Sertanense levou a melhor no derbi do Pinhal.

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 3 – GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 0
Campeonato de Portugal – Série D – 14ª jornada
Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos na Sertã
29-01-2022

A vila da Sertã recebeu na tarde de sábado, dia 29, mais um derbi concelhio, recebendo o vizinho Vitória de Sernache, em jogo a contar para o Campeonato de Portugal.

Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos.

O Sertanense lidera a série D apesar de ter cedido dois empates nas duas últimas jornadas.
A equipa de Natan Costa tinha neste jogo uma oportunidade de voltar às vitórias perante um adversário a lutar por subir degraus na tabela classificativa, tendo mesmo regressado à liderança técnica o seu presidente António Joaquim.

Necessidade de mudança levou ao regresso de António Joaquim.

Se era expectável uma partida pautada pelo equilíbrio, os segundos iniciais encarregaram-se de contrariar essa ideia. Aos 80 segundos de jogo, o guarda redes internacional de Angola ao serviço do Sernache, Carlos Fernandes, pressionado, tentou colocar a bola no meio campo mas o costa marfinense Karamoko adivinhou o lance, antecipou-se e serviu Rafa Pinto “de bandeja” na área.

Rafa teve a calma suficiente para rematar fora do alcance de Carlos e abriu o ativo ainda antes do minuto e meio de jogo.

Golo madrugador de Rafa Pinto complicou a vida ao Sernache.

A tarefa da equipa do Vitória complicou-se e tentou reagir de imediato. Dois minutos após o golo um cruzamento do lado esquerdo do ataque permitiu o remate a Márcio Augusto a que o guarda redes da casa, Daniel Azevedo, se opôs com segurança.

Entretanto as equipas foram encaixando e acertando marcações, tornando difícil a construção e o ataque à profundidade. Foi necessário esperar pelo quarto de hora para se ver uma boa transição ofensiva dos sertaginenses, com Karamoko a cruzar largo. Tirou a defensiva contrária pela linha lateral.

Na reposição pela lateral direita, Kevin Lopez cabeceou já na área para defesa de Carlos que tentou sair a jogar com os pés. Rematou contra Karamoko, em lance semelhante ao do golo.

Karamoko foi um quebra cabeças para a defensiva visitante.

A equipa da casa estava mais pressionante, empurrando o Vitória para junto da sua área e os lances de perigo iam-se sucedendo. Aos 17 minutos, uma bola comprida colocou Karamoko na cara de Carlos e o guarda redes, muito experiente, chegou primeiro, ganhando o lance com os pés.

Pouco depois o Sernache conseguiu progredir pela sua ala direita. O cruzamento acabou nas luvas de Daniel Azevedo. Aos 20 minutos um livre, favorável aos da casa, obrigou a atenção redobrada da defensiva visitante que afastou pela lateral.

Aos 25 minutos Areias cometeu falta sobre Rafa Pinto em zona frontal, ligeiramente descaído pela direita. Apesar da densa barreira, Jamerson Bahia descobriu o caminho para a baliza de Carlos que não terá visto partir o esférico, lançando-se tardiamente a uma bola que entrou junto à base do poste esquerdo da sua baliza.

Jamerson Bahia (à esq.) prepara-se para fazer o 2-0.

Apesar de faltar muito para jogar, a diferença de dois golos e a atitude de ambas as equipas deixavam antever que dificilmente a equipa de Natan Costa deixaria escapar os três pontos. À passagem da meia hora, Carlos Fernandes voltou a usar a sua experiência antecipando-se com os pés a Karamoko que entrava na área em velocidade.

A bola saiu pela lateral esquerda e Luís Martins colocou na cabeça do colombiano Kevin Lopez que permitiu defesa segura a Carlos.

Muito trabalho para o guarda redes Carlos.

A dez minutos do descanso o Sertanense beneficiou dum livre em zona frontal, perto do lugar da falta do segundo golo. A bola foi colocada na área, procurando Muacir, mas a defensiva esteve melhor. Aos 40 minutos o Sernache ganhou o primeiro canto! A bola não chegou à zona de remate, ficando na defensiva da equipa da casa.

Já em tempo de descontos, um livre para os visitantes obrigou à cedência de canto. Na cobrança, o guarda redes da Sertã esteve a bom nível, mantendo o resultado inalterado.

