Município de Gavião reúne com ANACOM para debater qualidade das comunicações no concelho. Créditos: mediotejo.net

A ANACOM esteve numa sessão com os autarcas do concelho de Gavião para apresentar os resultados de um estudo de qualidade de serviço das redes móveis, realizado no território. Na sessão foram focados problemas de falta de cobertura de redes móveis e de banda larga fixa e móvel. Vale de Bordalo, em Margem, é a única localidade no concelho onde as três operadoras – MEO, NOS e Vodafone – apresentam disponibilidade da rede e acessibilidade ao serviço voz e dados.

Os serviços e tecnologias rádio no concelho de Gavião estiveram em análise e o estudo da ANACOM foi apresentado em Gavião, no dia 18 de março, o qual concluiu que naquele concelho do Alto Alentejo, das três operadoras existentes, a Vodafone têm o melhor desempenho e a MEO o pior.

Na sessão, o diretor-geral de supervisão da ANACOM, Vitor Rabuge, apresentou um estudo sobre qualidade de serviço realizado pela Autoridade Nacional de Comunicações no concelho do Gavião, para avaliar o desempenho dos serviços de comunicações eletrónicas terrestres e verificar os níveis de cobertura radioelétrica 2G, 3G e 4G dos sistemas de comunicações móveis dos operadores MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, NOS Comunicações e Vodafone Portugal – Comunicações Pessoais.

O trabalho de campo, segundo o responsável, decorreu entre 13 e 24 de janeiro deste ano, com as equipas da ANACOM a percorrerem cerca de 230 quilómetros para realizarem 954 chamadas de voz, 324 testes de velocidade de ligação à Internet e mais de 75 mil registos de sinal rádio.

Município de Gavião reúne com ANACOM para debater qualidade das comunicações no concelho. Créditos: mediotejo.net

Neste estudo, solicitado pelo município de Gavião à ANACOM, foram analisados os principais indicadores de qualidade, tendo em conta a perspetiva do utilizador e os serviços objeto de estudo: cobertura das redes – disponibilidade das redes radioelétricas 2G, 3G e 4G (sinal de rede); serviço de voz – acessibilidade do serviço telefónico móvel; e serviços de dados – acesso ao serviço de Internet móvel.

Os resultados mostram que: Em relação à qualidade da cobertura, no global, em 7% dos valores registados esta é “Inexistente” ou “Muito Má” ou “Má” (a contribuição para este valor por operador é de: 47%, no caso da MEO; 38% no caso da NOS; 15% no caso da Vodafone).

No serviço de voz, os desempenhos apresentam resultados quanto à acessibilidade (estabelecimento de chamada) de 94% para a MEO, 95% para a NOS e 99% para a Vodafone, ou seja, em termos globais não foi possível estabelecer chamadas de voz em 4% das tentativas de chamada. Nos casos em que foi possível estabelecer chamadas, observou-se que em 3% deles não foi possível concluí-las com sucesso. O rácio de terminação bem-sucedida de chamadas (as que se concretizaram e se realizaram até ao fim) foi de 87% para a MEO, 95% para a NOS e de 98%, para a Vodafone.

No serviço de dados (Internet móvel), os resultados revelam algumas falhas, evidenciando que este serviço é fraco em alguns locais, com baixas velocidades de transferência de dados. A taxa de sucesso de testes de NET.mede (iniciados e concluídos) foi de 65%, 70% e 94% respetivamente, para MEO, NOS e Vodafone, ou seja, globalmente em 23% dos casos não foi possível concluir os testes de velocidade de Internet.

As velocidades médias de transferência de dados em download e upload foram, respetivamente, de 37 e 8 Mbps na MEO, 29 e 11 Mbps na NOS e 27 e 14 Mbps na Vodafone, sendo de destacar a existência de grande variação dos valores observados, fortemente dependente dos locais onde foram realizados os testes.

João Cadete de Matos, presidente da ANACOM. Créditos: mediotejo.net

Um dos pontos defendidos pelo presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, foi a existência, no futuro de roaming nacional. Caso já existissem acordos de roaming nacional em Portugal (permitindo que os clientes de qualquer um dos operadores se pudesse conectar à estação base de outro operador quando a qualidade de sinal de rede do seu operador não fosse aceitável) verificar-se-ia uma cobertura agregada de mais qualidade no concelho de Gavião.

Os piores desempenhos – quer de voz quer de dados – no concelho de Gavião verificaram-se genericamente na União de Freguesias de Gavião e Atalaia e na Freguesia de Margem.

Na localidade de Amieira Cova e em grande parte dos acessos/percursos entre Amieira Cova a São Bartolomeu e Ferraria a Comenda, praticamente nenhum operador assegura serviço.

Nas localidades de Areia, Vale Pedro Dias, Vale da Feiteira, Monte dos Pereiros, Vale da Madeira e Degracia Fundeira, apenas um operador assegura serviço (voz e/ou de dados).

Os melhores desempenhos verificam-se em algumas zonas residenciais de Gavião, Comenda e Vale de Bordalo (em Margem, aliás a única localidade em todo o concelho onde as três operadoras apresentam disponibilidade da rede e acessibilidade ao serviço voz e dados).

