Na resposta à pergunta apresentada pelos comunistas sobre a situação laboral na fábrica do Tramagal, no concelho de Abrantes, o Ministério do Trabalho indica que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) se encontra “em articulação direta com a empresa”, que comunicou a intenção de avançar com um eventual processo de ‘lay-off’.
Segundo o documento, datado de 15 de maio, o processo “poderá envolver até 400 postos de trabalho durante o mês de julho de 2026” naquela unidade fabril situada em Tramagal.
O Governo refere ainda que, em 30 de março, foi realizada uma reunião entre responsáveis do IEFP e da empresa para preparar respostas formativas destinadas aos trabalhadores abrangidos, encontrando-se o instituto a aguardar uma decisão da Mitsubishi Fuso.
Por outro lado, a tutela indica que não foi comunicada à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) qualquer situação de despedimento coletivo nem solicitada a abertura de um processo de prevenção de conflitos.
A resposta acrescenta que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) realizou uma visita inspetiva à unidade industrial do Tramagal e que, até ao momento, não foi requerido qualquer processo de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos por crise empresarial.
Num comunicado hoje divulgado, a Comissão Concelhia de Abrantes do PCP afirma que a resposta do Governo demonstra que o executivo tinha conhecimento da situação “desde março” deste ano.
“Enquanto afirma não ter sido formalmente informado sobre qualquer processo de ‘lay-off’ ou despedimento, o próprio Governo admite que o IEFP se encontrava, desde março, em articulação com a empresa para preparar um processo que poderá abranger até 400 trabalhadores”, refere o PCP.
Os comunistas acusam o executivo de se limitar a acompanhar o processo, apesar dos impactos que a medida poderá ter nos trabalhadores e respetivas famílias, defendendo a proteção dos postos de trabalho e dos salários.

Em abril, a Mitsubishi Fuso confirmou à Lusa que não está prevista produção na fábrica do Tramagal durante o mês de julho, no âmbito de um ajustamento do planeamento operacional associado à transição do modelo europeu de encomendas e distribuição.
Na mesma ocasião, a empresa admitiu a adaptação da estrutura de recursos humanos através de um programa de saídas voluntárias, enquanto o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE-CSRA) apontou para a saída de cerca de 40 trabalhadores e alertou para a aplicação de um regime de ‘lay-off’ durante o período de paragem.
A paragem da produção, prevista para o mês de julho, foi justificada pela administração como uma “adaptação à transição energética”.
A fábrica deixará de produzir para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilogramas, focando-se em veículos de maior dimensão e na versão elétrica eCanter, da qual detém produção exclusiva para a Europa.
Segundo fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC) à Lusa, o processo faz parte de uma reorganização internacional do grupo para responder às exigências ambientais do setor automóvel europeu.
A unidade industrial do Tramagal emprega cerca de 400 trabalhadores permanentes, segundo a empresa, número que o sindicato estima em cerca de 500, incluindo contratos temporários.
c/Lusa
