A mostra foi inaugurada no sábado, 5 de maio, e representa uma coletiva de arte que vinha a ser preparada pelo artista plástico maçaense Carlos Saramago há um ano e deveria ter estado patente no mês de abril. O agravar da situação de saúde, e consequente morte de Carlos Saramago, fez alterar o plano inicial mas, ainda assim, o “Reencontro” foi possível e através da arte aconteceu.
Na inauguração da mostra coletiva de pintura, o presidente de Câmara de Mação, Vasco Estrela, lembrou o malogrado artista conhecido como o ‘Pintor de Mação’: “Estamos a cumprir um desejo do Carlos de há mais de um ano. Aos seus dois amigos agradecer terem ajudado a cumprir este desejo. É um prazer e um gosto”, afirmou.
Já XicoFran referiu não ter sido fácil, de tão emotivo, estar a inaugurar a mostra sem Saramago, embora tenha sentido que “ele está aqui connosco. Foi um surrealista pleno e é surreal estar aqui hoje a concretizar algo que queria. Isso deixa-me contente”.
Belacqua, por seu turno, mencionou que “em abril, de há um ano, começámos a pensar esta exposição com o Carlos mas o Carlos não está cá hoje nem estará daqui a um mês em Milão, mas é uma honra estar aqui e desejo que, como disse o Xico, ele esteja aqui”. Relevou ainda o facto de a Câmara Municipal ter homenageado o artista surrealista em vida.
Também presente na iniciativa esteve Carla Gomes, viúva de Carlos Saramago, que fez vários agradecimentos, acima de tudo ao marido, mas deixando a indicação de que vai agradecer o resto da vida a amizade do autarca Vasco Estrela para com o seu companheiro de vida.
Carla disse ainda sentir que o marido a acompanha, seguindo atrás de si a dar-lhe força, e que nos próximos anos se vai dedicar a cumprir os sonhos e objetivos que Carlos Saramago tinha traçado.
Recorde-se que o pintor Carlos Saramago faleceu no dia 25 de fevereiro de 2023. No início do mesmo mês, a Câmara Municipal de Mação deliberou dar o seu nome à Galeria do Centro Cultural Elvino Pereira e nomeou-o Embaixador para a Arte do Concelho de Mação.
“O humilde e persistente «Pintor de Mação» foi o primeiro a ser condecorado com este título num derradeiro momento de afirmação do orgulho do seu concelho para com o Homem e a sua Arte. Será sempre uma figura de referência no movimento surrealista em Portugal”, frisa a autarquia.
A exposição é composta por obras Carlos Saramago, Santiago Belacqua e Francisco Fernandes (Xicofran), e fica patente ao público até dia 31 de maio.
Francisco Fernandes, que assina como Xicofran, é considerado um dos grandes talentos no mundo artístico da sua geração. Conhecido como o “Pintor do Jazz” nasceu em Luanda, Angola, em 1969. Xicofran coloca na ponta dos seus dedos toda a sua paixão pelas coisas mais simples do nosso quotidiano, criando verdadeiras obras-primas que puxam do mais puro do nosso subconsciente, uma intensa curiosidade que culmina, sempre, com um incontrolável sorriso.
Uma das características mais marcantes e reconhecida na sua pintura, é a forma, como consegue representar o movimento preconizado pela silhueta de um músico, mais concretamente do músico de Jazz, transpondo para a tela o arrastamento dos gestos e toda a vibração dos instrumentos, temática o qual domina com um cunho muito pessoal e muito característico e cuja técnica e traço é já reconhecida mundialmente.

Integra também esta coletiva de arte o artista plástico Santiago Belacqua, natural de Vila Nova de Famalicão. Em 2010, e após um processo extraordinariamente traumáutico, a pintura começa aos poucos a ganhar sentido. É na cama do hospital e já em franca recuperação que surge a necessidade de pintar. Contudo, ainda persistiam muitas dúvidas em relação ao percurso a seguir.
A sua formação base era, até então, na área da gestão. Começa então a fotografar o património arquitetónico à volta de Braga e cria o seu primeiro conceito: “Portugal Monumental”, um cruzamento da fotografia com a pintura e com as artes plásticas. Ainda em 2013, é convidado para criar duas peças para o Papa Francisco. As peças foram entregues e a obra ganhou uma outra dimensão, resultando daí uma forte afirmação do Artista no universo da Arte Sacra.
É neste ano que faz a sua primeira exposição na Torre de Menagem de Braga. Daqui, resulta um convite para expor na Assembleia da República no ano seguinte (2014). Em 2016 é convidado para expor no Museu Pio XII em Braga com a obra “Cristo suspenso” e no seguimento levaria a coleção “Pietá” (2017) mais do que uma vez ao mesmo espaço. A partir daqui o Artista tem-se dedicado exclusivamente à arte sacra. Em 2018 a obra “Santissíma Trindade” (em forma de pintura) é apresentada na I Bienal de Arte Sacra Contemporânea em Braga. O resultado deste extraordinário percurso culminou com um convite para expor no Vaticano sendo o primeiro pintor português a expor ali.
“Com pinceladas únicas, cada uma das obras expostas irá entrar em diálogo com as restantes, numa sucessiva narrativa nua e crua de sentimentos, ideias, sonhos e concretizações. Será certamente uma miscelânea de arte intensa e única, rica e exuberante nas suas mais diversas manifestações”, até porque, já dizia Carlos Saramago, “A arte não se inventa. Ela nasce e parece não ter fim”.