Resultado que, ao intervalo, se afigurava como justo, analisado o desempenho de ambas as equipas. Apesar do domínio da equipa da casa não ser avassalador, o resultado só não era mais dilatado porque na baliza Carlos Fernandes foi adiando a existência de mais golos.

Experiente Carlos Fernandes evitou o avolumar do resultado.

Para o segundo tempo António Joaquim tentou alterar o rumo dos acontecimentos, lançando Varela e o brasileiro Romário, regressado após longa recuperação de lesão.

Com os protagonistas a pressentirem que a história do jogo não se iria alterar muito, a segunda parte decorreu de forma “morna”, sem grandes motivos de interesse e contaram-se pelos dedos duma mão as oportunidades de golo para ambos os conjuntos.

Aos 52 minutos o Sertanense construiu uma boa iniciativa de ataque e numa jogada de envolvimento com vários jogadores obrigou a defesa visitante a trabalhos redobrados. O esférico acabou por sair pela lateral.

Transições rápidas obrigaram a atenção redobrada.

Com uma hora de jogo, Eduardo Souza dispôs de excelente ocasião para reduzir a expressão no marcador mas o brasileiro rematou por cima do travessão. Os visitantes voltaram a ameaçar aos 68 minutos através dum cruzamento tenso. O guarda redes Daniel Azevedo adivinhou as intenções e num gesto arrojado esconjurou o perigo.

Com o jogo a “arrastar-se” para o final era o Sernache que tentava fazer pela vida. Depois de largos minutos sem qualquer ponto de interesse, só aos 86 minutos os visitantes voltaram a cruzar com perigo. O “gigante” angolano Kevin Ibouka afastou de cabeça.

Sernache tentou reduzir sem sucesso.

Praticamente com o tempo regulamentar esgotado, Eduardo Souza sofreu falta dura à entrada da área do Sertanense. Na conversão Usalifa Indi rematou contra a barreira, a bola ganhou altura e perdeu-se sobre a barra da baliza à guarda de Daniel Azevedo.

Nos descontos, já com 93 minutos jogados, o Sernache perdeu uma bola a meio campo e o colombiano Nicolas Meek, entrado minutos antes, passou por toda a gente e à saída de Carlos Fernandes atirou a contar e fixou o resultado final em 3-0 para a equipa da casa.

Roubo de bola a meio campo permitiu a Kevin Meek fixar o resultado.

Pouco depois o juiz bracarense Bruno Costa apitou pela última vez no encontro. Resultado justo com a vitória robusta do líder da série D perante uma equipa com um excelente plantel que tem valor para subir uns furos na tabela classificativa.

A arbitragem de Bruno Costa e seus pares roçou a perfeição e, caso raro no futebol, foi premiada com um prolongado e forte aplauso de adeptos dos dois emblemas. Excelente…

Começou cedo a festa no Dr. Marques dos Santos.

Ficha do Jogo:

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:
Daniel Azevedo, Desailly (Matheus Barbosa), Marco Fernandes, Luís Martins, Kevin Ibouka, Jamerson Bahia, Kevin Lopez, Mauro Santos (Pedro Leão), Rafa Pinto (Fábio Lopes), Muacir (Nicolas Meek) e Karamoko (Bernardo Fortunato).
Suplentes não utilizados: Pedro Simões e Diogo Pimenta.
Treinador: Natan Costa.

Sertanense Futebol Clube.

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE:
Carlos Fernandes, Coutinho, Nuno Santos, José Areias (Fábio Manhas), Daniel Martins (Romário), César Gomes (Usalifa Indi), Eduardo Souza, Márcio Augusto (Varela), Agostinho Cá, Williams Jr (Igor Henriques) e Edu.
Suplente não utilizado: Miguel Assunção.
Treinador: António Joaquim.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

GOLOS: Rafa Pinto, Jamerson Bahia e Nicolas Meek (Sertanense).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Bruno Costa, Bruno Ferreira e Valdemar Maio (AF Braga).

Equipa de Arbitragem: Bruno Costa, Bruno Ferreira e Valdemar Maio com os capitães.

No final ouvimos os responsáveis técnicos de ambas as equipas:

NATAN COSTA (Sertanense)

Natan Costa-Treinador do Sertanense. Foto: Arquivo mediotejo.net

ANTÓNIO JOAQUIM (Sernache)

António Joaquim, treinador GD Vitória Sernache (foto: mediotejo.net)

*Com David Belém Pereira (multimédia).

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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