Boa primeira parte do Sernache.

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 1 – ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL DE OLEIROS 2

Campeonato de Portugal – Série D – 1ª jornada
Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira em Cernache do Bonjardim
05-09-2021

Com ambos os conjuntos a apresentarem-se para mais uma época no Campeonato de Portugal, em jogo adiado da jornada inaugural, as bancadas voltaram-se a colorir de adeptos trajando a rigor com as suas bandeiras e cachecóis e com as gargantas afinadas. Um cenário que não se via há muito tempo por força da pandemia.

Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira.

Apesar de se estar no início do Campeonato, com as equipas a apresentarem muitas novidades no plantel e a procurar afinar os seus argumentos, o Nuno Álvares Pereira assistiu a uma interessante partida e o público deu o seu tempo por bem empregue.

Lances com elevada nota artística seduziram o público.

Entrou por cima a equipa liderada por Ricardo Nascimento após uma entrada ameaçadora dos visitantes. O cruzamento bem medido do lateral Diogo Rodrigues obrigou a defensiva da casa a ceder canto.

Depois assistiu-se a uma avalanche de futebol ofensivo dos donos da casa. Era o tempo para o Oleiros tapar o caminho da sua baliza, espreitando o contra golpe. Aos cinco minutos Horto experimentou a meia distância e o forte remate de fora da área não passou longe do alvo.

Difícil de travar o caudal ofensivo da equipa da casa.

Com o Oleiros a ter dificuldade para travar os donos da casa na sua zona de construção as ocasiões de golo iam-se sucedendo, sem êxito, no entanto…

Explorando a velocidade nas alas, a equipa de Cernache do Bonjardim ia conseguindo ganhar a linha de fundo e os cruzamentos eram realmente perigosos. Romário acorreu no coração da área a um centro a partir da direita do seu ataque mas o bonito remate acrobático, em pontapé de moinho, não obteve sucesso.

Tanto Sernache apenas rendeu um golo.

O recuo do oleirenses ia permitindo que os laterais do Vitória de Sernache surgissem como verdadeiros alas, aparecendo em terrenos adiantados. Aos 13 minutos, Daniel Martins entrou na área e em boa posição rematou ao lado.

A falta de eficácia ia penalizando a equipa da casa mas, como diz o povo: “tantas vezes vai a cantarinha à fonte…” que aos 14 minutos o Vitória de Sernache conseguiu adiantar-se no marcador.

Uma reposição deficiente do guarda redes tunisino do Oleiros, Ayoub, permitiu a intromissão de Romário que atirou a contar. Estava desfeito o “nó górdio” e o jogo, até aí de sentido único, ganhava novos motivos de interesse.

Ricardo Nascimento felicita Romário, autor do golo do Sernache.

Passou a assistir-se a uma partida mais equilibrada, muito disputada sobre o meio campo, longe das balizas. As oportunidades de golo eram escassas mas um cruzamento da equipa da casa, aos 28 minutos, obrigou Ayoub a um enorme golpe de rins para recolher o esférico.

O choque inevitável com um adversário deixou os dois KO e obrigou à entrada de ambas as equipas sanitárias no terreno de jogo. Ambos recuperaram e permaneceram no jogo.
Foi preciso esperar dez minutos para se voltar a sentir a vibração nas bancadas.

Horto entrou na área contrária com a bola “colada” no pé e ensaiou o remate mas o esférico, na sua viagem para a baliza, foi intercetada por um defensor originando um pontapé de canto.

Atitude, sorte e eficácia foi receita para vitória.

Com o tempo regulamentar a esgotar-se um remate de Fábio Manhas terá sido desviado pelo braço dum defensor do Oleiros e saiu pela linha de fundo. Devido à curta distância e ao facto da volumetria não ter sido aumentada o juiz da partida, Flávio Jesus, optou por assinalar o pontapé de canto. Pouco depois apitou para o descanso.

O Sernache saiu na frente do marcador com toda a justiça e o resultado até podia ter outra expressão não fosse o desperdício de ocasiões. Ao Oleiros pedia-se outra atitude para inverter a tendência do jogo.

Pedia-se atitude guerreira aos jogadores visitantes.

Enquanto na equipa da casa Ricardo Nascimento deixava Daniel Martins no balneário por lesão, entrando Dárcio Santos para a defensiva obrigando a alguns acertos, o técnico Porto, do Oleiros, tinha de arriscar. E arriscou mesmo…

Com as entradas de Maurício Santos e Gabriel Ferreira as melhorias foram óbvias. A equipa visitante vinha disposta a inverter a marcha do marcador.

Resultado acertado ao intervalo.

Transfigurada para melhor a equipa, de Porto teve logo na bola de saída vários ensejos para remates resolvidos com dificuldade pela defensiva da casa. Estava feito o aviso.

Pouco depois um cruzamento “venenoso” do lado direito do ataque oleirense obrigou o guarda redes internacional angolano do Sernache, Carlos Fernandes, a desvio oportuno perante a ameaça de vários atacantes contrários.

Trabalho atento do guarda redes angolano.

Esperava-se uma resposta da equipa de Ricardo Nascimento e ela não demorou. Aos 49 minutos, Romário, um jogador em foco em toda a partida, surpreendeu com um remate expontâneo obrigando Ayoub a defesa atenta para canto.

Na conversão do quarto de círculo, batido forte para o primeiro poste, a bola sobrou para Romário que com forte disparo de fora da área teve nos pés o 2-0 mas o remate saiu um pouco por alto e a oportunidade gorou-se.

