Fatura da água sobe em Gavião e causa polémica com gestão e "erros" da empresa Águas do Alto Alentejo. Créditos: DR

Em comunicado, a Águas do Alto Alentejo reconhece “constrangimentos ocorridos (aos quais a empresa é alheia), com a distribuição da sua fatura relativa ao período de consumo de julho 2022,
utilizadores dos sistemas de distribuição de água e de recolha de efluentes” dos 10 concelhos aderentes e por isso decidiu “prorrogar o prazo de pagamento dessa mesma fatura, até ao dia 16 de setembro de 2022, como forma de mitigar eventuais impactos negativos junto das populações”.

Recorda-se que a empresa iniciou no dia 1 de julho deste ano a gestão dos sistemas públicos de abastecimento e saneamento, bem como dos respetivos contratos destes serviços, nos municípios de Alter, Arronches, Castelo de Vide, Crato, Fronteira, Gavião, Marvão, Nisa, Ponte de Sor e Sousel.

O assunto mais debatido na última reunião de executivo em Gavião foi então novamente a situação da Águas do Alto Alentejo e as implicações que os “erros nas leituras”, e “erros na base de dados” têm para os munícipes, que têm avançado com reclamações e dado conta de “tempos excessivos nos atendimentos”.

Durante a reunião, o vice-presidente António Severino (PS) começou por explicar aos vereadores que “um dos principais objetivos desta empresa, com a agregação dos 10 municípios” passa por “levar saneamento básico às aldeias do concelho que não têm”, tendo feito notar que, apesar do território ter perdido população, “os custos aumentaram. Aglomerando, criando uma entidade gestora para obtenção de escala, torna a gestão mais eficiente”, defendeu.

António Severino disse que o Município tem ajudado a dar resposta a alguns munícipes e colaborado no processo de resolução de algumas avarias pelas quais a empresa é agora responsável, não negando nem recursos humanos nem equipamento, “para que a resolução dos problemas seja mais célere”, política que não tem sido seguida pelos 10 municípios que integram a Águas do Alto Alentejo, caso de Nisa, referiu.

O vice-presidente aproveitou o momento para dizer ao vereador do PSD, Victor Filipe, que “o executivo PS não precisa que olhe pelo Município, sabemos o que estamos a fazer”. A declaração surgiu em resposta a publicações do vereador social democrata nas redes sociais. E negou que a constituição da empresa intermunicipal tenha sido “um processo radical. Andamos neste processo há mais de um ano”, notou Severino, tendo afirmado, no entanto, que o executivo está “disponível” para receber informações do vereador do PSD.

Contudo, defendeu António Severino, “para conseguirmos alguns patamares de sustentabilidade temos de prosseguir neste caminho”.

Por seu lado, o vereador da CDU, Rui Vieira, deu conta das “muitas reclamações” dos munícipes de Gavião e lembrou que “no início do ano já se falava no aumento [da fatura] da água”.

Em resposta, o presidente da Câmara, José Pio (PS), explicou que o executivo “fez o possível” para que todos os contadores tivessem uma leitura atualizada no sentido de evitar faturas com valores muito elevados, mas que “a leitura ficou inquinada por diversas situações” o que resultou em faturas com aumentos “absurdos”, admitiu.

O autarca deu conta que a empresa Águas do Alto Alentejo procede neste momento à correção e lembrou que durante anos a Câmara Municipal “subsidiou a água. Cobrávamos abaixo do custo, o que era alertado pela ERSAR. A água em Gavião era barata demais”, afirmou.

A Águas do Alto Alentejo, E.I.M., S.A., é a empresa responsável pela exploração e gestão dos sistemas ‘em baixa’ de abastecimento de água e saneamento de águas residuais dos Municípios de Alter do Chão, Arronches, Castelo de Vide, Crato, Fronteira, Gavião, Marvão, Nisa, Ponte de Sor e Sousel.

A Missão é sintetizada no seguinte: providenciar à sociedade serviços públicos essenciais de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais urbanas (…) visando o bem-estar geral, a saúde pública e a segurança coletiva das populações, o desenvolvimento económico e a proteção do ambiente, respeitando princípios de universalidade no acesso, de continuidade e qualidade de serviço e de eficiência e equidade dos preços.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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