15 de maio, 16 horas, Mação
Campeonato Distrital de Futebol da Inatel de Santarém – Final Série 1
Troféu Prof. Albino Maria
Grupo Desportivo e Cultural de Seiça 0 – Centro Cultura e Desporto de Amoreira 1
Tarde de calor, algumas nuvens do céu que ainda salpicaram a Festa do Futebol da Inatel e muito entusiasmo em torno das quatro linhas. Bancada cheia com duas claques entusiastas e algum público nas cabeceiras e peão. Certamente se na tarde de ontem não houvesse a decisão do título nacional entre os dois rivais da capital do país, muito mais público teria acorrido ao Municipal Agostinho Pereira Carreira em Mação.
Antes do jogo a habitual descida do céu dos para-quedistas com as bandeiras (concelho de Mação, CSCD Envendos, Inatel e Portugal) e a bola do jogo. Pelo que vimos no jogo jogado, só mesmo do céu poderia vir o desenlace desta Final. Não que o jogo tivesse sido tão aborrecido como o da Final da Taça Agência de Santarém, mas porque o equilíbrio em campo, deixava transparecer, até aparecer o golo, que o jogo só se decidiria nas grandes penalidades.

Para além do título de Campeão Distrital em disputa, havia também a vitória noutros troféus “presas” por esta partida. Na disciplina, caso o Seiça não fosse mostrado nenhum cartão amarelo a jogadores do Seiça, seria esta equipa a vencer o Troféu Manuel de Abreu, enquanto no Troféu de Melhor Marcador, as atenções estavam viradas para Filipe Gil do Seiça, pois caso facturasse seria o melhor marcador da competição. Como houve amarelos e não houve golo, São João da Ribeira e Pedro Martins “Kikas” de Sentieiras, venceram os respectivos Troféus.
No jogo da Final da Taça tínhamos ficado com a sensação de que se o jogo tem sido disputado com menos calor, menos pó e num piso que não terra batida, pela valia das equipas, teria sido uma partida muito melhor. Ontem verificámos que tínhamos razão. Não que tivesse sido um jogo repleto de oportunidades, mas foi um jogo bem disputado, com períodos de bom futebol, onde os verdadeiros artistas puderam mostrar as suas capacidades. Neste particular, destacamos Marco Cadete (Amoreira), para nós o melhor em campo, e Évora (Seiça). Se o mourisquense que joga na Amoreira encheu o campo, indo à direita, à esquerda, ao meio, atrás e à frente, o homem da equipa do concelho de Ourém, mostrou técnica, velocidade e força, pautando o jogo ofensivo da sua equipa.
A partida começou em bom ritmo, havendo nos primeiros vinte minutos quatro oportunidades dignas de registo. Entram melhor os homens do concelho de Ourém, que utilizando um futebol mais rendilhado, mais trabalhado, com a bola de pé para pé sobre o relvado, iam tendo mais posse de bola e jogando mais no meio campo adversário. Ao sexto minuto, JP remata forte de fora da área para Tiago Mendes segurar a dois tempos e aos doze minutos, numa subida à área contrária, Fuma desvia de cabeça, obrigando Tiago Mendes a brilhar.


Responde a equipa do concelho de Abrantes à passagem do quarto de hora, quando Marinheiro a mais de 40 metros da baliza, obriga Tomé a desviar para canto. Antes dos vinte minutos (19 de jogo) é Gonçalo que em zona frontal não consegue rematar com a direção desejada.

