Cerimónia de entrega de donativo à Associação dos Produtores Florestais da Freguesia de Belver pela Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre na Câmara Municipal de Gavião

A Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver (APFLOBEV) recebeu um donativo no valor de 1850 euros da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, esta quarta-feira 17 de janeiro, na Câmara Municipal de Gavião. Trata-se de uma iniciativa solidária que anualmente, por altura do Natal, a Escola agracia uma entidade ou uma coletividade com a venda do ‘Melhor Bolo Rei do Mundo’. Desta vez, por causa dos incêndios de agosto de 2017, Portalegre quis apoiar o concelho de Gavião e o projeto de rebanho comunitário que ficou sem pasto devido à devastação pelo fogo. Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio, criticou o facto do município estar fora dos apoios do Governo central aos concelhos atingidos pelos incêndios e lamentou a falta de resposta às candidaturas para a reconstrução do passadiço do Alamal bem como do Observatório Avifauna do Outeiro.

A iniciativa existe há três anos, mas desta vez por causa do incêndio que deflagrou no concelho de Gavião, fustigando principalmente a freguesia de Belver, a Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre quis que a ação solidária angariasse fundos para apoiar as vítimas dos incêndios daquele concelho do norte alentejano e para tal vendeu 185 bolos rei, embora a produção tenha sido superior devido a alguns donativos que a Escola fez no dia de Reis.

“Foi excelente!” considerou o presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio, agradecendo à direção da Escola, na pessoa da diretora Maria Conceição Grilo, e aos alunos, não dando principal relevo ao valor angariado mas “à atitude” que deixou o autarca “extremamente sensibilizado”, lembrando que “85% da freguesia de Belver, em termos florestais, desapareceu.

“Só quem lá esteve percebe o drama que aquelas populações viveram”, salientou.

Ainda assim, um concelho afortunado, sem vítimas mortais decorrentes dos incêndios, facto esse, segundo o presidente, que tem contribuído para ”o esquecimento pelas instâncias superiores. Parece que em Portugal aconteceram incêndios em junho e outubro, os de agosto não existiram porque ainda hoje não estamos incluídos nos apoios aos concelhos atingidos por calamidades o que nos leva a algumas dificuldades naquilo que é a recuperação do território ardido”.

O presidente da CM de Gavião, José Pio, com os alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre com o presidente da APFLOBEV, David Grácio Machado

O autarca referia-se “a uma maior rapidez na recuperação dos edifícios ou das infraestruturas que foram afetadas pelos incêndios” nomeadamente dos passadiços do Alamal, a sinalização rodoviária, a sinalização dos percursos pedestres e do Observatório Avifauna do Outreiro. As candidaturas de apoio à reconstrução já foram submetidas mas o município ainda não obteve qualquer resposta positiva no que diz respeito à sua aprovação.

O presidente disse ao mediotejo.net que só não avançará de imediato com as obras se da parte da DGAL (Direção Geral das Autarquias Locais) não tiver garantia de apoio.

“Sabemos que está tudo bem encaminhado. Tenho estabelecido contactos com a DGAL e a pergunta que irei fazer é se as obras podem iniciar-se independentemente da aprovação ainda não ter acontecido porque sinto serem zonas de extrema importância para o turismo do concelho e quero que no início da primavera as obras estejam concluídas”, explicou José Pio.

Também a presidente da Junta de Freguesia de Belver considera que o concelho de Gavião está “um bocadinho esquecido”. Martina Jesus refere ser importante passar à ação.

“Já deveria ter sido dado um sinal, alguma esperança” de que os apoios estatais às populações afetadas pelos incêndios acabariam por chegar, lembrando tratar-se de “pessoas idosas, cada vez mais desiludidas e desanimadas”.

