Greve nos CTT a 31 de outubro e 02 de novembro. Foto ilustrativa: Getty Images

Dina Serrenho, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), disse ao mediotejo.net que em Abrantes foram trabalhar três dos 31 carteiros, em Santarém três do total de 39 funcionários, em Tomar, dos 14 efetivos, quatro foram ao trabalho, e em Rio Maior a adesão foi de 100%, com os 16 trabalhadores a aderirem à greve.

Os CTT, por sua vez, garantem que a greve que hoje se iniciou na empresa está a ter uma adesão “fraca” de cerca de 14,8%, mas os sindicatos apontam para 67,5% tendo em conta os dados disponíveis ao início da tarde.

Num comunicado, os CTT indicaram que, “tendo procedido ao levantamento dos colaboradores aderentes à greve geral”, apuraram uma taxa efetiva de adesão de 14,8%, sem impacto expressivo na atividade da empresa”.

Contactado pela Lusa, Victor Narciso, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) apontou, por sua vez para uma adesão de 67,5% tendo em conta os dados que a estrutura tinha, ainda parciais.

Os CTT garantiram que “nos Centros de Tratamento todo o trabalho foi assegurado e prestado dentro da normalidade, não tendo esta paralisação tido impacto na atividade e operação” e que “não se sentiu qualquer interrupção do serviço aos clientes, não se tendo verificado até agora nenhuma perturbação relevante nos centros de distribuição postal”.

Carteiros reclamam por melhores salários e contratação de mais profissionais

Os trabalhadores dos CTT vão estar em greve nos dias 31 de outubro e 02 de novembro, em protesto pelos “7,50 euros de aumento imposto” pelo grupo aos funcionários e pela falta de 40 carteiros no distrito de Santarém, nove dos quais em Abrantes.  Os CTT “condenam e lamentam” a greve dos próximos dias e alertam para perturbações no serviço.

As estimativas do sindicato apontam para a “necessidade urgente e entrada imediata” de 40 carteiros no distrito de Santarém, tendo Dina Serrenho, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), apontado a falta de nove carteiros em Abrantes, sete em Santarém, cinco em Tomar, quatro em Rio Maior, e três em Coruche e no Cartaxo, tendo ainda afirmado existir um défice de cinco carteiros no Centro de Tratamento e Distribuição de Torres Novas.

ÁUDIO | DINA SERRENHO, SINDICATO TRABALHADORES (SNTCT):

Em comunicado, divulgado pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), as estruturas sindicais disseram que “os 7,50 euros de aumento mensal imposto unilateralmente em 2022 a cada trabalhador continuam a ser um gozo com quem trabalha e mantém a empresa a funcionar”.

“Perante o agravar da situação, nada mais resta aos sindicatos que proporem a luta aos trabalhadores CTT”, de acordo com o comunicado, que avança com uma proposta de “greve geral nos CTT 31 de outubro e 02 de novembro”, afirmando que razões “não faltam” aos trabalhadores.

Os sindicatos referiram que “os CTT aumentaram os preços num mínimo de 6,8%, enquanto impunham unilateralmente um aumento de 7,50 euros a cada um dos seus trabalhadores”, sublinhando que “em setembro de 2022 a inflação galgou para os 9,3% segundo o INE”.

“A discussão dos problemas bem como desta proposta de luta continua no local próprio, os locais de trabalho”, concluiu o comunicado.

Em junho, os trabalhadores dos CTT já estiveram em greve também devido às atualizações salariais.

ANRED contra greve dos CTT convocada para 31 de outubro e 2 de novembro

A ANRED considera que a greve convocada nos CTT para 31 de outubro e 02 de novembro é “uma vez mais inoportuna” e continua a nada contribuir para os interesses dos trabalhadores.

Num comunicado, a Associação Nacional de Responsáveis de Distribuição (ANRED) “apela a todos os trabalhadores dos CTT para que continuem a dizer de forma muito firme: NÃO a prejudicar os portugueses que recebem o correio e as encomendas em suas casas; NÃO a mais instabilidade em cima da instabilidade que o país e os portugueses atravessam e NÃO a esta greve e, com isso, a prejudicar a distribuição do correio e das encomendas aos portugueses”.

“A ANRED e os profissionais dos CTT, em particular os que se encontram nas operações e na distribuição, tudo farão para que os portugueses sintam o menos possível os efeitos negativos que esta greve possa eventualmente causar na distribuição do seu correio e das suas encomendas”, indica a ANRED.

A associação socioprofissional adianta que considera a greve como um direito fundamental e constitucional dos trabalhadores, mas também considera que esta greve não resolve, uma vez mais, qualquer problema, prejudica uma vez mais os portugueses e “é uma vez mais oportunista, já que, como é regra das referidas organizações sindicais, foi convocada para um dia antes de um feriado nacional e um dia após o referido feriado”.

CTT “condenam e lamentam” greve nos próximos dias e alertam para perturbações

Os CTT – Correios de Portugal condenaram e lamentaram “veementemente” a greve convocada para os dias 31 de outubro e 02 de novembro, tendo repudiado as razões e alertado para a possibilidade de perturbações na distribuição de correio e encomendas.

“Assim, os CTT condenam e lamentam veementemente a greve convocada para os dias 31 de outubro e 02 de novembro e repudiam as razões para a sua realização”, refere a empresa em comunicado.

Os CTT apontaram que nestes dias “poderão, eventualmente, existir perturbações na normal distribuição de correio e encomendas”, tendo preparado “um plano de contingência para minimizar eventuais impactos sentidos na operação, nomeadamente a mobilização de meios no sábado seguinte, quando tal se justifique para recuperar de eventuais atrasos”.

A empresa sublinha que respeita o direito à greve mas não deixa “de estranhar e repudiar as datas escolhidas pelos sindicatos promotores da greve para a sua realização”.

Os CTT criticaram, tal como a Associação Nacional de Responsáveis de Distribuição (ANRED), na quinta-feira, a realização da greve numa semana com um feriado.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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