Venda Nova faz o seu 2º golo por Diogo Marques

Futebol: Venda Nova vence (mas não convence) num jogo daqueles em que até o Hitchcock teria adorado

Sardoal, 13 de Março de 2017, 15 horas

Campeonato Distrital de Futebol de 11 da Inatel – Delegação de Santarém

2ª Fase – Grupo E2 – 5ª jornada

Comissão de Desenvolvimento Cultural e Recreativo de Venda Nova 3 – Casa do Povo de Rio de Moinhos 2

Há quem afirme que o futebol é uma “ciência” exata; pois – neste embate – ficou demonstrado precisamente o contrário e razão tinha aquela velha glória da seleção nacional portuguesa quando afirmou que “prognósticos, só no fim do jogo”. Com a formação de Venda Nova em vantagem por três bolas sem resposta aos 42 minutos do tempo regulamentar (já no segundo tempo, portanto) poucos acreditariam no que se iria passar no tempo restante da partida… poucos, menos os homens de Rio de Moinhos!

Toada ofensiva, desde o apito inicial, por parte dos locais (algo a que já nos habituámos nesta equipa), o assédio à baliza contrária foi uma constante, mas apenas se materializou em golo à passagem do minuto 28, quando o pequeno (de estatura) Ricardo Dias se elevou no seio da área contrária fazendo o primeiro da sua equipa para regozijo de uma plateia que enchia, por completo, o Parque Desportivo Municipal de Sardoal que, perante o que assistia, já previa esta festa, a qualquer momento.

Venda Nova alcança 1º golo por Ricardo Dias

A sequência de ofensivas da turma da pequena aldeia de Venda Nova continuou quase à cadência de minuto a minuto não deixando respirar os homens de Rio de Moinhos que, é um facto, entraram muito mal em jogo. Não tardou a chegar (como seria de esperar), o segundo dos locais que aconteceu apenas cinco minutos após o primeiro, desta feita por intermédio do dono das bolas paradas. Diogo Marques, num livre direto mesmo ao seu jeito, tirou as medidas à baliza de Rafael, colocando a bola junto ao poste esquerdo deste, não lhe dando qualquer hipótese de defesa por mais que tentasse se esticar. Bonito momento do jogo, decorria pouco mais de meia hora desta partida, em Sardoal.

Venda Nova faz o seu 2º golo por Diogo Marques

Por essa hora, tocava a sirene dos bombeiros locais o que terá feito “acordar” os atletas do concelho de Abrantes que vestiram os fatos de combate e, alargando aos poucos a sua frente de ataque, começaram a aproximar-se da área contrária não tardando a ter efeitos (quase) práticos. O possante capitão Mourato deu o primeiro sinal de aviso aos 36 minutos quando, após se esgueirar pelo lado esquerdo da forma como atacava, foi deixando toda a defesa local a assistir ao desenho do seu lance e, à entrada da área, desfere um potente remate travado apenas pelo poste direito de Nelson Santos que estaria irremediavelmente, batido.

Dois minutos depois, derrube na área do Venda Nova e, Carlos Brites não hesitou, apontando de pronto para a marca de grande penalidade, oportunidade que favorecia os forasteiros e que os poderia colocar numa posição mais confortável em termos de resultado mesmo à beira do intervalo. Só que, chamado a marcar, Mourato acerta novamente no ferro, desta vez na barra, gorando-se o tento que reduziria para um a margem de dois golos com que a Venda Nova levou de vantagem para os balneários. Momento feliz para os da casa, infeliz para os de Rio de Moinhos, em especial para Mourato que tanto procurou o golo ao longo da contenda.

Rio de Moinhos e o lance que origina o penalty falhado

Recomeçada a partida, não demorou a chegar o terceiro da Venda Nova, volvidos 6 minutos após o seu reatamento. Na sequência de um duplo pontapé de canto, depois de no primeiro a defensiva visitante conseguir aliviar, no segundo, de cabeça e ao segundo poste, Paulo Silva marca dando a sensação que este tento chegava para “matar” o jogo e dar a tranquilidade necessária à sua equipa que costuma descer de rendimento nas segundas partes dos encontros.

E até podiam ter conseguido ampliar a vantagem não fora, por duas ocasiões, os avançados caseiros não acreditarem na hora do remate que seria possível construir um resultado (ainda mais) volumoso perdendo “golos cantados” para desespero do seu público que mal sabia o que iria acontecer a partir deste instante. É que Nelson Matos, técnico forasteiro, tinha um “coelho na cartola”, que é como quem diz, no seu banco!

Vindo de uma lesão, não conseguindo ainda dar o contributo na totalidade aos 80 minutos de jogo, Virtuoso (bem apadrinhado, pois faz juz ao seu nome) veio ajudar a sua equipa a transfigurar-se completamente dando-lhe nova vida como se de outra equipa se tratasse se bem que também aproveitaram da melhor maneira a real quebra física da equipa local que recuou demasiado as suas linhas, oferecendo o “ouro ao bandido” ainda por cima servido em “bandeja de prata”.

