Foto: mediotejo.net

O dia 23 de novembro, quarta-feira, nasceu chuvoso, mas a comunidade reuniu-se para “celebrar Gavião e os gavionenses” e a “identidade alentejana”, numa cerimónia que serviu ainda “um tributo às mulheres e homens que dedicam o seu esforço, determinação, ambição e coragem no sentido de dotar a nossa grande comunidade de recursos, competências e sinergias” para “atingir patamares mais elevados de afirmação do concelho, num contexto de desenvolvimento sustentado” e criando condições para “uma economia local saudável”, começou o autarca de Gavião por frisar, no seu discurso.

José Pio falou na estratégia “rumo a um futuro que pretendemos deixar aos nossos filhos como herança da qual nos possamos orgulhar”, deixando uma “mensagem de esperança” antecedida por um balanço de trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal no território.

Discurso de José Pio, presidente da Câmara Municipal de Gavião

Abordou a requalificação da Rua 23 de Novembro e envolvência, que proporciona nova ligação entre as piscinas municipais (cobertas e descobertas), a antiga casa de João Ascensão, a sede do Agrupamento de Escolas e o centro da vila e comércio. Dali, há vista panorâmica sobre o loteamento do Calvário e o jardim na encosta.

Também a Incubadora de Empresas Não Tecnológicas, onde a cerimónia decorria, esteve em foco, sendo uma obra já terminada e que “será colocada à disposição dos interessados rapidamente” e sendo “exemplo do aproveitamento dos fundos estruturais”.

José Pio deu ainda conta de outros investimentos e obra municipal, caso da construção de sete casas de habitação social no núcleo urbano, fez referência à obra do Museu dos Carros de Atrelar ainda a decorrer, ao prolongamento do passadiço do Alamal e criação da Rota da Sirga, à transformação da antiga escola de Degracia em Centro interpretativo dos percursos pedestres e centro de BTT, à retirada de amianto da cobertura e ampliação do edifício-sede do Agrupamento de Escolas, conjunto de intervenções que perfazem um total de mais de 10 milhões de euros de obra feita.

O autarca socialista mostrou-se convencido que todos os investimentos “têm contribuído para sermos hoje uma referência a vários níveis no panorama regional, no que diz respeito ao aproveitamento de fundos comunitários”.

José Pio, presidente da CM Gavião. Foto: mediotejo.net

Referiu-se ainda a obras de regeneração urbana e modernização do edifício e do espaço exterior da sede do Agrupamento de Escolas, e à ambição de continuar a lutar por mais no âmbito do PRR e do novo quadro de apoio comunitário Portugal 2030.

“Nem tudo são rosas e temos tido alguns espinhos”, notou, ainda assim, frisando que houve lugar a tomada de “decisões muito difíceis” no último ano e meio, que exigiu “responsabilidade e coragem política”.

José Pio focou o trabalho diário com vista ao desenvolvimento sustentado do município e no cumprimento daquilo que o executivo socialista tem defendido no plano de atividades e orçamento.

Evidenciou apostas e linhas de atuação do executivo por si liderado, desde logo no que toca ao apoio ao tecido empresarial, onde é aplicado o Regulamento de Apoio às Empresas e o Programa “Um Comércio a pensar em si”, mais de 50 empresários já se encontram a receber apoios municipais mediante candidatura.

Na Educação, realçou o pagamento integral de refeições aos alunos do pré-escolar e 1º ciclo, pagamento de transportes escolares, oferta de cadernos de atividades aos alunos do 1º e 2º ciclo, as bolsas de estudo a todos os estudantes do ensino superior.

Foto: mediotejo.net

Quanto à fixação de jovens, destacou o apoio à natalidade nos primeiros 36 meses de vida, lotes de terreno para construção urbana a custos entre 8 e 10 euros o metro quadrado apoiados pela Câmara em 2500 euros.

Na política fiscal, José Pio evidenciou a taxa mais reduzida permitida por lei de IMI, a devolução dos 5% do IRS que cabia ao município, isenção de derrama.

O desígnio, disse, passa por fazer do concelho de Gavião “uma terra de oportunidades, competitiva, inovadora e plenamente integrada na CIMAA, com um Governo próximo, rigoroso e participado”.

Lembrou que este ano o feriado municipal se estendeu, com eventos programados de 19 a 27 de novembro, com diversas atividades, e que assim o Dia do Concelho é comemorado “prestando honras à História, ao presente e ao futuro do município de Gavião e muito em especial às suas gentes”.

Prestou agradecimentos a todos, trabalhadores, associações, instituições e organizações, parceiros e comunidade em geral, crendo que “o desenvolvimento do concelho resulta do contributo de todos” e que tal é decisivo na “construção de um concelho cada vez mais atrativo e competitivo, em que as pessoas são o elemento central no desenvolvimento estratégico definido”.