O jogo estava vivo e foi num ápice que se chegou aos 55 minutos de jogo, momento em que Romário chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento da direita. A defesa visitante resolveu e lançou o contra ataque obrigando o guarda redes Carlos a trabalho aturado.

Jogo emotivo em Cernache.

No minuto seguinte Yemi começou a fazer “prova de vida” e dizer que estava ali para ficar na história do jogo. Um remate fora da área obrigou Carlos Fernandes a defesa apertada, agarrando a dois tempos. Com a atitude positiva de ambos os conjuntos podia surgir novo golo em qualquer das balizas…

Aos 58 minutos, um cruzamento da direita, primorosamente executado por Romário, levou a bola ao segundo poste onde Fábio Manhas por pouco não acertou na baliza de Ayoub.
Não marcou o Sernache, haveria de marcar o Oleiros…

No contra golpe, um cruzamento da direita encontrou Yemi ao segundo poste, solto de marcação, e o nigeriano limitou-se a fazer a sua “obrigação”, empurrando para a baliza…

Yemi repôs a igualdade aos 59 minutos.

Com novo empate e meia hora para jogar, o desafio ganhava uma dimensão épica. Aos 65 minutos Fábio Manhas, apesar de carregado em falta, conseguiu cruzar para César Gomes que rematou ao lado. Pouco depois César Gomes quis retribuir e o cruzamento, muito puxado à trave, quase traía Ayoub.

Para o minuto 70 estava guardado o “golpe de teatro” que determinou o resultado final da partida. Uma rápida transição da equipa de Oleiros permitiu colocar vários jogadores na zona de tiro. Gabriel Ferreira arriscou e foi feliz. O jovem que havia sido lançado pelo técnico Porto ao intervalo garantiria assim os três pontos à sua equipa.

Gabriel Ferreira (à dtª) saltou do banco para dar a vitória ao Oleiros.

A equipa de Oleiros materializou com golos uma segunda parte muito bem conseguida.
Aos 73 minutos, através dum canto, batido de forma direta, obrigou o guarda redes Carlos Fernandes a defesa atenta.

Na resposta, no minuto seguinte, um livre direto para a equipa da casa levou Coutinho para a cobrança. O remate bem colocado obrigou Ayoub a defesa de elevado grau de dificuldade. Ayoub, aos 87 minutos, voltou a ser determinante ao opor-se com êxito a um chapéu bem medido de Romário.

Bom trabalho de Ayoub manchado com expulsão no final do jogo.

Entretanto o Oleiros ficava reduzido a dez unidades com a exclusão de Anderson Pereira por exibição do segundo cartão amarelo e respetivo vermelho.

Esgotado o tempo regulamentar o árbitro concedeu seis minutos a título de compensação.
No quarto deles uma falta dura sobre Edu, na linha limite da grande área, levou o árbitro a assinalar livre em cima da linha quando os apaniguados do Vitória reclamavam grande penalidade.

Romário, chamado à conversão, levou o esférico a esbarrar no “sítio onde dorme o mocho”. A interceção do poste com a trave, à esquerda de Ayoub, evitou nova igualdade mesmo ao cair do pano.

Árbitro da partida com nota positiva.

Pouco depois Flávio Jesus apitou pela última vez na partida selando a derrota caseira da equipa de Ricardo Nascimento. Vitória da equipa mais eficaz que também teve a felicidade do seu lado. O empate talvez fosse o resultado mais aceitável.

Arbitragem segura da equipa portuense liderada por Flávio Jesus que ainda expulsou Ayoub depois do jogo terminado. Deixou dúvidas o local da última falta que assinalou. De difícil avaliação, fica o benefício da dúvida. Nota positiva.

Ficha do Jogo:

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE:
Carlos Fernandes, Coutinho, Gilson Correia, José Areia, Daniel Martins (Dárcio Santos), César Gomes, Eduardo Souza, Agostinho Cá, Fábio Manhas, Horto (Edu) e Romário.
Suplentes não utilizados: Miguel Assunção, Usalifa Indi, Diogo Almeida, David Tex e Williams Jr.
Treinador: Ricardo Nascimento.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL DE OLEIROS:
Ayoub, Diogo Rodrigues (Hugo Duque), Marco Santos, Vasco Coelho, Anderson Pereira, Valentine Akpey, Fernando Príncipe (Maurício Santos), Ruca (Gabriel Ferreira), Nuno Rocha, Batistuta (Lhane Nhaga) e Yemi (Beni).
Suplentes não utilizados: Joel Sousa e Diogo Nascimento.
Treinador: Porto.

Associação Recreativa e Cultural de Oleiros.

GOLOS: Romário (V.Sernache), Yemi e Gabriel Ferreira (ARC Oleiros)

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Flávio Jesus, Miguel Martins, Renato Monteiro (AF Porto)

Equipa de Arbitragem: Flávio Jesus, Miguel Martins, Renato Monteiro (AF Porto) com os capitães.

DISCIPLINA
Cartão amarelo: José Areias (V.Sernache), Anderson Pereira e Maurício Santos (ARC Oleiros).
Cartão vermelho direto: Ayoub (ARC Oleiros)
Cartão vermelho por acumulação: Anderson Pereira (ARC Oleiros).

No final fomos ouvir ambos os técnicos:

RICARDO NASCIMENTO (V. Sernache)

Ricardo Nascimento, treinador do Sernache.Arquivo mediotejo.net.

PORTO (Oleiros)

Porto, treinador do ARC Oleiros.

*Com David Belém Pereira (multimédia).

Jorge Santiago

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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