Presentes na cerimónia a presidente da Junta de Freguesia de Belver, Martina Jesus, os alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre e a formadora Sofia Moreira, e o presidente da APFLOBEV

Martina precisa os problemas que na freguesia, com as chuvas, se fazem sentir: “as terras resvalam, as valetas entopem constantemente. Aguardamos e esperamos que sejam rápidos porque dependemos muito do turismo”.

Quanto a esta iniciativa, a autarca classifica de “uma atitude carregada de humanismo e solidariedade” particularmente “no Natal em que os corações estão mais sensíveis e as pessoas solidarizaram-se com este ato. A própria Junta também comprou bolos rei para oferecer ao lar”.

E na onda da solidariedade a presidente deu conta de um concerto pelo Grupo de Cantares de Portalegre ‘O Semeador’ a decorrer em Belver “em maio ou junho cujos fundos revertem a favor das vítimas dos incêndios”.

Por seu lado, a diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, Maria Conceição Grilo, deu conta que a iniciativa partiu de alunos e professores e de uma conversa de como poderiam “ser parte ativa” no apoio às vítimas dos incêndios.

Maria da Conceição Grilo na cerimónia de entrega de donativo à Associação dos Produtores Florestais da Freguesia de Belver pela Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre na Câmara Municipal de Gavião

“A verdade é que caímos no mesmo erro e pensámos em chegar àquelas localidades que a comunicação social mais vezes transmitia” admitiu. No entanto, formadores e alunos lembraram que “perto da Escola, nomeadamente em Nisa e Gavião, também ocorreram grandes incêndios”. E foi no sentido de apoiar o concelho de Gavião que Maria Conceição Grilo telefonou ao presidente José Pio para identificar “junto de quem poderia a Escola fazer a diferença”.

A Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre tem anualmente “definidas várias ações de solidariedade social”, disse ao mediotejo.net Conceição Grilo.

A campanha solidária designada ‘O Melhor Bolo Rei do Mundo’ é uma delas, cuja venda reverte este ano para esta causa. O valor angariado – 1850 euros – foi entregue, esta quarta-feira à APFLOBEV e ao rebanho comunitário “esperando que possa de alguma forma ajudar a ultrapassar as dificuldades causadas pelos fogos do último verão”, acrescentou a diretora.

Maria Conceição Grilo aproveitou a oportunidade para avançar que a Escola de Hotelaria e Turismo vai diversificar a sua oferta de formação. Em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo a Escola lançou o curso de Turismo de Ar Livre “com o objetivo de formar técnicos especializados na conceção e acompanhamento de grupos em atividade de turismo natureza”, um curso com a duração de um ano e meio que “em concelhos como o Gavião pode fazer a diferença uma vez que existem estruturas que podem beneficiar da existência de técnicos formados que possam transformar este enorme e importante recurso num produto turístico”.

David Grácio com os alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Gavião

David Grácio Machado, presidente da APFLOBEV, explicou ao mediotejo.net que “o rebanho estava planeado ir para Furtado mas com os dois primeiros incêndios vindos de Mação ficou numa zona de pinhal junto à Torre e curiosamente a zona que menos ardeu, no terceiro incêndio, foi o nosso pinhal porque as cabras comeram tudo à volta dos pinheiros. Em três dias e meio as cabras fizeram o serviço dos sapadores”, observou.

É por isso que David Grácio diz a todos “para verem o efeito que o gado tem nas pastagens. É melhor que uma máquina”, garante. Um dia antes do incêndio chegar a Belver o gado foi retirado e acolhido no Centro Recreativo de Torre Cimeira.

Trata-se de um rebanho com 300 cabras de raça charnequeira que “come muito mato, de qualquer tipo, desde estevas a giestas” mas “desde 18 de agosto que, sem pasto, só dá despesa. Foi uma época má e este apoio é como a sopa no mel, muito bem vindo e estamos muito gratos”, reforça o presidente da APFLOBEV.

No final da cerimónia, José Pio ofereceu à Escola de Turismo e Hotelaria de Portalegre o livro comemorativo dos 70 anos dos bombeiros de Gavião.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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