Carvalhos de Figueiredo apurou-se para a final da Taça do Ribatejo. Foto: mediotejo.net

CLUBE DESPORTIVO OS PATOS 2 – ACR CARVALHOS DE FIGUEIREDO 3
(4-5 nas grandes penalidades)
Taça do Ribatejo – meia final – 2ª mão
Pavilhão Municipal do Pego – 12-03-2022

Depois da vitória da equipa de ‘Os Patos’ em Carvalhos de Figueiredo na primeira mão por 3-4, a equipa do concelho de Tomar deslocou-se ao Pavilhão Municipal do Pego, morada habitual da equipa rossiense, obrigada a ganhar por mais de um golo para carimbar automaticamente o passaporte para a final da Taça do Ribatejo. A vitória dos visitantes por apenas um golo de diferença lavaria as equipas para a marca das grandes penalidades.

O Pavilhão apresentava uma boa moldura humana, com alguns (poucos) adeptos a viajarem de Carvalhos de Figueiredo e onde pontificava a equipa de juniores de Os Patos que acabava de reconquistar, em Minde, a Taça do Ribatejo no seu escalão etário.

Juniores que conquistaram a Taça em apoio aos mais velhos.

Com duas equipas com valor e um resultado tangencial a transitar da primeira volta, era expectável que ambos os conjuntos se rodeassem de cautelas defensivas, espreitando uma ocasião de contra atacar. Os Patos, a jogar em casa e por cima na eliminatória, assumiram as despesas do jogo perante um Carvalhos de Figueiredo mais expectante, colocando o foco em defender com segurança.

Ainda assim coube-lhe a primeira oportunidade de golo quando, numa reposição lateral, Filipe Barnabé foi até à área rematar ao poste da baliza de Miguel Antunes. Jogava-se o sexto minuto. Responderam os da casa à passagem dos dez minutos com um remate de Bernardo Bonacho que João Domingos desviou para fora.

Visitantes apostaram na segurança defensiva.

Aos 12 minutos uma boa combinação de Bernardo Bonacho para Farinha obrigou a defensiva visitante a especial atenção. O Carvalhos contra atacou com João Domingos a assistir Filipe Barnabé. O guarda redes rossiense agarrou e lançou o contra golpe com Gonçalves a rematar para fora.

Aos 17 minutos Os Patos ficaram muito perto de inaugurar o marcador. Farinha assistiu Bruno Oliveira na perfeição. Falhou o desvio por milímetros. Dois minutos passados e foi André Francisco a levar o esférico até à área da equipa rossiense. Rematou ao lado.

Responderam Os Patos e um corte deficiente deixou Bernardo Bonacho na cara de Cláudio Cobra. O remate perdeu-se pela linha de fundo.

Guarda redes visitante colocado à prova.

O jogo estava vivo com as equipas a “negociarem” o resultado, com um ligeiro ascendente ofensivo da equipa da casa, assumindo o favoritismo. O minuto 21 veio trazer ao jogo o protagonismo de ambos os guarda redes.

Alain Moreira assistiu José Monteiro e só a enorme defesa de Miguel Antunes evitou que o marcador funcionasse. Na resposta Bernardo Bonacho encarou Cláudio Cobra que respondeu ao nível do seu adversário na outra baliza. Duas enormes defesas a darem brilho a um jogo agradável de seguir.

Guarda redes brilharam a grande altura.

Logo a seguir um lance escusado poderia ter subtraído ao jogo um dos seus melhores intérpretes. Bernardo Bonacho, derrubado por Alain Moreira, respondeu com destempero e só a boa vontade do árbitro Alexandre Conde o manteve em jogo. Optou por uma salomónica repartição de admoestações verbais.

Entretanto Bruno Oliveira rematou à malha lateral da baliza dos tomarenses e Hélder Rodrigues, não satisfeito com a ineficácia da sua equipa, pediu uma pausa técnica.

No recomeço, Ricardinho tentou a meia distância para defesa fácil de Cobra que lançou o rápido conta golpe. O remate de José Monteiro passou ao lado. Recuperada a posse da bola pelos visitantes, Hugo Melo, com o guarda redes Miguel Antunes no chão, rematou rente ao poste. Grande perdida…

Carvalhos de Figueiredo tentou lançar vários contra ataques.

O Carvalhos de Figueiredo não perdia nenhuma ocasião para tentar surpreender Os Patos. Aos 29 minutos Mário Capela tirou o marcador direto do caminho e obrigou Miguel Antunes a defesa instintiva para canto. Na resposta, Ricardinho rematou forte e Cobra cedeu canto. Na transformação Oliveira obrigou o guarda redes a nova intervenção de qualidade.