Virtuoso ainda não estava em campo há 3 minutos (entrou ao minuto 53) e provocou o primeiro silenciamento das bancadas: desacerto completo da defensiva local (já começa a ser um “deja vú”) e o recém-entrado coloca a bola no fundo das malhas de Nelson Santos que nem queria acreditar que com tantos colegas à sua frente, a bola iria encontrar a única nesga possível para entrar e beijar as redes. A crença na reviravolta era visível, pois Virtuoso nem festejou o seu golo pegando na bola, de imediato, colocando-a no centro do terreno para que o despique desportivo recomeçasse o mais rápido possível.

Completamente atordoados com o golo sofrido, os homens de Venda Nova não conseguiam reagir nem com a cabeça nem com as pernas que se começavam a ressentir da pressão psicológica que este golpe lhes tinha provocado. No banco, Paulo Dias ia fazendo o que podia trocando peças, mudando esquemas, dando frescura aos diversos sectores, mas não estava a resultar. Do outro lado, Nelson Matos (com menos opções no seu banco) também ia lendo o desafio e acreditando que era possível sair dali com outro resultado.

Mais convencido ficou quando, após nova atrapalhação geral do colectivo sardoalense, Leitão fez o segundo dos visitantes e reduziu para um golo de diferença. Decorriam 66 minutos de jogo e ainda muito tempo havia até ao apito final.

Até soar o “gongo” foi sufoco atrás de sufoco com a turma local em completo desnorte e fazendo pela vida, esperando apenas que o desafio terminasse. Os visitantes iam apertando o cerco aproveitando o recuo, cada vez mais evidente, da equipa caseira que segurava os três pontos da melhor maneira que podia (e já não podia muito). Apenas por uma ocasião, os comandados de Paulo Dias conseguiram abeirar-se da pequena área contrária, uma vez mais através de uma bola parada que acabou por não ter o melhor encaminhamento.

Rio de Moinhos no assédio final à baliza do Venda Nova

Já com o final do jogo à vista, chegou a vez de o guardião Nelson Santos salvar a sua turma e (definitivamente) segurar a vitória ao efectuar uma excelente defesa parando um portentoso remate (mais um) do capitão riomoinhense Mourato, um dos mais inconformados com o rumo que a partida estava a levar.

Como se não bastasse todo este suspense até final, o árbitro Carlos Brito (talvez por ser fã de Hitchcok, quem sabe) resolveu prolongar o “filme” por mais 11 longos minutos (???) para completo desespero do público que se apressou a “despachar” o trio de arbitragem com todos os impropérios existentes e ainda com os que não vêm nos dicionários de língua portuguesa.

Resumindo e concluindo, a Venda Nova teve três pássaros na sua gaiola deixando fugir dois e apenas com muito esforço lá conseguiu segurar o terceiro que, por pouco, também não lhe fugia.

Dos homens de Rio de Moinhos, dizer que acabou por lhes custar caro dar de vantagem ao adversário aquela meia-hora inicial e a grande penalidade desperdiçada que, mesmo jogando contra o vento na primeira parte, soube aproveitar os seus lances de bola parada, onde – de facto – são mais fortes. Mas responderam bem e, no segundo tempo, (a vez deles jogarem contra o vento) souberam aproveitar a quebra física e anímica dos atletas caseiros.

Venda Nova na saudação ao público. Foto: mediotejo.net

Com esta vitória, a Venda Nova cola-se na frente da classificação deste Grupo E2, com 9 pontos, tantos quantos Alcaravela e São Miguel do Rio Torto. O Rio de Moinhos mantém 3 pontos quando ainda falta jogar a segunda volta.

Uma única frase para o trio de arbitragem: complicaram o que podia ter sido fácil!

Ficha do jogo

Parque Desportivo Municipal de Sardoal

Árbitro: Carlos Brites

Árbitros Assistentes: António Antunes e Miguel Paciência

C.D.C.R. Venda Nova

Nelson Santos, Luís Santos, Luís Silva (cap.), Pedro Fernandes, Diogo Marques (Túlio Almeida), Diogo Roldão, Miguel Cadete (Bruno Gomes), Eduardo Dias (Duarte Baptista), Ricardo Dias (João Fernandes), Jorge Gil (Anderson Santos) e Paulo Silva (Nando Sousa)

Suplentes: Sérgio Salgueiro, Nando Sousa, Anderson Santos, Túlio Almeida, Duarte Baptista, Bruno Gomes e João Fernandes

Treinador: Paulo Santos

C.P. Rio de Moinhos

Rafael, João Sousa, Luís Martins, Diogo, Bernardo, Duarte, Mauro, Mourato (cap.), Marco, Nelson e Leitão

Suplentes: Virtuoso, Bruno, Bacalhau e Daniel

Treinador: Nelson Matos

Cartões amarelos:

C.D.C.R. Venda Nova: Diogo Marques (9′), Luís Marques (33’), Nelson Santos (85’) e Bruno Gomes (87’)

C.P. Rio de Moinhos: Bernardo (33’)

Marcadores:

C.D.C.R. Venda Nova: Ricardo Dias (28′), Diogo Martins (33’) e Paulo Silva (46’)

C.P. Rio de Moinhos: Virtuosos (57’) e Leitão (66’)

 

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

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