25 de abril de 2016, 16 horas, Rebocho
Taça Agência de Santarém da Inatel – Final
Grupo Desportivo e Cultural de Seiça 1 – Centro Cultura e Desporto de Amoreira 1
(1 – 4 no desempate por grandes penalidades)
Em Rebocho, concelho de Coruche, jogou-se Final da Taça Agência de Santarém, edição 2015-2016, numa organização do Grupo Desportivo do Rebocho e da Agência de Santarém da Fundação Inatel.


Numa tarde de sol, com muito calor, a Amoreira (detentora do troféu), equipa do concelho de Abrantes, era desafiada a defender o título pela equipa do concelho de Ourém, o Seiça. Duas equipas apontadas como candidatas a serem o próximo campeão distrital da Inatel de Santarém e, diga-se, até agora não têm defraudado as expetativas.
A tarde começou com música ao som de um dueto que ia animando a assistência, que a uma hora do jogo começar ainda era pouca, e que se ia dispersando na procura das poucas sombras existentes.
Às 16.15h, depois dos discursos do Presidente da Fundação Inatel, Dr. Francisco Madelino, e do Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Dr. Francisco Oliveira, a condução da festa foi entregue às três equipas.

Num campo de grandes dimensões, na gíria futebolística “um peladão”, cedo se percebeu que o jogo ia ser fechado e com poucas ocasiões. As equipas encaixaram na perfeição, com esquemas táticos algo semelhantes, mas para além das dificuldades impostas pelo adversário, por um lado notou-se o muito respeito que houve de parte a parte e por outro a extrema dificuldade em lidar com o calor, com as dimensões do pelado (seco e duro) e com o pó.
A primeira parte não teve muitos lances de perigo e não foi por falta de apoio vindo de fora (duas falanges de apoio que foram incansáveis) que as equipas não proporcionaram um espetáculo melhor. O jogo foi muito lutado na zona do meio campo, cada bola disputada com grande empenho e virilidade, mas o verdadeiro perigo pouco rondou as balizas. Alguns cruzamentos, alguns cantos ou livres batidos para as áreas, mas as defesas e os guarda-redes iam chegando para as encomendas. Ainda assim, no primeiro tempo, registo para uma oportunidade para o Seiça, em que Filipe, em boa posição no coração da área de Amoreira, cabeceia ao lado.


Ao intervalo o resultado de 0-0 era o correto.
Na etapa complementar as coisas melhoraram um pouco. As equipas tentaram arriscar um pouco mais, mas foi com o andar do tempo e o acumular de cansaço que houve mais espaços para jogar. A meio da etapa complementar o jogo começa a ficar partido, sendo o futebol direto, com tentativas de colocar bolas nas costas das defensivas contrárias, o método mais usado. A Amoreira ia aproveitando a velocidade de Cláudio e Fred (depois Marlon) para levar perigo à área contrária, com Hugo Grácio por vezes a baixar no terreno para ser quem os servia a par de Marco Cadete que entretanto tinha deixado a posição de lateral e subido ao meio campo. Mesmo assim as melhores ocasiões pertenceram à equipa laranja. Aos 49 minutos JP e Nuno Reis, em boa posição junta da pequena área, não falam um com o outro e a meias cabeceiam ao lado da baliza de Tiago Mendes.

Aos 53 minutos, o perigo voltou a rondar a baliza de Amoreira, quando num livre direto batido em força de zona frontal por Ângelo, Tiago Mendes tem que se arrojar ao pelado para evitar o golo e na recarga os atacantes de Seiça não conseguem fazer a emenda.


A dez minutos do final (70 de jogo), Filipe na pequena área de Amoreira, não consegue melhor que rematar para fora, embora sirva de atenuante ter Bá a estorvar-lhe a ação.

Há também uma situação que deu a sensação de golo, ao minuto 57, quando Renato na ânsia de tirar a bola a um avançado de Amoreira, não se apercebe que Tomé podia captar a bola, desvia o esférico do seu guarda-redes, tomando este a direção da baliza deserta, saindo a escassos centímetros do poste da baliza.