À meia hora de jogo Hugo Bonacho tentou um chapéu ao guarda redes Cláudio Cobra mas saiu muito por alto. Já perto do final do primeiro tempo, Duarte Catarino serviu Gonçalves que rematou contra a cortina defensiva do Carvalhos de Figueiredo.

Farinha rematou de todas as formas.

Ainda antes do intervalo, a equipa da casa beneficiou dum livre. Bernardo Bonacho tocou para Gonçalves que obrigou Cobra a mais uma defesa de elevada dificuldade.

Um final brilhante dum primeiro tempo que, malgrado o nulo no marcador, foi muito disputado e agradável de seguir. O empate aceitava-se bem, podendo qualquer das equipas ter marcado mais de um golo. Expectativas em alta para o segundo tempo numa eliminatória completamente em aberto.

Nulo ao intervalo deixava a eliminatória em aberto.

O nulo que se registava no recomeço servia os propósitos da equipa do concelho de Abrantes. Os visitantes tinham de fazer golos para poderem sonhar com a presença na final da competição. Entraram a todo o gás, apresentando como novidade o guarda redes Ivo Silva a defender a sua baliza.

Após Gonçalves testar a atenção de Ivo no primeiro lance do complemento, numa rápida transição o Carvalhos de Figueiredo chegou ao golo. André Francisco assistiu Diogo Graça que marcou e empatou a eliminatória.

Entrada fulgurante permitiu empatar a eliminatória ao segundo minuto do recomeço.

A equipa nabantina cresceu, perante uma equipa de Os Patos algo incrédula, e demorou apenas dois minutos para o marcador voltar a mexer. Aos 39 minutos, Mário Capela rematou contra um defesa traindo o guarda redes Miguel Antunes e colocando os visitantes a vencer por 0-2 e em vantagem na eliminatória.

A equipa de Hélder Rodrigues pareceu surpreendida com a entrada fulgurante dos seus opositores e tardou em reagir. Beneficiou duma falta em cima da linha de área, ainda se pediu penalti e na cobrança o remate saiu ao lado.

Aos 42 minutos André Francisco roubou a bola na sua zona defensiva, acreditou, foi até ao fim e num remate colocado elevou a contagem do Carvalhos para uns expressivos 0-3.

André Francisco elevou para o 0-3.

Os Patos tinham de fazer pela vida e a corrida atrás do prejuízo revelava-se dura. No recomeço Dito rematou para defesa de Ivo Silva. A partir dos dez minutos a equipa da casa começou a exercer uma enorme pressão ofensiva e começou a acumular situações de golo eminente. Oliveira rematou para defesa incompleta de Ivo e na segunda vaga Ricardinho obrigou o guarda redes a defesa de elevada dificuldade.

Farinha era dos rossienses o mais inconformado e tentou o golo de todas as formas possíveis mas Ivo ia-lhe negando essa pretensão. Até que aos 47 minutos João Domingos, num roubo de bola, rematou para defesa de Miguel Antunes que lançou o contra golpe. Hugo Bonacho não perdoou e reduziu a diferença para dois golos.

Hugo Bonacho devolveu a esperança aos Patos.

A equipa de Rossio ao Sul do Tejo começava a acreditar na reviravolta e estava a apenas um golo de empatar a eliminatória. Com a pressão a acentuar-se, aos 51 minutos, Hugo Bonacho rematou para boa defesa de Ivo Silva que se começava a mostrar determinante para um bom resultado dos visitantes.

No minutos seguinte o guarda redes voltou a superiorizar-se ao rossiense com uma defesa por instinto, com o pé, com o esférico a perder-se pela linha lateral. Na resposta dos visitantes, Alain Moreira enviou a bola ao poste, depois dum oportuno roubo de bola.

O jogo estava “vivo” e, de livre, Os Patos estiveram perto de marcar. Hugo Bonacho deixou para o remate de Oliveira que saiu por cima do travessão.

Grande pressão da equipa da casa.

Já dentro do último quarto de hora o jogo ganhou dramatismo e a incerteza do resultado entusiasmava os adeptos de ambos os clubes. Aos 57 minutos Ivo Silva teve uma iniciativa de ataque mas perdeu no confronto com o seu colega da baliza contrária que tentou alvejar as redes desertas mas atirou ao lado.

