Vitor Rosa, Presidente do Grupo Dramático Musical. Foto: mediotejo.net

O dia 28 de julho de 1922 é a data oficial de fundação do Grupo Dramático Musical J. N. P., emblemática coletividade da Chamusca que este ano assinala o seu centenário. As comemorações prolongam-se até ao fim do ano, mas naquele dia, não faltou o bolo de adversário com três velas correspondentes a cada um dos algarismos: 100.

Outro momento marcante aconteceu também na sede da coletividade, no dia 29, no final da peça de teatro “Sonho de uma Noite de Verão”, apresentada pelo grupo Fatias de Cá. O ator amador chamusquense Victor Hugo Marques, de 85 anos, despediu-se dos palcos por motivos de saúde, depois de quase 70 anos dedicados à arte da representação.

São raras as coletividades que alcançam o século de atividade consecutiva. Na sede do Grupo Dramático Musical, na rua Miguel Bombarda, a poucos metros do mercado municipal, respira-se o espírito associativo. Em cada sala e em cada parede há referências a figuras, a vitórias, a iniciativas que marcaram os 100 anos desta casa.

“100 anos não são 100 dias”, realça o presidente da coletividade que fala de “uma casa emblemática, com muita história, com uma forte vertente cultural desde o início da sua fundação”.

Uma coletividade que é “uma família”

Pelo que foi lendo e ouvindo dos sócios mais antigos, Vitor Rosa refere a ligação inicial da associação às tunas e às companhias de teatro.

Por ali passaram “imensos representações” e alguns atores amadores que, na sua opinião, tinham capacidade e talento para integrar companhias profissionais. Recorda o 3º lugar alcançado no Concurso Nacional de Teatro Amador com a peça “O Lugre”, que tinha como ator e encenador o veterano Victor Hugo.

“Com tantas associações, com tantos cafés, não deixa de ser significativo que esta casa tenha sobrevivido. Dá-me algum conforto continuar a poder receber as pessoas, ter as portas abertas manter as diversas atividades, desde os concursos de pesca, torneios de snooker, tardes e noites de fado, bailes de carnaval e torneios de poker”, congratula-se o seu Presidente.

Uma das preocupações de Vitor Rosa é atrair os jovens para que frequentem a casa, sendo certo que tem noção de que “hoje em dia os jovens têm tudo em casa”. Mesmo assim, ali se vão cruzando “jovens e menos jovens, de todos os estratos sociais”, num ambiente de partilha “como se fosse uma família”, onde “as pessoas, desde as crianças aos mais velhos, se sintam bem, e em segurança”.

O dirigente associativo desabafa sobre as dificuldades em “manter a porta aberta diariamente”, numa altura que a carolice escasseia e as solicitações são muitas.

Em termos financeiros, apesar de algumas dificuldades pontuais, Vitor Rosa refere que a coletividade “não tem dívidas, tem saldo positivo”, destacando os apoios da Câmara e da Junta de Freguesia. Mas é dos sócios, através das quotas, que vem o principal financiamento, isto numa casa que tem instalações próprias, sem a despesa mensal da renda. Aliás, a compra das instalações, aquele edifício histórico, “foi um sonho tornado realidade” para o Grupo Dramático Musical, reconhece.

Vitor Rosa não se cansa de enaltecer “a vontade e a dedicação das pessoas que há 100 anos tiveram ao abrir este espaço”. “As pessoas que tiveram essa iniciativa são de louvar, eu sou um mero continuador, os parabéns são para eles”, reconhece.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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