Os últimos 13 minutos do jogo (4 regulamentares mais os 9 adicionais), foram de grande animação e entusiasmo.
76 minutos, Hugo Grácio capta a bola na zona central, no seu meio campo defensivo, coloca nas costas da defensiva contrária, lançando Marlon em velocidade, e este à entrada da área, ligeiramente descaído para a direita, enche-se de convicção, desfere um remate em arco que passa sobre Tomé, fazendo um golo de levantar qualquer estádio.


A quatro minutos do fim e pela forma como o jogo tinha decorrido, pensou-se que a vencedor estava encontrado. Puro engano…
No reatamento, o Seiça coloca uma bola longa na área da Amoreira e Beco, esquecido pela defensiva de Amoreira, em cima da linha de pequena área, de cabeça como mandam os livros, de cima para baixo, restabelece a igualdade, num lance em que Tiago Mendes nos pareceu que podia fazer melhor. O lance foi tão rápido e inesperado que por estarmos a anotar a jogada anterior não conseguimos captar a imagem do golo.
Até final registo para um lance dentro da área de Amoreira em que Fuma cabeceia, valendo Pinga em cima da linha a evitar que a bola entrasse.

Surge então o apito final, sendo o vencedor da Taça Agência de Santarém 2015-2016 encontrado no desempate pela marcação de grandes penalidades. Pelo que se passou nos 80 minutos, o empate aceita-se. As poucas oportunidades existentes ou o maior perigo existente junto das balizas, pertenceu em grande parte ao Seiça, mas a ineficácia dos seus atacantes fez prevalecer o empate. Num jogo onde as defesas foram superiores aos ataques. Na marcação das grandes penalidades foi mais forte a equipa do concelho de Abrantes que das quatro penalidades não desperdiçou nenhuma, ao passo que a equipa de Seiça das três que bateu, falhou duas.
A Amoreira sagrou-se então vencedora, em dois anos consecutivos, da Taça da Inatel de Santarém.
Quanto à arbitragem, não foi o seu trabalho que influenciou o resultado final. Os assistentes estiveram quase irrepreensíveis, enquanto que do árbitro, nos momentos iniciais sentimos que também procurou entrar no jogo e adaptar-se às duas equipas. O facto de o pelado estar bastante seco propiciou que os jogadores escorregassem muito e por vezes, damos-lhe o beneficio da duvida por estar mais perto, achámos que não conseguiu distinguir bem o que era faltoso de não faltoso. Mostrou os cartões que devia mostrar, deixando ficar Marquito sem admoestação, não pela gravidade das faltas mas pelo número. A meio da segunda parte, também houve uma substituição e na equipa de arbitragem. José Bento ressentiu-se de uma lesão antiga e teve que ceder o lugar a Rui Oliveira, passando Carlos Balbino para assistente.
Nota final para Tiago Mendes, guarda-redes de Amoreira, que por ter defendido duas grandes penalidades, foi considerado o homem do jogo. Ele que recordou o filme de uma final perdida, há três épocas, quando jogava nas Sentieiras. Nessa final a sua equipa marcou primeiro, o Santanense marcou logo de imediato e nas grandes penalidades a equipa de Tiago Mendes perdeu. Na segunda-feira deu uma palmada na história.

Ficha do jogo
Campo Visconde de Coruche
Árbitros: José Bento, Rui Oliveira, Ruben Maduro (4º árbitro: Carlos Balbino)

GDC Seiça
Tomé, Renato, Fuma, Nuno Reis, Joel, Paulo Évora, Rodrigo (Ricardo), Ângelo, JP, Gonçalo (Beco) e Filipe
Suplentes: Teddy, Beco, Octávio, Sário, China, João Frazão e Ricardo
Treinador: Armando Pessoa

CCD Amoreira
Tiago Mendes, Marinheiro (Nuno Forte), Fábio Duque, Pinga, Marco Cadete, Marquito, Batex (Dinga), Mauro (Bá), Cláudio (Samuel), Fred (Marlon) e Hugo Grácio (Gil)
Suplentes: Eufrásio, Bá, Nuno Forte, Gil, Samuel, Marlon e Dinga
Treinador: Tó Santos (castigado), no banco Manuel Brazão

Marcadores: Beco (77′) ; Marlon (76′)
Cartão amarelo: Rodrigo (8′) e Paulo Évora (80’+2) ; Mauro (14′), Marinheiro (55′) e Marco Cadete (80’+5)
A marcação das grandes penalidades:







