Gavião tinha pedido comboios provisoriamente até Belver e transbordo rodoviário. Foto: CMG

A Câmara de Gavião aprovou uma proposta para estender provisoriamente a circulação ferroviária até à estação de Belver e criar um serviço de transbordo rodoviário, após a interrupção na Linha da Beira Baixa provocada por deslizamentos de terras.

A decisão foi tomada na reunião do executivo municipal de 4 de março e surge na sequência da suspensão da circulação ferroviária entre Belver e a Barca d’Amieira, confirmada pela Infraestruturas de Portugal, na sequência do mau tempo registado em fevereiro.

Segundo o município, a interrupção poderá prolongar-se por vários meses, podendo atingir pelo menos meio ano, o que levanta preocupações num território já marcado pela escassez de transportes públicos.

A proposta apresentada pela autarquia prevê a extensão provisória da circulação ferroviária até à estação de Belver, solução que considera tecnicamente viável, uma vez que a infraestrutura dispõe de duas linhas que permitem a inversão de marcha dos comboios.

Com esta medida, seria possível manter o serviço ferroviário em cinco estações: Alferrarede, Mouriscas, Alvega, Barragem e Belver, reduzindo o impacto da interrupção para um número significativo de utentes.

A autarquia destaca ainda que a linha é utilizada diariamente por trabalhadores que se deslocam para o Entroncamento, incluindo profissionais da própria CP — Comboios de Portugal, pelo que a manutenção parcial do serviço ajudaria a garantir condições de mobilidade a estes utilizadores.

A proposta sublinha também o impacto económico da interrupção, lembrando que a zona de Belver e da Barragem regista nesta época procura turística associada à gastronomia, nomeadamente o tradicional arroz de lampreia, bem como visitas aos museus locais e atividades organizadas por universidades seniores.

Além da extensão da circulação ferroviária, o município defende a criação de um serviço organizado de transbordo rodoviário a partir da estação de Belver, com autocarros articulados com os horários ferroviários.

Esta solução permitiria assegurar ligações aos concelhos e estações temporariamente sem serviço ferroviário, garantindo a continuidade das viagens ao longo da Linha da Beira Baixa enquanto decorrerem os trabalhos de reparação.

Na deliberação aprovada, o executivo municipal decidiu solicitar formalmente a implementação destas medidas à Infraestruturas de Portugal e à CP — Comboios de Portugal, bem como pedir informação clara sobre os prazos previstos para a reposição integral da circulação ferroviária.

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