Rancho de Alviobeira assinala aniversário com Gala dedicada a 50 anos de Abril. Foto: Luís Ribeiro

Com a Gala de Aniversário no passado dia 27 de abril, no Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira (CRCA) deu-se por encerrada as comemorações do trigésimo sexto aniversário do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, do concelho de Tomar.

“Foi mais um abril intenso, trabalhoso, exigente e cansativo, mas muito prazeiroso e cheio de possibilidades de fazer diferente e fazer bem. Para nós o palco é sempre um lugar mágico, sagrado no qual queremos deixar o melhor de nós. Pouco importa o seu tamanho, estrutura, o local, o foco, a entrega é sempre a mesma”, indica a direção do Rancho.

“Até ao brilho do palco o trabalho é árduo,  difícil, longo, delicado, exige esforço (não só físico como de alma) dos quase cinquenta componentes deste Rancho”, pode ler-se na mesma nota, que realça que a Gala deste ano “foi uma homenagem aos nossos avós e bisavós” e “percorreu vários acontecimentos e momentos marcantes da sua vida”.

Rancho de Alviobeira assinala aniversário com Gala dedicada a 50 anos de Abril. Foto: Luís Ribeiro

“Memórias dos  avós que tivemos e nos marcaram a vida, essas mulheres e esses homens, de outra época e de diferentes contextos, de quem fomos netos e que nos ajudaram a ser gente. O país onde nasceram, pouco depois do século passado, era muito diferente do Portugal que temos hoje. Os nossos avós e bisavós comeram o pão que o diabo amassou”, realça a nota informativa relativa à Gala de aniversário.

“Passaram fome, privações,  comeram meia sardinha para um pedaço de pão. Passaram por duas guerras Mundiais, viram morrer familiares devido à gripe pneumónica, viram os seus filhos partir para guerra do Ultramar, ficaram sozinhos quando os filhos emigraram à procura de melhores condições de vida e viveram numa ditadura durante mais de quatro décadas”, indica o Rancho de Alviobeira, nesta homenagem aos seus antepassados.

“Durante anos a fio não tiveram luz elétrica, nem abastecimento de água. A iluminação era feita com o candeeiro a petróleo, a água era trazida num cântaro à cabeça das mulheres da fonte ou do poço. O dia começava antes do sol nascer e terminava quando ele se ponha. Cuidavam da terra, dos animais, da casa, dos filhos, dos netos”, ilustra a mesma nota, dando conta, no entanto, que tal não impedia a música e a dança.

“Uma vida difícil não impedia a alegria, a vontade de cantar e bailar. A música sempre fez parte da vida dos nossos antepassados. Sem aulas de música, nem de solfejo, aprendiam a tocar vários instrumentos musicais e a cantar de forma impressionante. Na aldeia os bailes animavam a vida das gentes e nesta gala foi recordada pela Valsa Salteada interpretada pelo Filipe no seu violino e dançada pelos componentes do Rancho”.

“Esta Gala foi sem dúvida uma viagem pelo século passado, com especial atenção à década de setenta, não estivéssemos nós a comemorar cinquenta anos do 25 de abril. Falou-se ainda da luta pela igualdade das mulheres, e pela conquista de direitos básicos, como o direito ao voto, à educação e ao trabalho igualitário”.

“O poder das mulheres foi representado, pela força da dança e da palavra e homenageou as mulheres que lutaram por uma sociedade mais justa e igualitária, embora ainda haja muito a ser feito”, conclui a nota relativa a uma Gala aplaudida de pé e um aniversário muito saudado pela população.

Fotogaleria/Luís Ribeiro:

*Texto: RFE Alviobeira

Natural e residente em Tomar, tem como profissão Distribuidor, mas é com a fotografia que se identifica. É amante desta arte em geral, mas a sua verdadeira paixão é a Natureza e Vida Selvagem e os Retratos. É autor do livro de fotografia “Alma Nabantina” e fundador/administrador dos grupos do Facebook “Amigos da Fotografia de Tomar” e "Fauna de Tomar”. Colabora na área de fotografia na imprensa regional e local e já em 2018 foi júri convidado de dois concursos de fotografia. Neste ano conta também com duas exposições de fotografia coletivas, preparando atualmente a terceira.

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1 Comment

  1. Se o trabalho do L Ribeiro é excepcional o do RfeAlviobeira também o é.
    Parabéns também ao MédioTejo, excelentes na divulgação.
    Pena que no concelho estes eventos únicos não tenham a visibilidade e apoios que deviam . A CmT olha pouco a norte…

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