Alcaravela, 02 de Abril de 2017, 16 horas

Campeonato Distrital de Futebol de 11 da Inatel – Delegação de Santarém

2ª Fase – Grupo E2 – 8ª jornada

Grupo Desportivo de Alcaravela 5 – Clube Cultural e Recreativo do Vale das Mós 0

Ao entrarem em campo, os homens do Grupo Desportivo de Alcaravela sabiam que poderiam resolver a questão de uma vez, no que à passagem aos oitavos de final dizia respeito, sem ter que precisar das duas últimas jornadas nem estar dependentes de resultados de terceiros para consegui-lo e foi com esse tónico que encarou esta partida.

Cedo se instalaram no meio campo adversário com sucessivos ataques por ambos os flancos e com imensos remates que iam sendo intercetados e aliviados pela defensiva bem armada da turma de Vale das Mós que, da melhor maneira que sabia e podia, lá ia dando conta do recado e adiando o golo caseiro. Houve alturas em que eram autênticos “tiros ao homem” com o esférico, caprichosamente, a não querer nada com as redes da baliza dos forasteiros sempre intercetados em cima da linha de baliza. E, quando não era a defensiva a ressachar era o poste a devolver a bola.

Mas a muralha (até aí bem construída) e a capacidade de resistência dos visitantes terminou à passagem da meia hora de jogo, quando Pedro Bento abriu o activo através de um remate colocado, desferido ainda no centro do meio campo ofensivo com o esférico a embater na trave, mas, desta vez, a entrar na baliza para suspiro dos presentes e atletas de Alcaravela. Estava (finalmente) “derrubado” o muro e aberto o caminho para a formação da casa encarar o resto da contenda com maior à vontade.

Não tardou a surgir o segundo, apenas 4 minutos depois. Eram constantes os passes para as costas da defesa de Vale das Mós com estes a subirem no terreno na tentativa de colocar os seus adversários em posição de fora de jogo. Mas, numa dessas tentativas, os cálculos não foram os melhores e João Gaspar, partindo de posição regular e apenas com o guardião adversário pela frente, não desperdiçou, rematando a contar.

E, se as coisas já estavam complicadas para a equipa que viajou do concelho vizinho de Abrantes, pior ficaram quando, em cima do apito final do primeiro tempo, Luís Campos corta com a mão uma bola que levava a direção da sua baliza. Penalty prontamente assinalado pelo árbitro Carlos Balbino e ordem de expulsão para o capitão dos visitantes. No meio de tudo isto, a equipa de arbitragem deixou escapar uma atitude menos própria de um atleta de Vale das Mós que, num ato irrefletido e com a bola já na marca dos 11 metros, chuta-a para longe ficando a devida sanção disciplinar por cumprir. Valeu-lhe a “distração” de Carlos Balbino e seus auxiliares.

Chamado a cobrar o castigo máximo, Pedro Antunes atira, algo denunciado, permitindo a defesa a Guilherme Silva que se estirou para o seu lado direito aliviando para canto, não deixando de ser uma boa defesa.

Deste modo, o Vale das Mós conseguia ir para o descanso “apenas” com dois golos de desvantagem, que castigava a ineficácia dos locais na hora de rematar à baliza. O deslumbramento perante tanta situação de golo quase feito em que no “um para um” e apenas com o guarda-redes adversário pela frente não conseguiram concretizar em números as diversas oportunidades criadas.

Mas, com um jogador a mais, previa-se uma segunda parte ainda de maior assédio por parte dos alcaravelenses e, logo no reatamento, na sequência de um pontapé de canto executado de forma exemplar, Bruno Pita – ao segundo poste e livre de marcação – encosta de cabeça para o terceiro tento, vantagem que dava maior tranquilidade para os 35 minutos que ainda faltavam jogar.

Poucas foram as vezes em que o Vale das Mós conseguiu inportunar o último reduto dos visitados. Numa dessas raras vezes, aos 46 minutos de jogo, Abel Pires remata forte mas ao lado, com a bola a passar muito perto do poste direito da baliza à guarda de Pedro Duque, até aí, um mero espetador.

Após este terceiro golo do Grupo Desportivo de Alcaravela, o embate entrou numa toada (ainda) mais morna com os atletas de ambas as formações a entenderem muito bem que estava encontrado o vencedor, restava saber quais os números finais, isto porque os comandados de Ricardo Martins (que acabou por entrar na partida numa tentativa de mexer com o jogo da sua equipa) pouco discernimento mostraram ao longo de toda a partida.

