SPORT ABRANTES E BENFICA 2 – UNIÃO FUTEBOL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE TOMAR 3
Campeonato Distrital da AFS – 1ªDivisão – 12ªjornada
Estádio Municipal de Abrantes – 09-05-2021
Após longo período de paragem, o futebol distrital voltou ao Municipal de Abrantes e logo com um jogo grande. Ainda sem público nas bancadas, o bem cuidado Estádio abrantino recebeu Abrantes e Benfica e União de Tomar, dois clubes centenários e com duas das melhores equipas a disputar a divisão principal da Associação escalabitana de futebol.

Aquando da interrupção, há quatro meses atrás, as duas equipas estavam separadas apenas por um ponto, tendo o Tomar mais um jogo efetuado, e com o Benfica abrantino a repartir o segundo posto com o Cartaxo, com 20 pontos. Lá na frente, destacado, segue o Coruchense, cada vez mais líder, com a promoção certamente a não escapar esta época.

O segundo posto, disputado ainda por muita gente, além de honroso, dá direito a disputar a Taça de Portugal. Algo que se ficou a saber, entretanto, é que serão três equipas a descer ao escalão secundário por motivo da descida do União de Almeirim dos nacionais. As equipas que estão na zona crítica são o Entroncamenro, Riachense e Moçarriense.
Com o segundo posto no horizonte estava o Benfica de Abrantes, favorito por jogar em casa e por ter-se saído bem nos últimos confrontos com o União de Tomar. Digno de registo o facto de no relvado se digladiarem os emblemas mais antigos do distrito perfazendo a soma de ambos bem mais de 200 anos!!!

O jogo começou com o lateral Miguel Catarino a ser protagonista de entrada dura passível de sanção disciplinar que o árbitro Adelino Crespo aproveitou para, pedagogicamente, dizer ao que vinha.
No lance seguinte o mesmo jogador voltou a prevaricar mas apenas foi assinalada a falta. Na cobrança do livre, o guarda redes Joel mostrou estar atento, afastando a punhos.
Após este sério aviso por parte dos nabantinos foram os comandados de Seninho, onde se notavam algumas ausências, a assumir as “despesas do jogo” tendo mais bola para gizar as suas jogadas de ataque.

Logo no sétimo minuto, uma jogada de insistência dos abrantinos permitiu a subida no corredor direito de Miguel Catarino que cruzou com boa conta para o centro da área onde surgiu o tomarense Hélio Ocante, em apoio defensivo, a ceder canto.
Na sequência do pontapé de canto, um cruzamento bem medido apanhou João Marchão isolado no segundo poste. Só teve de encostar e abrir o marcador, apesar dos protestos do nabantinos por suposta posição irregular.
O árbitro, no entanto, por indicação do auxiliar Paulo Raposo, bem posicionado, sancionou o golo de Marchão. Aos oito minutos a equipa da casa adiantava-se no marcador.

O Abrantes e Benfica voltou a dispor de soberana oportunidade três minutos depois e de novo por Marchão. Após um roubo de bola, Marchão foi lançado em velocidade mas o guarda redes Nuno Ribeiro desta vez chegou primeiro.
Os benfiquistas pareceram conformados com o parco resultado e “desapareceram” do jogo a partir do quarto de hora. Aos 18 minutos Pedroso, do lado direito do ataque unionista, obrigou Diogo Mateus a ceder canto. Pouco depois uma jogada em tudo igual originou novo canto.

O União de Tomar empurrou os da casa para o seu extremo reduto. Com as linhas muito baixas, os abrantinos limitavam-se a defender e os visitantes instalaram-se no seu meio campo.
Aos 22 minutos uma boa combinação permitiu o remate de Cláudio Major que esbarrou na defesa e logo a seguir Chrystian Pedroso caiu na área do Benfica. Pediu-se grande penalidade que Adelino Crespo, bem posicionado, não atendeu.
Aos 26 minutos os nabantinos iriam chegar ao empate. Luís Alves pareceu dominar a bola com a mão e assistiu Major, que rematou de longe, entrando a bola junto à base do poste direito da baliza de Joel, que pareceu mal batido. Estava restabelecida a igualdade.

