21 de maio de 2016, 17 horas, Almeirim
Taça de Futsal da Associação de Futebol de Santarém – Final
Clube Desportivo “Os Patos” 6 – Clube Andebol São Vicentense 5
Final da Taça de Futsal da AFS, entre dois emblemas já velhos conhecidos do Futsal disitrital. De um lado os abrantinos, atuais detentores do Troféu em disputa, que entravam neste jogo com a ambição de juntar a Taça ao Campeonato e Supertaça nesta época, enquanto que os homens de São Vicente do Paul, vice-campeões distritais, jogavam para conquistar a primeira Taça.
Talvez por ser a festa final do Futsal distrital seria de esperar mais gente nas bancadas, mas a que se deslocou a Almeirim foi sempre muito ruidosa no apoio à sua equipa.
O jogo começa com a um bom ritmo com a equipa do São Vicentense a ter uma atitude muito forte, disputando cada bola como se da última se tratasse e isso pareceu-nos que apanhou de surpresa a equipa dos Patos. Diga-se já, que o jogo foi até perto dos segundos finais, muito “rasgadinho” de parte a parte. Os lances de ataque iam surgindo junto das duas áreas, por processos diferentes. Os homens do concelho de Santarém mais rápidos sobre a bola e mais verticais, querendo chegar muito depressa à área contrária, enquanto os rossienses com um futsal mais trabalhado, mais pausado, iam tentando abrir, com constantes trocas de lado da bola, a defensiva contrária. A impetuosidade colocada em quadra, por ambas as equipas e algum nervosismo da dupla de arbitragem, em especial de João Oliveira, fez que com ao quinto minuto jogado já os Patos tivessem 5 faltas averbadas e o adversário 2.
Antes da 5ª falta dos rossienses a equipa do São Vicentense inaugura o marcador por Pedro Cruz. Jogada construída por Fábio Pires na direita e à entrada da área, já sem Cartaxo na baliza, coloca no centro em Pedro Cruz que atira a contar. Cinco minutos jogados, São Vicentense na frente do marcador, estavam lançados os dados para um tarde animada de Futsal.

O golo dos vermelho e brancos teve o condão de abrir a partida. Os Patos em desvantagem tiveram que subir linhas, pressionar um pouco mais alto e isso fez com que aparecessem mais espaços na sua zona defensiva que iam sendo bem aproveitados pelos contrários. Segundos após o golo, Fábio Pires na cara de Cartaxo atira para fora, perdendo flagrante oportunidade para dilatar a vantagem da sua equipa, respondendo os Patos por Hugo Bonacho, num remate de fora da área a obrigar João Rodrigues a mostrar a sua qualidade.


A faltar 13.37 minutos para jogar é novamente Fábio Pires a mostrar alguma desacerto na finalização, pois só com o guarda-redes pela frente não faz melhor que acertar em cheio em Cartaxo. Passados 4 minutos (9.26) para jogar, é a vez do São Vicentense ficar com a 5ª falta e ia ser de uma falta a meio campo (muito contestada pelos homens de São Vicente do Paul) que deu origem a um pontapé livre direto sem barreira, que Ricardo Felício iria abrir a conta dos Patos e a sua em particular. Eram decorridos 12 minutos de jogo.


Com o empate no marcador o ritmo do jogo baixo ligeiramente, embora nos últimos cinco minutos tenham havido lances dignos de realce, tal como uma batalha ganha, no 1 para 1, por João Rodrigues a Gonçalo Santos, um livre direto sem barreira para o São Vicentense, que Fábio Pires atira por cima, e o mais importante, o golo do 1-2 para o São Vicentense. Bonita jogada de ataque do vermelho e brancos, Fábio Pires isola de calcanhar Carraça, este em boa posição remata contra o peito de Cartaxo, mas a bola ressalta para Oliveira que atira para o fundo da baliza deserta, com o marcador a indicar três segundos para jogar.



Com 1-2 no marcador ao intervalo e atendendo ao que se tinha visto, era esperado uma segunda parte eletrizante. E foi…
Os segundos vinte minutos começam com Alexis a desperdiçar o empate e como quem não marca sofre, Fábio Pires aumenta a vantagem dos escalabitanos (1-3), terminando aos 2 minutos, uma jogada bonita de envolvimento que Bataguas tinha começado. Começava a perceber-se que as coisas não iam ser fáceis para os abrantinos. Se coletivamente as coisas não estavam a sair como desejado, talvez por um rasgo individual fosse possível inverter a situação. E foi..


Com o marcador a mostrar 17 minutos para jogar, Ricardo Felício inicia um “show” individual. O primeiro aviso ainda foi parado por João Rodrigues, mas um minuto depois de pé esquerdo faz o 2-3, num remate de longe, colocando a bola na “gaveta”. Três minutos volvidos (13 para jogar) marca um golo de levantar qualquer pavilhão. Se o segundo tinha sido um pontapé espetacular, este ainda o foi mais. Para além de colocação, ainda levava uma tal força que o guardião do São Vicentense nada conseguiu fazer para o deter.
Novo empate, nova diminuição de ritmo, mas nesta caso por culpa das duas equipas. Se os Patos tinham que respirar para recuperar o fôlego que tiveram que despender para chegar à igualdade, no São Vicentense começava a notar-se o “pagar da fatura” do ritmo jogado até então.