Com doze minutos decorridos no segundo tempo (52 no total) o jogador Rui Serras do Alcaravela recebe ordem de expulsão após uma entrada fora de tempo sob um adversário, atingindo-o, situação sem contestação. A partir desse momento, ambas as equipas passavam a jogar com 10 elementos.

O calor que se fez sentir neste domingo ia desgastando cada vez mais com alguns protagonistas a evidenciarem nítido cansaço. Por parte do Alcaravela ainda ia dando para fazer rodar alguns atletas do banco, mas até nesse campo, o Vale das Mós se apresentou desfalcado e nada podia fazer senão esperar pelo final do prélio.

Na entrada para os últimos minutos, a formação da casa intensificou um pouco mais a sua pressão, aproveitando o desgaste físico e emocional dos adversários e não foi difícil adivinhar o avolumar do resultado.

André Lobato, na transformação de uma grande penalidade aos 70 minutos e Daniel Marques aos 75 com um remate em balão fizeram o resultado final, com a jornada a terminar com nova expulsão, desta vez a de Flávio Francisco do Vale das Mós por conduta menos própria para com os elementos da arbitragem que mostraram um trabalho sempre sereno ao longo da partida.

Quem olhar para a Ficha de Jogo e reparar nos três cartões vermelhos mostrados poderá associar este jogo a algo viril ou de que se tratou de uma “batalha campal”, mas não foi nada disso que ocorreu, antes pelo contrário. Os “casos” foram sendo resolvidos com a sobriedade e elevação que se pede a um embate entre pessoas civilizadas.

No final da disputa, e em conversa com os intervenientes, é natural que Ricardo Martins se mostrasse algo desconte para com o trio de arbitragem nomeado para este despique tendo Vitor Pissarreira, por parte do Alcaravela, destacado a vitória e a passagem (inédita) do clube aos oitavos de final da prova algo que há muito já procurava.

Perguntando-lhe se o jogo do próximo domingo com o Venda Nova (um dérby sardoalense a ser disputado na sede de concelho) era apenas um embate entre amigos propício para fazer a festa (recorde-se que o Venda Nova também conseguiu passar à fase seguinte), o experiente atleta de Alcaravela foi peremptório em dizer que “não porque há pontos em disputa” e que, apesar de garantida a passagem à próxima fase, ainda há que escalonar as equipas em termos classificativos, factor determinante para o sorteio da fase a eliminar com jogos a serem disputados apenas a uma mão em sistema de “mata-mata”, um termo já bem conhecido no meio futebolístico.

O Alcaravela foi um justo vencedor e por números expressivos numa partida onde o Vale das Mós apresentou-se dignamente mas com poucos argumentos para contrariar o poderio ofensivo dos locais.

Ficha do jogo

Campo de Jogos de Santa Clara (Alcaravela / Sardoal)

Árbitro: Carlos Balbino

Árbitros Assistentes: Rui Oliveira e José Bento

G.D. Alcaravela

Pedro Duque (cap.), Rui Serras, Daniel Marques, Pedro Bento, Victor Pissarreira (Daniel Gonçalves), Pedro Antunes (Fábio Pita), Bruno Gaspar, Bruno Pita, Tó-Zé Serras (Jorge Pedro), João Gaspar e Andé Lobato

Suplentes: Fábio Meneses, Jorge Pedro, Fábio Pita e Daniel Gonçalves

Treinador(es): Pedro Duque, Rui Serras e Tó-Zé Serras

C.C.R. Vale das Mós

Guilherme Silva, Bernardo Gomes, Luís Campos (cap.), David Pascoal, Flavio Francisco, Abel Pires, Tiago Paulos, João Esteves (Ricardo Martins), Wanderson Sousa, Diogo Lopes e Rui Fernandes

Suplentes: Luís Palheiro e Ricardo Martins

Treinador: Ricardo Martins

DISCIPLINA:

Cartões Vermelhos:

G.D. Alcaravela: Rui Serras (52’)

C.C.R. Vale das Mós: Luís Campos (40’) e Flávio Francisco (78’)

Marcadores:

G.D. Alcaravela: Pedro Bento (30’), João Gaspar (34’), Bruno Pita (45’), André Lobato (70’ gp) e Daniel Marques (75’)

José Belém

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

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