Apesar dos protestos dos donos da casa o golo foi sancionado sem que os visitantes, ainda galvanizados com o golo, deixassem de pressionar o Abrantes e Benfica, em busca da melhor solução para sair do sufoco.
À passagem da meia hora aconteceu o que se adivinhava. A insistência tomarense deu frutos e a “remontada” concretizou-se. Um cruzamento da direita para a área, onde surgiu Hélio Ocante nas alturas a cabecear, batendo Joel que ficou a meio caminho. Ocante, que já representou o Abrantes, colocou o União na frente do marcador pela primeira vez no jogo.

Estava difícil a vida para Seninho e seus pupilos. Com um quarto de hora para jogar no primeiro tempo e os unionistas a continuarem melhor em todos os capítulos do jogo, só uma mexida no xadrez poderia alterar o rumo dos acontecimentos.
Enquanto Seninho engendrava um plano o Tomar procurava ampliar a vantagem. Pedroso, na área, cabeceou fraco, com a bola a sobrar para Leandro que rematou forte mas por cima.
Aos 34 minutos nova contrariedade para a equipa da casa permitiu o avanço dos “templários”. O cruzamento tenso de Pedroso do lado esquerdo encontrou resposta na cabeça de Diogo Mateus que acabou por introduzir o esférico na sua baliza não dando a Joel qualquer hipótese de defesa.

Joel ainda seria protagonista de uma oportuna defesa com os pés, a remate de Pedroso na área. A bola ganhou altura, passou muito perto do travessão, e Joel estirou-se defendendo em cima da linha de golo.
Seninho não gostava do que via e procedeu à troca de Pedro Damas por João Marques ainda antes do intervalo. Pouco depois Adelino Crespo decretou tempo de descanso com os unionistas a terem razão para sorrir pelo resultado robusto que fizeram por merecer.
Mas o jogo prometia uma resposta firme da equipa da casa…

O técnico abrantino aproveitou o intervalo para introduzir um novo desenho tático com as entradas de Manuel Vitor e Rafa nos lugares de Catarino e do jovem Carlos Gomes.
Com mais jogadores talentosos na área de construção, o Abrantes e Benfica surpreendeu com uma entrada muito forte, invertendo a tendência da primeira parte.
Ainda assim, foi o União a introduzir o esférico na baliza de Joel logo no recomeço. Cláudio Major fez um vistoso chapéu a Joel mas a jogada há muito havia sido interrompida por Adelino Crespo por fora de jogo.

Aos 48 minutos foram os da casa a reclamarem por queda de João Reis na área dos nabantinos. O árbitro mandou jogar.
Com os abrantinos mais subidos, o União tentou apostar no contra ataque. Uma jogada ao primeiro toque, de cabeça, coloco Chrys Pedroso na cara de Joel. Valeu a capacidade e disponibilidade de Manuel Vitor que, em esforço, cortou para lá da lateral.
Estava-se num impasse quando, aos 51 minutos, num gesto já visto noutras partidas, Miguel Seninho “puxou a culatra” e desferiu forte e colocado remate que Nuno Ribeiro não poderia deter. Estava relançado o jogo no Municipal de Abrantes.

Com a expressão do marcador a acusar apenas um golo de diferença acreditou-se que este poderia não ser o resultado final. O Abrantes estava melhor na partida e era a equipa mais ameaçadora.
Aos 54 minutos um centro remate de Miguel Seninho levou perigo e a defensiva cortou. À hora de jogo, Rafa Silva viu Marchão em boa posição, solto de marcação, e com um passe milimétrico endossou-lhe o esférico. O guarda redes Nuno Ribeiro reagiu de pronto e chegou primeiro.