Com o jogo mais lento e mais fechado, a 6.43 para jogar, foram os homens do concelho de Santarém que voltaram à vantagem noutro golo de belo efeito, desta vez apontado por Rodrigo. O azar do São Vicentense foi que 20 segundos após ter chegado à vantagem, Os Patos terem voltado a empatar por Ricardo Felício na cobrança de uma grande penalidade.

O momento do jogo acontece a quatro minutos do fim, quando o inevitável Ricardo Felício faz o 5-4 e colocando os Patos pela primeira vez na liderança do marcador. Quanto a nós o jogo terminou. Porquê? Porque a experiência dos rossienses veio a de cima. Começaram a controlar as posses de bola e o tempo de jogo, obrigando o já desgastado adversário, a desgastar-se ainda mais na procura da bola e a cometar algumas faltas na ânsia de chegar ao empate. Essas faltas deram lugar a dois livres diretos sem barreira, no primeiro, Ricardo Felício atira ao poste, perdendo o seu sexto golo e o sexto golo dos Patos, e no segundo, a dois minutos do fim e quando o São Vicentense já jogava com guarda-redes avançado, Bruno Oliveira faz o 6-4.


Com dois minutos para jogar pensou-se que a questão estava “arrumada” mas um desentendimentos entre Alexis e o seu guarda-redes, fez com que a bola terminasse no fundo da baliza dos Patos, rematada por Oliveira (do São Vicentense).
Faltavam 75 segundos para jogar, o que no Futsal é uma eternidade e podia ter havido nova mexida no marcador e empate, não fosse por duas vezes, Vitor Cartaxo ter negado o golo aos vermelho e brancos.

Em suma, no jogo jogado, não se pode dizer que os Patos tenham sido muito superiores ao adversário. Foram mais eficazes, erraram menos e nos duelos individuais foram superiores. Também estiveram mais concentrados, não perdendo, dentro da quadra, o foco no que era importante, com o ruído que a contestação sobre a arbitragem, ia trazendo das bancadas e dos bancos. Quando em vantagem veio ao de cima a experiência que “congelou” o jogo. Houve um homem inspiradíssimo que fez toda a diferença, Ricardo Felício.


O destaque individual vai todo para o homem que decidiu o jogo, Ricardo Felício, mas não podemos deixar de enaltecer João Rodrigues, Fábio Pires, Oliveira e Pedro Cruz (São Vicentense) e Alexis, Dito, Gonçalo Santos e Bruno Oliveira (Patos).

Quanto à outra equipa em campo, a de arbitragem, pareceu-nos a mais nervosa nos primeiros 10 minutos de jogo, em especial João Oliveira que deu um autêntico recital de apito, apitando a quase tudo, originando contestação nos bancos (que o seu colega do outro lado teve que aturar) e que rapidamente se estendeu às bancadas. Erraram para ambos os lados, não prejudicando, em nossa opinião ninguém em especial, não mostrou foi ter (ainda) mão para jogos com este tipo de responsabilidade e ambiente, apesar da muita contestação do São Vicentense. Nos lances que originaram os livres diretos pareceram-nos bem e na grande penalidade, não há margem para contestação. Mostraram por dez vezes o cartão amarelo, não tendo mesmo assim, mostrado as vezes necessárias. Foram permissivos a nível disciplinar, em especial com os dois bancos. Num pavilhão onde não há vedação a separar os bancos da quadra, há que manter alguma ordem junto aos mesmos e não permitir a “anarquia” que vingou durante algum tempo.
Nota final para as cenas menos próprias que vimos na bancada, que originaram a intervenção da força de segurança presente. Não entre claques mas em contestação das decisões da dupla de arbitragem. Mais irracional nos pareceu a atitude de um pai muito focado em mostrar a sua indignação verbal e gestual, chegando quase a vias de facto junto da vedação, mesmo com o filho (criança não com mais de 7 anos) agarrado às suas pernas a chorar por ver o pai naqueles propósitos, que exemplo…!!!

Ficha do jogo
Pavilhão Alfredo Bento Calado
Árbitros: Cláudio Bica e João Oliveira
Cronometrista: André Mateus

CD “Os Patos”
Cinco Inicial: Vitor Cartaxo, Pedro Rosado, Bruno Oliveira, Gonçalo Santos e Alexis
Outras opções: Diogo Duarte, Rafael Cardoso, Fábio Farinha, Hugo Bonacho, Nuno Silva, Ricardo Felício e Dito
Treinador: João Paulo

CA São Vicentense
Cinco Inicial: João Rodrigues, Fábio Pires, Carraça, Oliveira, Pedro Cruz
Outras opções: Armando, Rodrigo, Bataguas, Tiago e Alex
Treinador: Ricardo Mesquita

Marcadores: Ricardo Felício (12′, 24′, 27′, 34′ e 36′) e Bruno Oliveira (38′) ; Pedro Cruz (5′), Oliveira (20′), Fábio Pires (23′), Rodrigo (33′) e Oliveira (39′)
Cartão Amarelo: Pedro Rosado (3′), Ricardo Felício (8′), Bruno Oliveira (18′), Gonçalo Santos (30′) e Dito (37′) ; João Rodrigues (6′), Carraça (10′), Fábio Pires (32′ e 37′) e Pedro Cruz (34′)
Cartão Vermelho: Tiago (38′)

Após o “apito” final:







