SPORT ABRANTES E BENFICA 4 – CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE 0
Campeonato Distrital da 1ª Divisão da AF Santarém
Estádio Municipal de Abrantes – 15-09-2024
A bola recomeçou a rolar de forma oficial na área de jurisdição da Associação de Futebol de Santarém (AFS) e com ela voltaram as grandes emoções aos estádios do distrito. E voltámos nós, após prolongada pausa sabática, ao convívio dos nossos leitores…
O muito calor que se fazia sentir em Abrantes, aliado à ausência de vento, afastou o público das bancadas do Municipal e não ajudou os protagonistas do jogo num relvado a acusar a paragem dos campeonatos. Apresentou-se um pouco seco, apesar da rega, mas bem aparado, permitindo um futebol fluido.

A equipa de Abrantes, comandada por Paulo Seninho, poucas novidades apresentou relativamente á época passada e ao jogo da Taça de Portugal, optando por manter uma estrutura que boa conta de si tem dado.
Pouco se sabia da equipa que viajou de Salvaterra de Magos. Mudou de treinador, Flávio Guedes transitou do Moçarriense e sofreu uma remodelação profunda no plantel.

Assim que o jovem árbitro João Henriques apitou para o início da partida as equipas entraram no clássico período de estudo mútuo, com a repartição da posse de bola longe das balizas que durou poucos minutos.
Aos oito minutos Martim sofreu falta de Moreira em zona proibida, frontal à baliza dos visitantes, à entrada da área. João Reis, em jeito tentou bater o guarda redes Encarnação, sem sucesso.

Começava a desenhar-se a supremacia das “águias” abrantinas.
Aos 10 minutos a equipa da casa ganhou um livre do lado direito do seu ataque e o “cobrador” de serviço, João Reis, levantou para o coração da área, onde Gonçalo Lélé, pela elevada estatura constituía ameaça.
Saltaram dois salvaterrenses com ele e Emílio, de costas para a sua baliza, cabeceou de forma a bater o seu guarda-redes e a abrir o marcador em Abrantes.

Mais confortável no jogo, a equipa abrantina, começou a desenhar no relvado aquilo que melhor sabe fazer: jogar bom futebol.
A equipa de amarelo e azul mostrava debilidades defensivas e os velozes alas dos “encarnados” faziam a cabeça em água aos seus opositores.
Ganhavam frequentemente a linha de fundo, especialmente Martim e Marchão com o apoio próximo de João Reis, Barrocas, os médios mais ofensivos.

Este futebol de sentido único ia criando algumas oportunidades de ampliar o marcador. Ao quarto de hora Marchão foi até à linha de fundo cruzar para o remate por cima, mas muito perto dos ferros, de Pedro Damas.
No minuto seguinte o próprio Marchão assumiu as despesas do jogo e driblando vários adversários entrou na área. Desferiu forte remate que Encarnação parou com dificuldade com os punhos. Bom momento de futebol.

As ocasiões iam-se sucedendo junto à baliza de Encarnação mas o marcador teimava em manter-se inamovível.
Aos 18 minutos foi a vez de Barrocas, culminando uma jogada de insistência dos locais, rematar forte bem no centro da área. Em desespero Moreira estirou-se e meteu o pé, sendo atingido por Barrocas, ficando a necessitar de apoio da equipa médica.
Na resposta o Salvaterrense criou uma soberana oportunidade de empatar a contenda.
Aos 24 minutos o capitão Pisco foi até à área, assistiu Gabi, perante a apatia geral dos abrantinos. Gabi deslumbrou-se e tardou na hora do remate que apanhou o guarda-redes João Horta na viagem. A “mancha” evitou um golo mais que certo…

Já depois de Flávio Guedes ser obrigado a mexer na equipa por lesão de Pedro Pereira, o Abrantes e Benfica voltou a enjeitar nova ocasião para aumentar a contagem.
Aos 35 minutos nova arrancada de Martim pela ala direita deixou adversários para trás.
Obliquou para dentro e, à saída do guarda-redes, rematou cruzado com o esférico a passar perto do poste mais distante.
O intervalo aproximava-se e no último momento a equipa da casa ganhou um canto do lado esquerdo, batido ao primeiro poste. Da confusão gerada na área resultou que Telmo, pressionado por Martim, introduzisse a bola na sua baliza, levando a sua equipa a perder por duas bolas a zero para o descanso.

O resultado ao intervalo ajustava-se na perfeição ao que se passou dentro das quatro linhas.
O jogo foi de sentido único, com o Salvaterrense numa defesa porfiada da sua baliza, infeliz nos dois auto golos mas incapaz de ligar o seu jogo ofensivo, não criando situações de apuro para o extremo reduto benfiquista, exceção feita ao lance de Gabi aos 24 minutos.

O recomeço trouxe a curiosidade de saber se o Salvaterrense seria competente para contrariar o infortúnio e o resultado adverso ou se, pelo contrário, o Abrantes e Benfica iria aumentar o pecúlio de golos.
A verdade é que o jogo começou morno, contrastando com o calor que agora suavizado pelo vento que começava a soprar fraco de norte.
Logo aos 48 minutos a equipa de vermelho ganhou um canto. Vários jogadores se fizeram ao lance e o capitão Toni carregou o guarda-redes Encarnação dentro da sua área de proteção, invalidando o lance.