O presidente de Câmara disse ter consciência que há muito ainda por fazer, sublinhando que “os gavionenses merecem sempre mais e melhor”, e nesta senda passou a traçar um conjunto de obras que estão previstas para o futuro do concelho e que foram explanadas num documento que foi entregue numa pasta, no final da sessão, a Ceia da Silva.

Foto: mediotejo.net

Entre os futuros investimentos previstos constam a construção de um canil/gatil municipal, a aquisição de terreno na Ribeira da Venda para permitir um novo investimento no espaço, a musealização do Lagar da Fraga (Belver), recuperação da Escola do Vale da Vinha, adaptação a novas funções da Escola de Vale de Gaviões, regeneração da Escola da Ferraria, recuperação da Estrada Velha de Gavião, a Casa das Artes e Ofícios de Gavião e o novo loteamento industrial de Gavião.

Por seu turno, António Ceia da Silva, presidente da CCDR Alentejo, enquanto convidado nestas cerimónias e participando na mesa solene juntamente com o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Pires, começou por fazer referência ao papel da banda filarmónica – responsável por tocar o Hino Nacional durante o içar da Bandeira no arranque das comemorações – do ponto de vista social, falando no exemplo de Alegrete, sua terra, dando os parabéns à Banda Juvenil de Gavião pelo trabalho desenvolvido enquanto “escola de formação”, seguindo-se um momento de ovação e salva de palmas.

Ceia da Silva começou por referir-se ao próximo quadro comunitário de apoio, o Portugal2030, cujas discussões duram há três meses apesar de o programa estar praticamente fechado com a Comissão Europeia. “Será agora discutido com as Comunidades Intermunicipais, com as autarquias, diversos stakeholders, será apresentado às empresas, instituições sociais, instituições académicas”, notou, passando a fazer uma síntese “rápida” do que se pode esperar.

António Ceia da Silva, presidente da CCDRA. Foto: mediotejo.net
Discurso de Ceia da Silva, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo

António Ceia da Silva notou que, quanto às empresas, a opção continuará a passar pelo sistema de incentivos, “mantém-se como estava praticamente como no anterior quadro comunitário”.

Deixou alerta para algo que será obrigatório no próximo quadro comunitário, “exigência que todos compreendemos hoje depois do que sucedeu e está a suceder na Europa, nomeadamente de Leste, e os problemas que estamos todos a sofrer todos os dias com o aumento do custo ao nível da energia”. Os projetos vão ter que ter eficiência energética e certificado energético, disse.

Por outro lado, a segunda opção irá permitir às câmaras municipais investirem no circuito urbano da água e resíduos, numa atuação em agregação através das comunidades intermunicipais, que permitirá “reduzir o desperdício imenso que existe em sistemas de redes de abastecimento de água”, enquanto “bem mais precioso que existe”, sendo que além da preocupação com a poupança de água, também o foco deve estar na transição energética e alterações climáticas.

No plano da cultura, turismo e património, Ceia da Silva mencionou que “já existem avisos abertos por antecipação para as escolas e para centros de saúde”. Os primeiros avisos estarão abertos no primeiro trimestre e as negociações com as comunidades intermunicipais serão encerradas até final do ano.

“Há uma exigência da Comissão Europeia”, reforçou, referindo que todos os projetos têm que estar inseridos no Plano Estratégico da Comunidade Intermunicipal onde cada município se insere, exigindo um “trabalho a priori” para “incluir todos os projetos decisivos e importantes que estão perspetivados para o território”.

Ceia da Silva mencionou que o PT2030 terá reservados 1100 milhões de euros para o território, deixando nota que todos os investimentos futuros e projetos indicados pelo autarca José Pio são elegíveis, e que por isso, “poderá contar com esse apoio, está perfeitamente assumido por mim, pela CCDRA”.

O responsável relevou ainda na sua intervenção o que se tem conseguido para o norte alentejano, enumerando diversos projetos e investimentos, caso da Barragem do Pisão, “uma grande vitória para o distrito de Portalegre” e que vai mudar “a fisionomia agrícola e de produção agro-alimentar” do território, como mudou no Baixo Alentejo com o Alqueva, notou.

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Falou na ligação ferroviária Évora-Caia, que abrirá em breve, e que servirá mercadorias e passageiros, com uma bitola de 250 a 300 km por hora e que aproximará o Alentejo de Madrid. “Falta a ligação a Lisboa que está a ser feita na zona do Poceirão”, além de estar previsto investimento importante para todo o sul do Tejo, “a terceira ligação sobre o Tejo que está no PNI 2030 que liga Chelas ao Barreiro”. Ceia da Silva crê que são investimentos decisivos e importantes para Gavião também.

Quanto à principal preocupação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo passa por “lutar contra a desertificação”.

“Terá que estar presente em todos os projetos”, afirmou, defendendo que “temos que recuperar os jovens que perdemos”.

Mencionou trabalho com as câmaras municipais para promover espaços de coworking e protocolos com as autarquias e Administração Pública, permitindo que os jovens que queiram voltar ao seu concelho possam manter os vínculos profissionais à função pública e regressar à sua terra.

Também aludiu à preparação que as autarquias têm que ter porque estes jovens podem trazer as famílias, e com isso é necessário dar condições de habitação e fixação da população, com preços acessíveis, boas acessibilidades, bons níveis de intervenção cultural, um “círculo virtuoso” para poder atrair os mais jovens.

Ceia da Silva abordou ainda a delegação de competências para as CCDR, com nove serviços da Administração Pública que, de uma promessa do primeiro-ministro, partem para a descentralização, apesar de “o grande objetivo é chegar à regionalização”.

Falando na transferência de serviços, disse que só será mexido ao nível dos cargos dirigentes, com os trabalhadores a manterem nos seus lugares. “Ninguém será prejudicado. Não se pretende retirar serviços, mas sim, ter uma administração mais eficiente”, conjugando os serviços nas NUT II.

“Não é possível que um habitante de Santiago do Cacém tenha que ir tratar determinados assuntos a Évora, mas tenha que ir tratar de outros a Lisboa porque faz parte do distrito de Setúbal”, exemplificou, referindo não ser viável e que irá terminar a partir de fevereiro com a reforma do Estado.

O ponto final da intervenção foi de múltiplos elogios ao concelho de Gavião, com referência aos investimentos nos últimos anos. O presidente da CCDRA notou que a Câmara Municipal de Gavião tem das melhores taxas de execução a nível de todo o Alentejo, com mais de 10 milhões de euros de investimento nos últimos anos. “Notável tudo aquilo que aqui foi feito. Se estivesse no vosso lugar, eu sentir-me-ia orgulhoso”, assumiu.

Elogiou a “visão estratégica autárquica” e disse que em Gavião aconteceu “uma revolução autêntica”.

“Gavião lavou a cara e é hoje outra terra, com um conjunto de equipamentos, com reabilitação e regeneração fantástica, única”, disse.

“É assim que se aproveitam bem os fundos comunitários”, concluiu, dando os parabéns ao autarca pelo “notável trabalho realizado e que tem de ser reconhecido”, com investimentos ao nível de diversas áreas desde a eficiência energética, reabilitação urbana, equipamentos desportivos, sociais, de saúde, e a construção da incubadora de empresas, mencionou, aplaudindo o “trabalho meritório” daquela autarquia do Alto Alentejo.

Mercado de Natal no Jardim do Cruzeiro com animação, artesanato e doçaria

A manhã de quarta-feira foi ainda marcada pela abertura do Mercado de Natal, iniciativa que reúne artesãos e produtores locais numa mega tenda junto ao Jardim do Cruzeiro, onde não falta a doçaria tradicional, os fritos e doces típicos da época festiva bem como decoração e outros produtos de artesanato feitos pelas mãos de locais.

Mais de uma vintena de stands, incluindo bar com comes e bebes, pipocas, crepes, pastelaria mais conceituada e doçaria tradicional, frutos secos, latoaria, vendas sortidas, stand da Biblioteca com venda de livros, produtores de mel e derivados, e tantos outros aguardam os visitantes num programa que começa a preparar a chegada do Natal a terras gavionenses, com surpresas que enchem as medidas a miúdos e graúdos.

Há ainda a decorrer um concurso que dá prémios a quem fizer compras no Mercado de Natal, dando oportunidade de integrar o sorteio da Tômbola, que dá acesso a prémios como um cabaz de produtos regionais, senhas de refeição para a Gastronomia de 2023 e conjunto de livros do concelho/autores de Gavião.

FOTOGALERIA

PROGRAMA

25 de novembro
22h30 – Atuação banda Athis

26 de novembro
22h00 – 300 and Friends
00h00 – Los Chicos

27 de novembro
14h30 – abertura do Mercado de Natal

4 de dezembro
16h30 – “Acordeão em Espetáculo”

11 de dezembro
15h00 – A chegada do Pai Natal: animação e entrega de lembrança a todas as crianças
16h30 – Concerto da Banda Júnior da Banda Juvenil do Município de Gavião

18 de dezembro
14h30 – abertura do Mercado de Natal

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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