O Governo assegurou esta sexta-feira aos autarcas do Médio Tejo e das regiões afetadas que serão criados mecanismos de apoio para responder à destruição causada pela tempestade Kristin, tendo pedido aos municípios um levantamento urgente e quantificado dos prejuízos nas habitações, empresas e infraestruturas públicas, disse o presidente da CIM.
No final de uma reunião nos Bombeiros Sapadores de Leiria, que juntou autarcas de concelhos afetados, o presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, disse ao mediotejo.net que foi transmitida ao ministro da Economia e da Coesão Territorial a “situação de grande dificuldade e extrema destruição” vivida na região.
“Necessitamos da parte do Governo de apoios para nos reerguer, para voltarmos à vida normal. São precisos mais meios no terreno e, depois, apoios financeiros capazes de ajudar as famílias na recuperação das suas casas e os municípios na recuperação do espaço público, edifícios, rede viária e estruturas essenciais que ficaram extremamente degradadas”, afirmou.
Segundo o autarca, o ministro solicitou aos municípios que avancem rapidamente com a quantificação dos danos para permitir acionar os mecanismos de apoio. “Vamos fazer a listagem dos estragos nas habitações, empresas, comércio e infraestruturas públicas para que se possam iniciar os apoios”, indicou.
ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CIM MÉDIO TEJO:
Na mesma reunião, Castro Almeida admitiu que os prejuízos provocados pela depressão Kristin são “bastante acima” dos registados nos incêndios de 2024 e 2025, embora sem avançar valores globais, sublinhando a dimensão dos danos na região Centro.
O governante explicou que a primeira fonte de financiamento serão as seguradoras, podendo o Estado intervir de forma complementar, nomeadamente em situações não cobertas, como alguns prejuízos agrícolas, para os quais já foi aberto um concurso com apoios até 400 mil euros.
Castro Almeida reconheceu ainda que os danos poderão comprometer prazos de obras financiadas pelo PRR, tendo pedido aos autarcas que sinalizem essas situações para que o Governo possa solicitar flexibilidade junto de Bruxelas.




Na sequência da passagem da depressão Kristin, oito dos 11 municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo — Sardoal, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Abrantes, Mação, Vila Nova da Barquinha e Torres Novas — ativaram os respetivos planos municipais de emergência, refletindo a “situação de catástrofe e calamidade” e os impactos generalizados do mau tempo na sub-região.
Quedas de árvores, estruturas danificadas, inundações e falhas prolongadas de energia e água afetaram zonas fortemente todos estes concelhos, provocando ainda cortes de comunicações, populações isoladas e rendendo pedidos de apoios extraordinários aos municípios para responder aos danos na rede viária, habitações e equipamentos públicos.
A tempestade Kristin provocou pelo menos cinco mortos, milhares de ocorrências e cortes prolongados de energia, água e comunicações, tendo o Governo decretado situação de calamidade para cerca de 60 municípios.