Aos 52 minutos foi a vez de Pisco, capitão dos “amarelos”, estar em foco ao recuperar uma bola a meio campo e lançando Kiko que ao esgueirar-se a Martim, sofreu falta grosseira que valeu a amostragem do cartão amarelo ao jovem abrantino.
Dois minutos depois João Nogueira, embalado pela direita do seu ataque, foi derrubado já dentro da área levando Barrocas para a marca dos onze metros.
Daí Barrocas pegou mal na bola enviando-a sobre a trave da baliza de Encarnação.
No lance seguinte do ataque abrantino, aos 56 minutos, João Nogueira voltou a estar a bom nível, cruzando para Martim encostar na cara de Encarnação fazendo um golo de bom efeito.

Com a equipa comandada por Paulo Seninho a ganhar folgadamente sem que o seu opositor lhe travasse o ímpeto, o jogo não dava mostras de abrandar.
Os jovens da “cantera” da agremiação de Abrantes, cheios de vontade de mostrar serviço, iam carregando e dando muito trabalho à equipa do sul do distrito.
No entanto uma boa iniciativa individual de Sérgio Lopes, aos 57 minutos, obrigou João Horta a trabalho aturado para manter a sua baliza inviolada.

Com o jogo a ficar partido com a bola a viajar por ambos os meio-campos, os abrantinos estiveram perto de voltar a marcar. Uma cabeçada de Martim ao poste proporcionou recarga a Barrocas contra um defesa, ganhando novo canto. Jogava-se já para lá da hora de jogo.
Aos 68 minutos Nogueira concretizou o que procurava há muito. Encheu o pé à entrada da área e fez um excelente golo que fixou o resultado.

Aos 71 minutos o angolano Rivaldo, acabado de entrar, rematou forte para defesa apertada de Encarnação para novo pontapé do quarto de circulo.
Na resposta do Salvaterrense, Valter entrou na área abrantina e obrigou João Horta a arrojar-se aos seus pés. evitando males maiores.
Quando faltava um quarto de hora para o final e os protagonistas já acusavam o cansaço, potenciado pela alta temperatura, Miguel Catarino, o defesa direito do Abrantes, ensaiou uma subida pela sua ala, cruzando para a área mas com altura excessiva, acabando o esférico por se perder pela linha de fundo.

Aos 81 minutos, as reclamações sobre um hipotético fora de jogo valeram a amostragem do cartão amarelo a Moreira, do Salvaterrense.
Perto do apito final, Rosado assistiu de cabeça Guilherme Salgueiro mas este carregou o guarda redes Encarnação dentro da pequena área.

Pouco depois o árbitro deu por finalizada a partida.
Encontro agradável de seguir apesar dos índices estarem num plano baixo não só pelas condicionantes do início da época mas também pelas temperaturas adversas.
O Benfica de Abrantes, com mais e melhores argumentos, beneficiou dos erros alheios que valeu o resultado de 2-0 ao intervalo. Geriu bem o esforço, construindo um resultado robusto que podia ter sido mais dilatado, o que seria demasiado penalizador para o Salvaterrense, uma equipa em construção que ainda procura o seu caminho. Confira AQUI os resultados da 1ª jornada.

A equipa de arbitragem, chefiada por João Henriques, esteve a bom nível em todos os momentos do jogo. O jovem árbitro esteve bem, técnica e disciplinarmente. Sóbrio, vale-se do diálogo e bom senso para conduzir um jogo em que os jogadores não complicaram. Bem auxiliado.
FICHA DE JOGO:

SPORT ABRANTES E BENFICA
João Horta, Miguel Catarino, Toni, Gonçalo Lélé, Diogo Barrocas, Martim Amaro (Diogo Rosado), Nogueira (Diogo Mateus), Pedro Damas (Guilherme Salgueiro), João Marchão (Zé Pedro), Pedro Lourenço e João Reis (Rivaldo).
Suplentes não utilizados: Miguel Ferreira e Guilherme Oliveira.
Treinador: Paulo Seninho.

CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE
Encarnação, Emílio, Moreira, Guilhas, Rafa (João Hipólito), Telmo,Pedro Pereira (Bernardo Tavares), Kiko(Joel Simões), Gabi (Valter), Sérgio (André Braga) e Pisco.
Suplentes não utilizados: Segurado e Gonçalo Guerra..
Treinador: Flávio Guedes.
Golos: Telmo (a.g.), Emílio (a.g.), Martim Amaro e Nogueira (Abrantes)

Equipa de Arbitragem:
João Henriques, Leonardo Monteiro e Pedro Ferreira.
No final da partida ouvimos os treinadores das duas equipas:

ÁUDIO | PAULO SENINHO, TREINADOR DO ABRANTES E BENFICA:

ÁUDIO | FLÁVIO GUEDES, TREINADOR DO SALVATERRENSE:
*Reportagem de Jorge Santiago e David Belém Pereira/mediotejo.net
