General Eduardo Mendes Ferrão tomou posse como novo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) e o General Nunes da Fonseca como novo CEMGFA. Foto: Exército

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, conferiu hoje posse ao general Eduardo Manuel Braga da Cruz Mendes Ferrão, como Chefe do Estado-Maior do Exército, no Palácio Nacional de Belém, em Lisboa.​ O novo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) passa a ser o general Nunes da Fonseca (ex-CEME).

De acordo com um comunicado do Conselho de Ministros, de 23 de fevereiro, o Governo aprovou a deliberação que propôs ao Presidente da República, “ouvido o Conselho de Chefes de Estado-Maior, de exoneração do General José Nunes da Fonseca do cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército e a nomeação do Tenente-general Eduardo Manuel Braga da Cruz Mendes Ferrão” para este cargo, o que hoje se efetivou, com a tomada de posse.

O tenente-general Eduardo Mendes Ferrão exercia o cargo de Comandante das Forças Terrestres do Exército desde 21 de março de 2022, tendo, ao longo de 42 anos de carreira, criado fortes laços com a região do Médio Tejo, no exercício de funções de comando na Brigada Mecanizada em Santa Margarida (Constância).

No início de fevereiro o Governo propôs ainda a nomeação do general Nunes da Fonseca como chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), com efeitos a partir do dia 01 de março de 2023, o que também hoje se concretizou.

De acordo com uma síntese curricular divulgada pelo Ministério da Defesa, o tenente-general Eduardo Mendes Ferrão nasceu em Lisboa, em 17 de fevereiro de 1962 e tem 42 anos de serviço, estando “habilitado com os cursos curriculares de carreira”, entre outros.

No seu percurso militar, “serviu em diversas unidades, estabelecimentos e órgãos do Exército, no Estado-Maior-General das Forças Armadas e no Ministério da Defesa Nacional”, salientando-se que em 1985 foi colocado no Batalhão de Infantaria Mecanizado da Brigada Mista Independente, onde desempenhou diversas funções de Comando e Estado-Maior.

Foi docente no Instituto de Altos Estudos Militares, em 1993 e, em 1995, na Direção-Geral de Política de Defesa Nacional, foi responsável pelo processo de criação das EUROFORÇAS e levantamento do Quartel-General da EUROFOR em Florença.

General Eduardo Mendes Ferrão é o novo Chefe do Estado-Maior do Exército. Foto: Exército

Entre 2019 e 2020 foi vice-comandante da força da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) “e, posteriormente, foi colocado no Estado-Maior do Exército, nas funções de diretor coordenador, desde 02 de fevereiro de 2021 até 12 de janeiro de 2022”.

Em janeiro de 2022 assumiu as funções de Comandante do Comando do Pessoal do Exército, que desempenhou até março desse ano, altura em que passou a exercer o cargo de Comandante das Forças Terrestres, até ao momento.

O militar conta com 14 louvores. É casado e tem duas filhas.

De acordo com a lei, cabe ao Presidente da República nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, e os Chefes do Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas, ouvido, neste último caso, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Novo CEMGFA apela a que se dê atenção aos “anseios e necessidades” dos militares

O novo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Nunes da Fonseca, apelou hoje a que se dê “a melhor atenção” aos “anseios e necessidades” dos militares, reconhecendo constrangimentos no recrutamento e em recursos financeiros.

“[As Forças Armadas] são reconhecidas pelo seu elevado estatuto moral e patriótico, são instituições seculares credíveis e sempre disponíveis, servidas por pessoas inexcedíveis, às quais se deve prestar a melhor atenção, nomeadamente aos seu anseios, necessidades e realizações”, afirmou Nunes da Fonseca, que tomou hoje posse como CEMGFA numa cerimónia no Palácio de Belém, em Lisboa, com a presença do Presidente da República e do primeiro-ministro.

Numa curta intervenção, o general reconheceu que “a nível interno persistem constrangimentos, sobretudo em termos de pessoas para servirem nas Forças Armadas, assim como de recursos materiais e financeiros”.

“Constrangimentos que exigirão a procura e a proposta de modos e soluções que melhore adequem as capacidades militares do país às missões com que se compromete”, acrescentou.

O novo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) é o general Nunes da Fonseca, ex-CEME. Foto: FA

Na opinião do novo chefe do EMGFA, “importa prosseguir o caminho iniciado de transformação das FA, com consolidação das competências conjuntas e das próprias dos chefes militares, otimizando as complementaridades e respeitando as especificidades dos respetivos ramos” – disse, com os chefes do Estado-Maior da Armada, almirante Gouveia e Melo, e da Força Aérea, general Cartaxo Alves, a ouvi-lo.

O general referiu ainda o contexto atual, “irremediavelmente marcado pelo conflito na Ucrânia” que despertou a atenção para “o papel das FA no contexto das relações entre estados, igualmente da NATO e da União Europeia”.

Nunes da Fonseca deixou ainda uma palavra ao seu antecessor, presente na cerimónia, almirante Silva Ribeiro.

“Quero manifestar-lhe franca admiração e um profundo reconhecimento pela clarividência, inconformismo, competência a apurado sentido de serviço publico evidenciados na sua brilhante carreira”, disse.

O Presidente da República deu também posse, momentos depois, ao novo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, numa curta cerimónia na qual não houve discursos.

José Nunes da Fonseca, foi Chefe do Estado-Maior do Exército desde 19 de outubro de 2018, nasceu em Mafra, em 1961, e ingressou na Academia Militar em 1979. É licenciado em Ciências Militares (Engenharia) e tem um mestrado em Curso de Vias de Comunicação, entre outros.

Entre outros cargos exercidos, a nota curricular indica que, como coronel, foi Comandante da EPE (2005-07), Chefe do Gabinete do General Comandante da Logística do Exército (2007-09) e frequentou o Curso de Promoção a Oficial General (2009/10). Cumpriu duas comissões em operações NATO, a primeira na SFOR (Força de Estabilização NATO), na Bósnia-Herzegovina, em 1998/99, e a segunda na KFOR (Força NATO no Kosovo), no 1.º semestre de 2011, como General Comandante da Força Logística desta operação.

Foi colocado na Guarda Nacional Republicana, de janeiro de 2013 a outubro de 2018 e exerceu as funções de Comandante da Unidade de Controlo Costeiro, de 2013 a 2017, de Inspetor da Guarda, de 2017 a 2018, e de 2.º Comandante-Geral, até à nomeação para o cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército, em outubro de 2018.

Novo CEMGFA apelou a que se dê atenção aos “anseios e necessidades” dos militares. Foto: FA

c/LUSA

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