Entretanto Hugo Bonacho desentendia-se com Hugo Melo tendo o árbitro Alexandre Conde exibido a cartolina amarela a ambos. Hugo Melo iria tentar a sorte da meia distância obrigando o guarda redes contrário a ceder canto.

Em cima da hora de jogo Farinha rematou forte para defesa incompleta de Ivo Silva e na emenda Duarte Catarino reduziu a expressão do marcador e empatou a eliminatória.

A equipa rossiense porfiou e empatou a eliminatória.

Sabendo-se que com a eliminatória empatada, independentemente dos golos marcados fora, no final do tempo regulamentar haveria lugar à marcação de grandes penalidades, essa solução parecia não agradar a nenhuma das equipas. A aposta era vencer dentro dos 70 minutos regulamentares, fugindo à lotaria das penalidades.

Após pausa técnica pedida por Hélder Rodrigues, Mário capela rematou forte mas para fora. Reconquistada a bola para o Carvalhos de Figueiredo, o veterano André Francisco pareceu ser derrubado por trás sem que a equipa de arbitragem se manifestasse. O guarda redes da equipa da casa saiu a jogar tendo sofrido falta dura. A título de compensação também nada foi assinalado, gerando algumas reações de desagrado.

Minutos finais marcados pelo nervosismo.

Aos 65 minutos a equipa de “Os Patos” atingiu a sexta falta numa dura entrada sobre André Francisco. Da marca de livre direto Mário Capela bateu forte para uma enorme defesa de Miguel Antunes.

Até ao final, tendo sido concedidos cerca de quatro minutos de compensação, nada se alterou e as penalidades foram inevitáveis. Hugo Bonacho foi o primeiro a tentar a transformação mas Ivo Silva negou-lhe esse intento.

O Carvalhos de Figueiredo marcou as cinco penalidades através de André Francisco, João Domingos, Luís Carrão, Hugo Melo e Alain Moreira tendo convertido para Os Patos Farinha, Gonçalves, Bernardo Bonacho e Bruno Oliveira.

Ivo Silva defendeu penalidade de Hugo Bonacho e colocou a sua equipa na final.

Com o resultado de 4-5 nas grandes penalidades, Os Patos despediram-se da presente edição da Taça do Ribatejo avançando o Carvalhos de Figueiredo para a final onde irá encontrar o CAS Vicentense que, por sua vez, afastou o CD Cercal com duas vitórias: 2-4 e 12-3. A final está agendada para o dia 14 de maio.

O Carvalhos de Figueiredo soube merecer esta vitória e consequente ida à final pela atitude inteligente de saber parar as investidas atacantes de Os Patos no primeiro tempo e ter uma reentrada fulgurante, marcando três golos em apenas cinco minutos. A boa resposta dos donos da casa revelou-se “curta”. Arbitragem com alguns erros de somenos importância, sem interferência no desfecho da eliminatória.

Festa do Carvalhos de Figueiredo no Pavilhão do Pego.

Ficha do Jogo:

CLUBE DESPORTIVO OS PATOS:
Miguel Antunes, Dito, Duarte Catarino, Gonçalves e Bernardo Bonacho.
Suplentes: Bruno Barrento, Bruno Oliveira, Duarte Fontinha, Bruno Afonso, Hugo Bonacho, Fábio Farinha e Ricardinho.
Treinador: Hélder Rodrigues.

Clube Desportivo Os Patos.

ACR CARVALHOS DE FIGUEIREDO:
Cláudio Cobra, André Francisco, Mário Capela, Hugo Melo e Diogo Graça.
Suplentes: Ivo Silva, Filipe Barnabé, João Domingos, Alain Moreira, Luís Carrão, João Venâncio, Leandro e José Monteiro.
Treinador: João Venâncio.

ACR Carvalhos de Figueiredo.

GOLOS:
Hugo Bonacho e Duarte Catarino (Os Patos); Diogo Graça, Mário Capela e André Francisco (Carvalhos de Figueiredo).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Alexandre Conde e Cláudia Rosa.

Equipa de Arbitragem: Alexandre Conde e Cláudia Rosa com os capitães.

No final fomos ouvir os treinadores das duas equipas:

HÉLDER RODRIGUES (Os Patos)

Hélder Rodrigues, técnico de “Os Patos”.

 

JOÃO VENÂNCIO (Carvalhos de Figueiredo)

João Venâncio, treinador do Carvalhos de Figueiredo.

Com David Belém Pereira (multimédia).

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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