ÁUDIO | DIRETOR-GERAL DE SUPERVISÃO DA ANACOM, VITOR RABUGE

João Cadete de Matos explicou ao nosso jornal que, embora a ANACOM tenha realizado, até ao momento, estudo semelhante a 15 dos 308 municípios portugueses, a situação é, em todo o País, muito análoga; isto é, boa cobertura onde há muita gente e pouca cobertura ou nenhuma onde a população é menor. Vinhais, em Trás-os-Montes, é o concelho que revelou pior desempenho.

Vitor Rabuge apresentou, ainda, o serviço de Internet por satélite, que permite colmatar a ausência de cobertura de banda larga em zonas mais remotas ou cuja orografia é mais complexa.

Município de Gavião reúne com ANACOM para debater qualidade das comunicações no concelho. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, a administradora da ANACOM, Patrícia Silva Gonçalves, fez uma apresentação relativa às zonas brancas, explicando o seu conceito, os objetivos prosseguidos pela Autoridade Nacional com a consulta pública lançada sobre o tema, por solicitação do Governo, e entretanto encerrada, tendo em vista o lançamento de um concurso pelo Governo para assegurar a cobertura destas zonas com fibra ótica.

Essa cobertura, que visa promover a coesão territorial e assegurar a transição digital do país, será feita com recurso a financiamentos públicos, da União Europeia. Dois a três anos é o espaço perspetivado de investimento no âmbito desta consulta pública.

O que está em causa é implementar uma cobertura de rede fixa a 100% nas designadas áreas brancas, que, atualmente, abrangem um universo de 286 mil alojamentos familiares de residência habitual.

A consulta pública insere-se ainda num objetivo mais alargado a nível da União Europeia, de garantir a cobertura de todos os agregados familiares por redes Gigabit até 2030.

ÁUDIO | ADMINISTRADORA, PATRÍCIA GONÇALVES

Já o presidente da ANACOM falou da expectativa de “profunda mudança” no panorama das telecomunicações em Portugal, na sequência da implementação do 5G, e do concurso para cobrir com fibra ótica as zonas brancas. 

As referidas zonas brancas no mapa de Portugal continental. Créditos: mediotejo.net

As obrigações de cobertura foram, deste modo, um dos fatores destacados na apresentação. Ou seja, segundo o presidente da ANACOM os operadores têm de cobrir, até final de 2023, 75% da população e 95%, até 2025, em zonas de baixa densidade, com o mínimo de 100 MG bytes. João Cadete de Matos voltou a salientar a importância da partilha de investimento entre operadores e do roaming nacional para melhorar a cobertura do país e prestar um melhor serviço aos consumidores.

Abordou igualmente as condições de entrada dos novos operadores com o leilão do 5G, uma das áreas mais criticadas, com os operadores nacionais a acusar a ANACOM de estar a promover apoios do Estado a novas empresas. Destacou que do leilão do 5G resulta a entrada de novas empresas no mercado, “com impacto ao nível da concorrência”, da qual poderá decorrer a “existência de mais e melhores ofertas, em termos de inovação, qualidade e preço, o que é relevante, uma vez que Portugal é dos países da União Europeia com preços mais elevados da Europa”.

João Cadete de Matos apontou ainda como solução, a Internet por satélite, para ultrapassar a falta de cobertura de banda larga.

Município de Gavião reúne com ANACOM para debater qualidade das comunicações no concelho. Créditos: mediotejo.net

ÁUDIO | PRESIDENTE DA ANACOM, JOÃO CADETE DE MATOS

Para o município de Gavião, esta apresentação, foi uma oportunidade de reforçar “a urgência e pertinência” da ANACOM junto dos operadores de telecomunicações, para a melhoria das redes, de modo a colmatar as deficiências ou mesmo falta de cobertura das redes móveis ou fibra ótica no concelho de Gavião.

A sessão contou com a presença do presidente da câmara do Gavião, José Pio, vereadores do executivo municipal, e membros das juntas de freguesia do concelho: Comenda, Belver, Gavião e Atalaia, e Margem.

Além dos problemas de falta de cobertura e da qualidade do serviço, os autarcas salientaram os problemas decorrentes da existência de períodos de fidelização que impedem a mobilidade dos consumidores. O presidente da ANACOM, reconhecendo as dificuldades que daí decorrem, lembrou que o processo de transposição da diretiva comunitária, ou seja, do Código Europeu das Comunicações Eletrónicas, está atrasada, e considerou “importante resolver o problema das fidelizações, contando que o novo parlamento considere o assunto prioritário”.

Município de Gavião reúne com ANACOM para debater qualidade das comunicações no concelho. Créditos: mediotejo.net

A passagem de cabos nas fachadas e a proliferação de postes também foram temas abordados pelos representantes das Juntas de Freguesia, nomeadamente o facto de os operadores não retirarem os cabos quando estes não estão a ser utilizados.

Por último a diretora do Gabinete de Comunicação da ANACOM, Ilda Matos, apresentou o programa CEF2Digital, destinado a apoiar projetos de investimento na área da conetividade digital, e ao qual as autarquias e empresas podem candidatar-se até 20 de abril.

ÁUDIO | DIRETORA DE COMUNICAÇÃO, ILDA MATOS

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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