Coleção de carros de atrela em Gavião inspirou a criação do novo Museu. Foto arquivo: mediotejo.net

O Museu de Arte e Atrelagem de Gavião vai ser inaugurado no edifício de um antigo seminário, no próximo dia 25 de abril, num investimento de cerca de dois milhões de euros. O edifício do antigo seminário, com quatro pisos, foi reabilitado pelo município para albergar o museu.

“O museu está situado no Largo do Município e tem quatro pisos. Os dois primeiros são destinados a carros de atrelar” e vão acolher 16 desses carros, revelou à Lusa o presidente da Câmara, José Pio, tendo indicado que os outros dois pisos vão servir para albergar uma coleção de artes, que inclui artefactos relacionados com a atrelagem, e que “só vai estar disponível, previsivelmente, a partir do dia 10 de maio”.

Além desta vertente, o museu vai contar ainda com uma mostra de arte sacra, entre outras peças, cedidas pelo colecionador Carlos Vences. De acordo com José Pio, a inauguração do Museu de Arte e Atrelagem de Gavião vai decorrer a partir das 11h00 do dia 25 de abril.

Coleção de carros de atrelar na Quinta da Margalha, Gavião. Foto arquivo: mediotejo.net

O projeto, precisou o presidente da câmara, envolveu um investimento a rondar “os dois milhões de euros”, que foi financiado em “cerca de 80%” por fundos comunitários.

Câmara sem acordo para acolher 40 carros da Quinta da Margalha

A Câmara de Gavião não chegou a acordo com o atual proprietário dos cerca de 40 carros de atrelar da Quinta da Margalha, que terá voltado atrás num acordo verbal de há vários anos. O novo museu, que vai ser inaugurado em momento integrado nas comemorações do 25 de Abril, irá assim albergar uma coleção de 16 carros de atrelar vindos de Montemor-o-Novo, em parceria com o Museu Nacional dos Coches.

Coleção de carros de atrelar na Quinta da Margalha, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Com a ausência da coleção de carros de atrelar da Quinta da Margalha do Museu de Gavião, informação confirmada em 2024 ao nosso jornal pelo presidente da Câmara Municipal, projeto acaba assim por perder a essência inicial, pois iria servir de homenagem ao colecionador dos trens, coches e atrelagens José Vaz Raposo, e à família Pequito Rebelo, com grande peso no concelho de Gavião, e que era proprietária do antigo Seminário que está a ser transformado no novo museu.

Tal prende-se com a decisão do atual proprietário dos carros de atrelar, que terá feito um acordo verbal com a autarquia no sentido de ceder a coleção, ou parte, para este museu que seria de memória e homenagem à família, que iria até dar nome ao Museu de Arte e Atrelagem de Gavião.

O Museu de Arte e Atrelagem de Gavião vai nascer no antigo Seminário, datado dos finais do século XIX e que foi residência da família Pequito Rebelo. Neste sentido estava previsto o museu albergar a coleção de carruagens e atrelagens de José Hipólito Raposo, que se encontram atualmente na Quinta da Margalha.

Trata-se de uma coleção inédita que o mediotejo.net visitou em 2021, que foi sendo mantida por José Hipólito Vaz Raposo, à qual foi acrescentando trens a outros que herdou do lado da mãe, da parte da família Pequito Rebelo.

A coleção que se encontra num espaço privado da Quinta da Margalha, corre o risco de vir a perder-se sem adequada preservação e sem valorização, sendo que há vários anos a autarquia, até com anteriores executivos, tentava que a coleção se tornasse visitável ao público num espaço adequado.

O presidente de Câmara admitiu, na ocasião, “alguma tristeza” pelo facto, mas apontou a uma adaptação ao projeto, tendo sido feita uma parceria com o Museu Nacional dos Coches para garantir uma mostra de uma coleção de grande valor patrimonial de cerca de 20 carros de atrelar, vindos de Montemor-o-Novo.

Ainda assim, admite o edil gavionense, “é pena, pois os carros da Quinta da Margalha iriam com certeza dizer muito mais às gentes de Gavião”. José Pio diz que tentou por várias vezes encontrar uma solução para a cedência dos trens, mas que não foi possível chegar a acordo com o proprietário.

O presidente José Pio no Largo do Município em frente ao antigo Seminário onde irá nascer o Museu de Arte e Atrelagem. Foto: arquivo/mediotejo.net

Sabe-se que outros elementos da família estarão contra esta decisão do atual proprietário, que apesar de o acordo ter sido feito verbalmente e nunca por escrito, decidiu voltar atrás com a palavra.

O novo museu de Gavião vai ser inaugurado no âmbito das celebrações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, depois de muitas subempreitadas, tendo sido estas e a falta de mão de obra as principais razões para o arrastar do prazo de execução da obra, que estava previsto ter sido concluída ainda em 2022, mas com pedidos de prorrogação por parte do empreiteiro.

A empreitada tem sido acompanhada muito de perto pelo arquiteto portalegrense Carrilho da Graça, que tem mantido “bastante exigência” quer na construção, quer na escolha de materiais, havendo abertura do empreiteiro em corresponder ao solicitado no âmbito do projeto.

Pelo rigor e empenho do projeto arquitetónico, José Pio disse não colocar de lado a hipótese de o novo museu poder vir a ser premiado nacional e/ou internacionalmente.

“Julgo que será um espaço que vai orgulhar os gavionenses, e será mais um local para atrair visitantes ao concelho. Além da requalificação de um espaço histórico como era o antigo Seminário e que é agora devolvido à comunidade numa nova função cultural”, admitiu.

O museu, além de ser dedicado à atrelagem e exemplares históricos de veículos de tração animal, também conterá outras coleções de arte. Trata-se de um investimento a rondar os 2 milhões de euros, com a empreitada a ser levada a cabo pela empresa 4MB.

Refira-se que o antigo Seminário de Gavião, situado no Largo do Município, de frente ao edifício dos Paços do Concelho, foi adquirido pela autarquia por cerca de 200 mil euros, não só para recuperação e conversão neste novo museu, mas também para que, no antigo pátio, pudesse ter sido construída a incubadora de empresas da vila e suas oficinas, além de um pequeno anfiteatro ao ar livre, integrando a estratégia de regeneração urbana do centro histórico.

C/Joana Santos e Lusa

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