Foto arquivo: João Pedro Bento — em Raid TT Ferraria.

O Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Ferraria (CCRDF) organiza o ‘XXXIV Raid TT Ferraria’ entre 22 e 24 de abril, prova que vai abranger os concelhos de Abrantes, Gavião e Ponte de Sor e é pontuável para o Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP). O Raid foi tema em discussão na última reunião de Câmara Municipal de Gavião.

A Câmara Municipal de Gavião aprovou, por unanimidade, esta quarta-feira 6 de abril, apoiar financeiramente o Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Ferraria com 9.500 euros, para a organização do ‘XXXIV Raid Ferraria’ , bem como a cedência de equipamentos, espaços físicos, meios técnicos e logísticos com a condição de apresentação da documentação imposta pelo regulamento camarário.

Mas a prova desportiva passou a ser tema de discussão após o vereador eleito pela Coligação Democrática Unitária (CDU), Rui Vieira, ter questionado sobre as condições de transitabilidade dos caminhos rurais no pós prova.

Na resposta, o presidente da Câmara, José Pio (PS), começou por colocar dúvidas quando à relação custo/benefício do Raid Ferraria, acabando mesmo por assumiu que “o custo” da prova “é muito superior ao benefício” para o concelho de Gavião.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, JOSÉ PIO:

Sobre a prova “devemos equacionar de futuro muito bem aquilo que é a relação custo/benefício para a autarquia de Gavião. Isto tem de ser analisado muito objetivamente”, disse o presidente referindo ainda a Baja Portalegre 500.

“Se tivermos sorte os caminhos não ficam muito danificados, se tivermos azar de estar chuva, vamos ter 200 quilómetros danificados e a Câmara mesmo com a niveladora não tem capacidade de fazer a reparação como as pessoas querem”, ou seja “estar tudo pronto nos oito dias seguintes. Não é possível!”, afirmou o presidente.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, JOSÉ PIO:

Ambos os vereadores da oposição, Vitor Filipe do PSD e Rui Vieira da CDU, defendem que a prova é uma mais valia para o concelho, sendo que o executivo PS reconhece a importância do evento mas coloca as referidas dúvidas, no entanto, José Pio garantiu, não haver da parte do executivo municipal qualquer intenção de acabar com a prova em Gavião.

ÁUDIO | VEREADOR DA CDU, RUI VIEIRA:

Também o vice-presidente, António Severino, negou que a Câmara queira acabar com o evento desportivo, lembrando que o executivo “sempre acarinhou a prova” da Ferraria mas abriu o caminho à reflexão, até porque além dos 9.500 euros em apoio financeiro a prova tem “outro tanto” de custos em logística, durante cerca de dois meses implicando “horas extraordinárias, combustíveis, etc”.

José Pio vincou que a Câmara tem de fazer a gestão correta dos apoios prestados, designadamente pela questão levantada pelo vereador da CDU, ou seja a manutenção dos caminhos rurais, que integram o percurso, o traçado da prova, no concelho de Gavião.

Apesar das dificuldades apresentadas, Vitor Filipe foi mais longe e propôs um aumento no apoio financeiro para 10 mil euros. “Já é costume o senhor vereador propor sempre mais que aquilo que pedem”, respondeu o presidente.

ÁUDIO | VEREADOR DO PSD, VITOR FILIPE:

Por seu lado, o vereador da CDU lembrou que o Raid “é o maior evento desportivo da Ferraria” uma prova que “envolve 200 pessoas” na organização.

ÁUDIO | VICE-PRESIDENTE CM GAVIÃO, ANTÓNIO SEVERINO:

António Severino insistiu que na atribuição de subsídios públicos, as coletividades “têm de ter os seus documentos entregues nos serviços Câmara”, vincando que o apoio “está condicionado à apresentação de documentos” no sentido de realizar um contrato de desenvolvimento desportivo.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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