13 de março de 2016, 15 horas, Abrantes
Campeonato Distrital da 1ª Divisão de Seniores da Associação de Futebol de Santarém – 21ª jornada
União Desportiva Abrantina 0 – Clube Atlético Ouriense 1
Crónica do jogo por Jorge Beirão

Jogo no Estádio Municipal de Abrantes, relvado natural em boas condições para a prática do futebol. Jogo importante para as duas equipas, uma vez que se encontram na zona de aflitos, entenda-se no fundo da tabela classificativa e com grandes hipóteses de serem despromovidas ao escalão secundário. Mas como se diz no futebol, pese embora a alusão a práticas vinhateiras, até ao lavar dos cestos é vindima. Neste caso até ao fim do campeonato tudo é possível, para quem tiver mais calma e discernimento, diremos nós.
Pois foi o que não aconteceu nesta tarde de domingo no relvado do Municipal de Abrantes. Quando se esperava que a equipa da casa aproveitasse a onda favorável dos últimos jogos, em que com alguma sorte, como aconteceu no jogo da Taça Ribatejo em que eliminaram o Centro Desportivo de Fátima, e com grande espírito de sacrifício e concentração, venceram em casa alheia o sempre difícil Riachense, acrescentando-se ainda o último jogo disputado com a União de Rio Maior. Esperava-se, dizíamos nós, que com maior ou menor dificuldade, desde que juntassem os desideratos referenciados, tendo no entanto que depender de um “ingrediente” que não está ao alcance deliberado de quem o pretender, referimo-nos à sorte, mas também se diz que esta protege os audazes e isso, foi o que não se verificou na prestação da turma abrantina.
Não só nesse capítulo como também na concentração e aplicação. Diremos nós, também não se esperava que logo nos primeiros minutos se verificasse uma contrariedade, ou seja, a equipa ficar sem a prestação de um dos seus atletas mais influentes, dentro do sistema ou tipo de jogo praticado pela equipa. João Martins, o chamado seis, da equipa abrantina, que aos seis minutos teve que ser substituído por se ter lesionado com gravidade (rutura muscular na coxa direita). Devemos acrescentar que o companheiro que o substituiu, Bexiga, esteve bem na partida, mas sofreu do mesmo problema dos seus companheiros, falta de inspiração ou melhor discernimento na organização ofensiva. Poderíamos acrescentar que a equipa é um todo, até os jogadores chamados suplentes são importantes, mesmo estando impávidos e serenos à espera de serem chamados a dar o seu contributo, mas mais importante ainda é a serenidade dos outros elementos do banco e até isso não ajudou, porque demonstraram grande nervosismo, menos notado no técnico principal.

Quanto à equipa do CA Ouriense, não menosprezando a merecida vitória, foi bafejada pela sorte. O tal “ingrediente”, que não está ao alcance de quem o pretender ou desejar. Mas reuniu tudo o resto, ou seja, grande concentração defensiva e discernimento na transição defesa ataque, tendo bem presente as capacidades ou possibilidades dos atletas mais ofensivos, grande mobilidade e algumas insuficiências técnicas mas colmatadas com o espírito de sacrifício e entre ajuda. Na defensiva, quando sem posse de bola, todos atrás da linha da bola, quando na sua posse, tirá-la de perto da sua baliza e futebol direto, com passes de rutura para a velocidade dos seus dianteiros, no sentido de surpreender o setor recuado da UD Abrantina.
Quanto à sorte que bafejou o Ouriense, quem desdenharia ou melhor, qual o técnico que não gostaria de operar uma substituição e, nem volvidos sessenta segundos após a mesma, esse atleta marcasse o golo da vitória!? Pois foi isso que aconteceu com o treinador Marco Ramos. Eram decorridos cinquenta e cinco minutos de jogo, saiu Diogo no Ouriense, entrando para o seu lugar Patrick, digamos troca por troca, um dianteiro por outro e aos cinquenta e seis minutos, numa jogada do tal futebol direto, a defensiva da UDAbrantina é surpreendida pela velocidade de Patrick, que entra na área e remata de pronto, a bola ainda toca em Chico que, prevendo o perigo sai ao encontro do jogador do Atlético Ouriense, mas esta caprichosamente sofre uma trajectória alta e entra junto ao ângulo esquerdo para o fundo da sua baliza, inaugurando-se o marcador.

Depois até final, continuou-se a assistir a um jogo de futebol monótono, com uma equipa a tentar sistematicamente jogar com o relógio do árbitro, entenda-se segurar a bola socorrendo-se de zonas perto das áreas de canto ou simulações de lesões. A outra já com pouco ou nenhum discernimento, qual canto do cisne, pensando mais com as últimas energias do que com a cabeça, na tentativa pouco convincente de minimizar o prejuízo tentando o empate.
Vitória certa portanto, da equipa mais realista e consciente das suas capacidades e que a sorte bafejou.
Quanto ao senhor Pedro Caseiro e seus pares, David Silva e Rodrigo Pereira, realizaram um trabalho aceitável, sem influência no resultado, tendo na nossa perspetiva, apenas demorado um pouco a serenar os ânimos. Mas foi a sua estratégia que se respeita, tendo mostrado o cartão amarelo por seis vezes, empatando as duas equipas. Para além do jogo fraco que se assistiu, as coisa não se complicaram, porque os jogadores não estavam em sintonia com os seus bancos, em matéria de nervosismo e picardias, senão tudo seria mais difícil.

Ficha do jogo
Estádio Municipal de Abrantes
Árbitros: Pedro Caseiro, David Silva e Rodrigo Pereira

UD Abrantina
Chico, Abilio, Toni, Manuel Vitor, Barrocas, João Martins (Bexiga), Diogo Rosado, Miguel Seninho, Topa (João Rui), Bruno Moita (Picão) e Hélio Ocante
Suplentes: André Pereira, Cartaxo, Zé Heitor, Picão, Bexiga, João Rui e Romero
Treinador: Paulo Fernando

CA Ouriense
Stephan, Jota, Lagoa, Tiago, Zuca (Rafael Guerreiro), Manuel Pereira, Ruas (Rafael Matias), Dino, Zim, Diogo (Patrick) e Capão
Suplentes: Rafael Batista, Patrick, Francisco Jesus, Rafael Ferreira, Pedro Vieira, Rafael Matias e Pedro Gordo
Treinador: Marco Ramos

Marcadores: Patrick (56′)
A opinião dos treinadores:
Paulo Fernando (União Abrantina)

Marco Ramos (Ouriense)