No minuto seguinte Rafael Leite testou a meia distância e o esférico embateu na barreira defensiva dos abrantinos. Reclamou-se mão que o juiz Adelino Crespo, muito pressionado pelos bancos, não atendeu. O nervosismo sentia-se no terreno de jogo e fora dele e as reclamações foram constantes. A equipa de arbitragem soube, no entanto, conduzir o jogo sem grandes alaridos mantendo o critério largo e poupando os cartões.
Aos 66 minutos Hélio Ocante voltou a introduzir o esférico na baliza de Joel Dias, que nem se fez ao lance. O avançado unionista estava em posição irregular.

Com o peso do pouco tempo de preparação a começar a fazer-se sentir, as equipas iam procedendo a alterações sem que os esquemas táticos se alterassem. Aos 74 minutos, Rafa ensaiou a meia distância com o esférico a passar muito perto da baliza à guarda de Nuno Ribeiro. No minuto seguinte Marchão imitou-o com resultado semelhante.
Aos 79 minutos o União de Tomar ficou perto de “matar” o jogo com a obtenção de novo golo. Fábio Luzio, entrado à pouco, obrigou Joel a defesa apertada, agarrando à segunda.
João Marchão era o jogador das “águias” mais em foco. Aos 80 minutos não deu o melhor destino a um cruzamento da direita e no minuto seguinte rematou à entrada da área. O remate saiu fraco para as luvas de Nuno Ribeiro.
Pouco depois, numa insistência, Diogo Barrocas rematou à baliza com o esférico a não passar longe do alvo. Aos 84 minutos um cruzamento para as costas da defensiva “rubro-negra” levou muito perigo mas Will Intumbi chegou um pouco atrasado. A resposta surgiu através dum remate cruzado de Leandro que passou perto dos ferros da baliza de Joel.

O árbitro da partida concedeu cinco minutos de compensação mas o futebol já era figura ausente. Sem mais para dar, os jogadores entraram em quezílias desnecessárias.
Uma falta a meio campo ainda gerou um “sururu” monumental obrigando o contido juiz da partida a decisão salomónica com a exibição da cartolina vermelha a um jogador de cada equipa: Will, nos abrantinos, e Siaka Bamba, nos tomarenses. Com o”caldo entornado” o treinador nabantino Filipe Pinto recebeu também ordem para abandonar o banco. Pouco depois Adelino Crespo deu o jogo por terminado.
Foi um bom regresso do futebol ao distrital de Santarém As equipas, apesar de pouco tempo de preparação deram tudo o que tinham.
Vitória justa do União de Tomar, sendo que um empate, a acontecer, também se aceitava, pela qualidade do jogo do Abrantes e Benfica, mormente nos primeiros 15 minutos e no segundo tempo. Ambas as equipas mantêm-se na corrida ao segundo posto já que o Coruche não dá sinais de vacilar. Bom trabalho de Adelino Crespo e seus auxiliares num jogo onde os intervenientes não ajudaram, reclamando demasiado. Coisas do futebol…

Ficha do jogo:
SPORT ABRANTES E BENFICA:
Joel Dias, Miguel Catarino (Manuel Vitor), Toni, Diogo Mateus, Miguel Seninho, João Marques (Pedro Damas), Rui Sousa, João Reis (Elísio Menezes), Diogo Barrocas (Will), Carlos Gomes (Rafa Silva) e João Marchão.
Suplentes não utilizados: Ricardo Correia e Rodrigo.

UNIÃO FUTEBOL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE TOMAR:
Nuno Ribeiro, Nuno Rodrigues, Douglas, David, Rafael Leite (Fábio Lúzio), Major (Ricardo), Cris Pedroso (Tiago Lúzio), Hélio Ocante, Siaka Bamba, Luís Alves e Leandro.
Suplentes não utilizados: Ivo Cristo, Tiago Lourenço, Gui e Pires.
Treinador: Filipe Pinto.

GOLOS:
João Marchão e Miguel Seninho (Abrantes); Major, Hélio Ocante e Diogo Mateus [n.p.b.] (Tomar).
EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Adelino Crespo, Rui Mendes e Paulo Raposo.

No final fomos ouvir os treinadores de ambas as equipas:
PAULO FERNANDES “SENINHO” (Abrantes)

FILIPE PINTO (Tomar)

*Com David Belém Pereira (multimédia).
