“Estamos atentos e a seguir muito de perto a notícia do encerramento da fábrica da Tupperware. O Ministério da Economia está em contacto com a Câmara Municipal de Constância e em articulação com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, no sentido de apoiar estes trabalhadores”, disse à Lusa o secretário de Estado da Economia, em resposta enviada por escrito às questões colocadas sobre a empresa e os trabalhadores.
João Rui Ferreira, na mesma informação, indica que a tutela está “a trabalhar para aumentar a competitividade” das empresas.
“Continuamos a trabalhar para aumentar a competitividade das nossas empresas de forma a estarem preparadas para a conjuntura atual e para os desafios futuros”, declarou o governante.
A fábrica da Tupperware instalada em Montalvo, Constância, vai encerrar a atividade no dia 08 de janeiro e despedir os cerca de 200 trabalhadores, informou na sexta-feira o presidente da Câmara Municipal.
Em reação, os deputados do Partido Socialista (PS) eleitos por Santarém defenderam uma “intervenção urgente” por parte do Governo face ao anúncio do encerramento da fábrica da Tupperware.
Em comunicado, os três eleitos do PS – Hugo Costa, Alexandra Leitão e Mara Lagriminha – defendem que “a situação justifica a articulação direta com o setor empresarial e o poder local, com o objetivo de proteger os trabalhadores, mitigar as consequências socioeconómicas e assegurar um contexto de sustentabilidade a médio e longo prazo” para Constância e para a região.

“Sem um apoio adequado e célere, o risco de agravamento social, económico e territorial poderá ter consequências irreversíveis para a economia local”, alertam os deputados.
Os eleitos do PS apresentaram na sexta-feira, 20 de dezembro, na Assembleia da República, um conjunto de perguntas ao Governo, dirigidas à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ao ministro da Economia sobre os apoios aos trabalhadores.
“Que medidas imediatas de apoio social estão a ser implementadas para apoiar as famílias em situação de maior vulnerabilidade económica” e que “ações concretas estão a ser tomadas para apoiar os trabalhadores no acesso ao subsídio de desemprego e para promover a requalificação e reintegração no mercado de trabalho dos trabalhadores afetados”, foram algumas das questões colocadas.
Os eleitos lembraram ainda a importância dos trabalhadores estarem “plenamente informados sobre os seus direitos e os recursos disponíveis” e questionaram sobre as “ações concretas” a implementar pelo Governo para “mitigar os impactos socioeconómicos no concelho de Constância, nomeadamente ações específicas de apoio à recolocação dos trabalhadores afetados ou a atração de novos investimentos industriais” para a região.
“Além da perda imediata de postos de trabalho, o declínio do poder de compra resultante da situação fragiliza o comércio e os serviços a jusante, potencia dificuldades financeiras para fornecedores locais e ameaça a sustentabilidade de outras pequenas empresas, agravando o risco de um efeito dominó no tecido económico regional”, sinalizam os deputados do PS.
À data, indicam, “o Ministério da Economia assegurou estar a acompanhar a situação, sem, no entanto, ser do conhecimento público que diligências foram tomadas”, tendo defendido uma “ação urgente” e concertada.
“A realidade vivida em Constância demonstra, ainda, “a necessidade de uma ação urgente e coordenada entre o Governo, as autarquias e os demais agentes económicos e sociais, tendo em vista atenuar os efeitos negativos e, se possível, encontrar soluções estruturais para revitalizar o tecido industrial nacional, garantindo a manutenção de postos de trabalho, a coesão territorial e a resiliência económica regional”, concluem.
A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana, com o anúncio do pedido de declaração de insolvência a ter consequências diretas na unidade portuguesa, agora conhecidas, e que vai deixar no desemprego os 200 trabalhadores que ali eram efetivos.
“Ontem [quinta-feira] decorreu uma reunião com os trabalhadores da Tupperware onde foi comunicado pelos responsáveis que a fábrica só estará a laborar até 8 de janeiro. Será o último dia e os 200 trabalhadores que lá estão serão despedidos”, disse na sexta-feira o presidente do município de Constância.
Tendo feito notar que “a Câmara Municipal e os seus serviços estão disponíveis para ajudar e apoiar os trabalhadores dentro daquilo que for possível”, Sérgio Oliveira disse ter sido “surpreendido” como o anúncio do fecho da fábrica e que depositava expectativas noutro desfecho.
ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
“É uma notícia triste para o concelho de Constância e para toda a região. A Tupperware, ao longo destes anos, tem tido um papel muito importante no número de postos de trabalho, diretos e indiretos”, declarou o autarca de Constância.
Diversos partidos políticos e dirigentes sindicais manifestaram ao longo dos últimos meses preocupação com a incerteza sobre o futuro dos 200 trabalhadores da fábrica da Tupperware em Montalvo, tendo criticado a “falta de informação” sobre o processo de falência da multinacional.
O SITE-CSRA manifestou preocupação com o futuro dos trabalhadores da fábrica da Tupperware, tendo defendido a intervenção do governo e do Ministério do Trabalho na proteção social e económica.
“O Estado, e o próprio Ministério do Trabalho, deveria assumir uma postura diferente sobre o assunto porque são 200 trabalhadores, que arrastam atrás de si famílias, com todo o impacto que isto possa ter para a economia local e nacional, e isso preocupa-nos”, disse na sexta-feira Ricardo Rodrigues, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE-CSRA).

“Também sabemos que o município já tomou algumas iniciativas mas, o que é certo, é que até à data do fecho da fábrica a empresa mantém uma postura fechada, de não diálogo, e daí que eu também ache que os organismos públicos com responsabilidade deveriam intervir e de uma forma muito mais ativa”, declarou o dirigente sindical.
Ricardo Rodrigues já havia antecipado à Lusa que “o encerramento da Tupperware, caso se concretizasse, significaria um drama para as centenas de trabalhadores” e “seria igualmente desastroso para o concelho de Constância, para a região e para o país”, tendo defendido que o problema “deve merecer a maior atenção e tomada de medidas por parte do Estado e, em particular, do Governo”.
O sindicalista reiterou esta semana a necessidade da intervenção da tutela e manifestou solidariedade com os trabalhadores que vão ser diretamente afetados pelo fecho da fábrica.
“Uma vez que se confirma já o fecho da empresa, o sindicato está de braços abertos e preparado para estar ao lado dos trabalhadores para tudo o que necessitem”, afirmou.
ÁUDIO | RICARDO RODRIGUES, SINDICATO SITE-CRSA:
No dia 25 de setembro, em comunicado, o presidente da Câmara de Constância havia indicado que o vice-presidente da Tupperware Europa disse não saber o futuro da empresa, que estava “em fase de negociação com os investidores” e a “trabalhar para criar uma estratégia para que empresa seja mais atrativa”.
Acrescentou ainda ter sido informado que “pararam a produção na Tupperware Portugal, Bélgica e África do Sul, porque têm muito stock”.
Em 18 de setembro, a Lusa solicitou esclarecimentos por escrito à empresa, não tendo obtido resposta até ao momento.
No dia 25 de setembro, em comunicado, o presidente da Câmara de Constância havia indicado que o vice-presidente da Tupperware Europa disse não saber o futuro da empresa, que estava “em fase de negociação com os investidores” e a “trabalhar para criar uma estratégia para que empresa seja mais atrativa”.
Acrescentou ainda ter sido informado que “pararam a produção na Tupperware Portugal, Bélgica e África do Sul, porque têm muito stock”.
Em 18 de setembro, a Lusa solicitou esclarecimentos por escrito à empresa, não tendo obtido resposta até ao momento.