Entrou-se aqui numa toada de maior equilíbrio, com cada posse de bola a ser disputada como se da última se tratasse, onde as defesas e guardiões iam pondo cobro as incursões do adversário às áreas, fosse de bola pelo chão, pelo ar, canto ou cruzamentos. O estilo de jogo das equipas ia-se mantendo. Futebol mais trabalhado do lado de Seiça, enquanto a Amoreira, fruto de dispor de dois homens rápidos na frente (Cláudio e Fred) utilizava um futebol mais direto, exceção quando a bola ia aos pés de Batex e Marco Cadete.
Ao intervalo o nulo era o resultado certo. Embora o Seiça tivesse algum sinal mais, não houve oportunidades claras de golo que justificasse a vantagem de alguma das equipas.
Na etapa complementar o estilo de jogo manteve-se sem que houvesse aqueles lances de fazer levantar a assistência das cadeiras, exceção ao lance de JP, 50 minutos, em que descaído pela esquerda e já na área da Amoreira, remata para fora.

O tempo ia avançando, o desgaste em alguns jogadores ia começando a ser notório e dos bancos começa a jogar-se também. Na equipa de Amoreira, Tó Santos, o que fez foi mais um refrescar de jogadores na frente e no meio, sem descaracterizar taticamente a sua equipa, ao passo que do outro lado, Armando Pessoa, também refrescou posições, mas colocou em campo, embora nas mesmas posições dos que saíram, jogadores com outro tipo de características, por exemplo, Ângelo joga mais em força, Ricardo é mais tecnicista.
Com o jogo “trancado”, no que a grandes oportunidades dizia respeito, mas a ser empolgante e entretido, começa a pensar-se que mais uma vez Seiça e Amoreira iriam decidir um troféu nas grandes penalidades. Quase que garantimos que seria esse o desfecho, não fosse a oferta da defesa de Seiça.
Decorria o minuto 68 e a bola vai para a área de Seiça, onde estão Ricardo, Joel e Évora. Aparentemente o lance estava controlado, mas uma atrapalhação de Ricardo faz a bola sobrar para Pinga, este não se fez rogado, agradeceu e abriu o ativo.



No tempo que restava para jogar, veio ao de cima um dos trunfos da equipa de Amoreira, a experiência. Até ao apito final controlou o tempo, o resultado, os ritmos e o adversário. Exceção a um lance (72 minutos) em que JP entra na área pela esquerda, cruza com primor, mas Filipe Gil (que precisava de um golo para ser o melhor marcador) chega um segundo atrasado.

Em abono da verdade, pelo que se passou durante os oitenta minutos e pelas ocasiões criadas, temos que dizer que o resultado mais justo seria o empate, no entanto o futebol não é propício a justiças. Quem marca ganha, quem não sofre não perde e quem erra menos está mais perto de ganhar. Foi o que aconteceu. A Amoreira soube não sofrer e aproveitou um erro do adversário para marcar e vencer.

Com esta vitória a Amoreira conquista o terceiro título de Campeã Distrital da sua história (1987-1988, 2001-2002 e 2015-2016), tornando-se na primeira equipa a fazer a dobradinha (Campeonato e Taça) na Inatel de Santarém.
Quanto ao trabalho da arbitragem, apenas dizer que não esteve isenta de erros de pormenor. Esteve em muito bom plano e que não teve qualquer influência no resultado desta final.


Ficha do jogo
Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira
Árbitro: Carlos Brites
Árbitros Assistentes: Vitor Roxo e Tiago Vicente
4º Árbitro: João Alcobaça

GDC Seiça
Tomé, Renato, Fuma, Nuno Reis, Joel (Frazão), Évora, Ângelo (Ricardo), Gonçalo (Sário), Beco (China), Filipe Gil e JP
Suplentes: Teddy, Filipe Ferreira, Otávio, China, Sário, Frazão e Ricardo
Treinador: Armando Pessoa

CCD Amoreira
Tiago Mendes, Marinheiro, Fábio Duque, Pinga, Bá, Marquito (Dinga), Marco Cadete, Batex (Samuel), Cláudio, Fred (Marlon) e Hugo Grácio
Suplentes: Luís Eufrásio, Nuno Forte, Dinga, Marlon, Samuel, Tó Santos e Quim
Treinador: Tó Santos

Marcadores: Pinga (68’)
Cartão amarelo: Marquito (48’) e Fábio Duque (56’) ; JP (56’) e Gonçalo (63’)




