrário. Um atleta para ir a uma competição da Federação, tem de pagar a inscrição nessa prova, no início do ano tem de pagar um filiação na própria Federação”, ou seja, “as Federações não têm o papel de financiamento aos clubes. Acredito que algumas por não terem retorno de outro lado, do Estado central”, diz o diretor desportivo notando que atualmente existe uma secretaria do Desporto que integra o Ministério dos Assuntos Parlamentares.
“Só nisto já conseguimos ver a hierarquia e o que vem para o Desporto. Nem sequer está agregado ao Ministério da Juventude, mas agregado aos Assuntos Parlamentares”, critica.

Por seu lado, João refere que a Sociedade Filarmónica “é uma casa das áreas desvalorizadas: o Desporto e a Cultura. As instâncias que deveriam preocupar-se mais, não se preocupam. No Desporto é muito sacrifício, incluindo financeiro, dos pais e das famílias. Até chegar a um atleta de alta competição há uma formação e provas nacionais e internacionais. E as provas no estrangeiro não são sempre em Espanha. Tem de ser os pais a pagar”. Vasco acrescenta: “nenhum atleta consegue andar pelas provas da região e do País e depois vai a um campeonato do mundo. Isso não existe! Teve de se preparar, teve de se qualificar Há um grande investimento anterior até chegar aos Jogos Olímpicos. Foi o caso da Patrícia”.
Na área cultural, lamentam que os projetos apresentados não sejam tão valorizados pela comunidade como deveriam. Por isso, defendem a existência de uma rede entre as várias associações culturais e o Município, com o objetivo de trabalhar para o mesmo fim.
“O Município pode e deve oferecer concertos à comunidade, mas não pode ser regra! Quando passa a ser regra, as associações como a Gualdim Pais ou a Canto Firme que querem, e precisam, do valor do bilhete – estamos a falar de 5 ou 7 euros – as pessoas não estão dispostas a pagar porque a Câmara faz de graça. Esse é o maior estigma que temos”, critica João.
Porém, na luta pela valorização da Cultura e do Desporto, apesar das dificuldades, a expectativa passa por conseguir levar a Sociedade Filarmónica “pelo menos até aos 150 anos”.
E agradecem a todas as instituições públicas e privadas “que nos continuam a motivar fazendo face a todas as restrições que tivemos que ultrapassar”.

A melhor e única instituição local onde se vê trabalho feito, retira centenas de jovens das ruas e faz com que pratiquem algo
Único senão é a taberna logo na entrada. Numa instituição onde também é escola de ensino articulado ter no Hall, copos de vinho e jogos de mesa e onde os wc de apoio são ao lado dos vestiários, foi sempre uma crítica minha !!!
É provável que o senhor q fez o comentário anterior precise de ir à SFGP de HOJE para constatar que as instalações de bar e cozinha existentes à entrada é o que permite à instituição dar apoio aos atletas, alunos e à comunidade em geral q escolhe esta instituição para tomar as suas refeições. Só com muita imaginação é que se chama “taberna” às instalações existentes. Talvez resulte também de muita imaginação ou de memórias antigas “as mesas de jogo” ou sanitários ao pé de vestiários.