Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, veio a Gavião este domingo deixar algumas garantias aos jovens do concelho. O Governo está a elaborar o Plano Nacional para a Juventude onde compreende ser o emprego e a habitação as principais preocupações do jovens e deixou uma palavra de esperança ao interior do País. No futuro “não será determinante estar nos grandes centros urbanos”. Graças à revolução tecnológica o emprego “pode estar em qualquer lugar”.

Foi com palavras de estimulo que o secretário de Estado da Juventude e do Desporto encerrou este domingo, 22 de abril, a conferência “Desafios e Perspetivas de Futuro dos Jovens num Concelho do Interior”, em Gavião, no distrito de Portalegre.

No âmbito da celebrações do 25 de Abril, o governante apresentou-se com “alguma esperança para o interior do País”.

João Paulo Rebelo afirmou que “as crianças que nascem hoje quando entrarem no mercado de trabalho, 60% dos empregos que conhecemos não existirão”, enquadrando que as questões do emprego não estão alheias à revolução tecnológica. Porventura “não será determinante estar nos grandes centros urbanos”, disse. Isto se existirem preocupações com políticas para a juventude, como “o apoio à Educação e ao associativismo juvenil”, até para tirar proveito da “energia transformadora que os jovens têm para revolucionar a realidade”.

Por isso, o secretário de Estado aproveitou a oportunidade para deixar a sugestão ao municípios, nomeadamente a Gavião, no apoio à habitação e ao emprego que garanta “qualidade de vida” ao jovens, aliciando-os a residir no concelho.

João Paulo Rebelo deu conta de um inquérito levado a cabo pelo Governo, em 2017, auscultando os jovens portugueses, sobre as prioridades para a construção do Plano Nacional para a Juventude, dinamizador do setor nos próximos anos, cujas conclusões revelaram ser o emprego e a habitação as maiores preocupações dos jovens.

E é nessa medida que o Executivo prepara o Plano Nacional para a Juventude, um instrumento de coordenação intersectorial da política de juventude em Portugal, com a missão de concretizar a transversalidade das políticas de juventude e tendo em vista o reforço da proteção especial dos direitos das pessoas jovens. No Plano Nacional da Juventude de 2018, o “emprego e empreendedorismo, saúde e bem-estar, e habitação”, estão classificadas como áreas prioritárias.

Observando que, muito por causa do emprego, “os centro urbanos conseguem atrair jovens” admitiu ser “uma equação difícil de resolver”, mas lembrou que “o primeiro ministro é grande defensor da descentralização” deixando a garantia: “não deixaremos de olhar para o Interior”. Desse olhar nasce a necessidade de “pensar políticas que permitam o desenvolvimento harmonioso do País”.

Entrega de Bolsas de Estudo a estudantes do Ensino Superior. Gavião

Considerando os municípios como “parceiros” nesta tarefa, João Paulo Rebelo confessou testemunhar os seus “esforços” no sentido de criarem políticas de fixação de população, nomeadamente jovens e também no apoio à sua qualificação, como aconteceu ontem em Gavião, dia em que 37 estudantes do ensino superior receberam a primeira tranche das bolsas de estudo, no valor de cerca de 670 euros.

O secretário de Estado referiu ainda a campanha “Estudar é Preciso” com o objetivo de passar “essa consciência e levar os jovens a um percurso académico”.

Na oportunidade esclareceu também “a importância de estimular nos jovens a vontade de participação sabendo que podem ser uma voz ativa no debate dos temas que lhes são mais importantes”.

Da parte do Município de Gavião, o presidente José Pio (PS) considerou “mais complexo” ser jovem no início do século XXI do que há alguns anos, “com profundas transformações nas sociedades, de enorme transcendência para todos mas sobretudo para os jovens em busca do primeiro emprego”.

O autarca referiu igualmente a “falta de emprego” existente em concelhos de pequena dimensão como Gavião que afeta “de forma dramática” os jovens. Apontou também as mudanças de socialização onde “a família tradicional perde peso”. São simultaneamente a geração “com mais acesso à educação e menos acesso ao emprego, mais acesso à informação e menos acesso ao poder, maior aptidão para a mudança produtiva contudo maior exclusão da mesma”, vincou.

Presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio

José Pio defendeu “novas políticas para a juventude orientadas para um novo tempo estratégico de emancipação dos jovens” como “políticas de construção de cidadania, políticas públicas que tenham em conta a sua realidade individual em relação aos adultos e dentro do próprio coletivo disponibilizando recursos e as competências que permitam assumir a plena cidadania”.

Como soluções apontou políticas na esfera individual de inserção laboral e de combate à precariedade, para habitação jovem, na esfera coletiva políticas de impulso em processos participativos, de dinamização associativa”. Para o autarca as políticas para a juventude devem incorporar “princípios orientadores de transversalidade e integralidade”.

O presidente entende não poderem “deixar de fora a habitação, trabalho, educação, saúde, cultura e participação”, sendo os jovens “protagonistas ativos na construção destas novas políticas” e lutar contra “situações que possam ser geradoras de exclusão social”.

José Pio admitiu dificuldades num concelho em que mais de 65% da população tem idade superior a 65 anos, entendendo o emprego como principal motor de fixação de novas gerações, mas assumiu o papel do Município como “alavanca para despertar o melhor” que os jovens têm, garantindo que o Orçamento Municipal de Gavião para 2018 reflete tudo o que disse.

Como exemplos, o presidente referiu o apoio ao Agrupamento de Escolas de Gavião, a aposta no turismo e nas bolsas de estudo aos estudantes universitários.

Presente também no simpósio esteve o diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude para o Alentejo, Miguel Rasquinho, que deu conta da carta enviada a todos os concelhos do Alentejo para a criação de um Conselho Municipal de Juventude, avançando que Gavião foi o primeiro concelho a responder afirmativamente. Mencionou ainda a novidade de 2018: o Orçamento Participativo Jovem.

A conferência ‘Desafios e Perspetivas de Futuro dos Jovens num Concelho do interior” apresentou ainda dois painéis.

O primeiro com o tema ‘O papel dos municípios na construção de políticas públicas para a juventude’; e o segundo com o tema ‘Juventude, desafios, conquistas e perspetivas no combate à desertificação do interior’.

António Severino, vice-presidente da Câmara Municipal de Gavião e com o pelouro da Juventude, moderou o debate e revelou estar a trabalhar há 3 meses na elaboração do regulamento do Conselho Municipal da Juventude, que se encontra em fase de consulta pública.

Conferência ‘Desafios e Perspetivas de Futuro dos Jovens num Concelho do interior”, Gavião. António Severino ao meio

“O concelho assume-se como terra de oportunidades com grande ênfase nos seus ativos intelectuais, sendo a juventude o alicerce deste desenvolvimento”, disse, Indicando três linhas de ação: atrair; fixar e reforçar.

“Atrair ideias novas e competência, criar condições para fixar jovens como ter um bom sistema educativo e população devidamente qualificada e reforçar Gavião como um território de oportunidades para potenciar as competências”, apresentando-se o Município como catalisador de políticas e de recursos.

O Gavião “tem gente com muita atitude e não se acomoda à pacatez da contemplação”, concluiu.

Conferência ‘Desafios e Perspetivas de Futuro dos Jovens num Concelho do interior”, Gavião

 

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *