“Nós continuamos a acreditar e convictos que vamos cumprir o PRR. Aliás, tem que ser um desafio nacional, um desafio que compete a todos a conclusão e podermos cumprir esse desígnio dos 26 mil fogos em junho de 2026”, afirmou hoje em Alcanena o ministro da Habitação e Infraestruturas.
Miguel Pinto Luz, que hoje visitou alguns dos projetos de habitação em curso no concelho e entregou as primeiras seis chaves de casas no âmbito do programa de renda acessível, disse que “os desafios são enormes” e continuar a “acreditar”, dando o exemplo do trabalho desenvolvido em Alcanena.
“Continuamos a acreditar que é possível, vamos conseguir fazer, e com exemplos como os da Alcanena com certeza que o vamos fazer”, declarou, tendo afirmado que as causas [para os atrasos] estão identificadas e que se estão a encontrar soluções para as ultrapassar.




Tendo apontado ao “preço da construção” e à “suborçamentação que existiu nos vários programas”, Pinto Luz disse que “este governo, o 24º, que quase está a terminar as suas funções”, fez um “esforço hercúleo de aumentar a capacitação, de aumentar a resposta do orçamento do Estado (…) para poder cumprir” o PRR.
“Nos próximos meses veremos esse ritmo cada vez mais acelerado para concluirmos os 26 mil fogos [até junho de 2026], que nós acelerámos para 10 mil extra, que serão financiados também a 100 %, e por isso acreditamos que conseguimos, com a ajuda dos municípios”, declarou.

ÁUDIO | MIGUEL PINTO LUZ, MINISTRO DA HABITAÇÃO:
Questionado pela evolução dos projectos no âmbito do 1º Direito, o governante confirmou existirem atrasos por concursos vazios, que imputou à “suborçamentação” por parte do anterior governo socialista.
“Hoje os preços da construção continuaram a subir e portanto temos alguns concursos vazios, já foi notícia. E, portanto, nós estamos preocupados com esta situação, mas estamos sempre a monitorizar e a encontrar soluções”, afirmou.
Além do orçamento “mais do que redobrado”, o governante apontou a soluções que passam por “arquiteturas diferentes dos modelos de financiamento” para “poder acudir a esses preços da construção cada vez mais elevados”.
Miguel Pinto Luz, que reuniu previamente com os autarcas de Alcanena, visitou as obras em curso num município que considerou “referência” pela “visão integrada” para o desenvolvimento do concelho aliada um pacote global de investimento em 318 fogos, no âmbito do 1º Direito e renda acessível, na ordem dos 40 milhões de euros (ME), tendo entregue, em conjunto com o autarca de Alcanena, as chaves de seis habitações de renda acessível aos novos inquilinos, com uma média de idades de 25 anos.







“É um exemplo e está a liderar. Precisamente porque tem um programa de renda acessível absolutamente único e um 1º Direito também absolutamente único. Mas eu diria que esta visão de reabilitar o casco velho, trazer a multiplicidade de usos para dentro do casco velho, e fizemos este percurso a pé desde os Paços do Concelho até aqui, e percebemos aquilo que está a acontecer no casco velho. Era isto que devia ter acontecido de norte a sul”, afirmou.
“Falta um pouco de estratégia também aqui, mas é bom que alguns presidentes de Câmara, ou muitos presidentes de Câmara, tenham tido esta visão, este arrojo, esta forma diferente de olhar para o território e de olhar para o desenho urbano e é aquilo que vamos ver que o PRR também ajudou a redesenhar Alcanena e por isso é com enorme satisfação que viemos aqui hoje”, concluiu.
Alcanena, com um projeto global para 308 fogos e um investimento na ordem de 40.5 ME, tem hoje 27 fogos entregues no âmbito do 1º Direito e mais 68 em construção, representando um valor global de 09 ME.
Ao nível da Habitação a custos acessíveis, Alcanena entregou hoje os primeiros seis fogos, tem 145 em construção, mais 35 em concurso público e 27 em projecto, representando um investimento global de 31.5 ME.
O presidente do município de Alcanena (eleito pela coligação PSD/CDS-PP/MPT), disse ter recebido cerca de 100 candidaturas para estes seis fogos a custo acessível, tendo destacado uma média de idades de 25 anos e a importância da captação e fixação de jovens para o desenvolvimento do concelho e da região.
“É este tipo de soluções que nós temos que encontrar para os nossos jovens, para que eles iniciem a sua vida, e depois encontrar também soluções de emprego compatíveis com a sua qualificação, encontrar soluções de educação, soluções de creches”…, exemplificou Rui Anastácio.

ÁUDIO | RUI ANASTÁCIO, PRESIDENTE CM ALCANENA:
“Temos aqui um conjunto de desafios muito grande, mas de facto esta oferta qualificada de habitação é uma das peças do puzzle indispensáveis para nós conseguirmos combater este inverno demográfico que estamos a viver no país e na nossa região”, afirmou o autarca.
“Estamos a uma hora de Lisboa, não há nada que justifique que isso esteja a acontecer. Se nós fizermos todo o nosso trabalho enquanto comunidade, de forma unida, juntos, eu acho que conseguiremos de facto transformar este país num país para ficar e não para ir embora”, concluiu.
c/LUSA
