GRUPO DESPORTIVO E RECREATIVO DE CARVOEIRO 1 – BEMPOSTA FUTEBOL CLUBE 0
Taça Fundação Inatel Santarém 21/22 – Meia Final
Campo União de Lamas, em Carvoeiro (Mação) – 15-04-2022

Desde a época 2013/2014 que o G. D. R. Carvoeiro não tinha em atividade uma equipa de futebol de 11, nomeadamente na Liga Inatel. O entusiástico anúncio da sua reativação foi feito em 2020, porém, a situação pandémica que se instalou em todo o mundo apenas permitiu esse regresso na presente temporada que agora se aproxima do seu final com os momentos decisivos a serem discutidos “taco a taco” com quem quer que seja o seu adversário, no seu campo ou em terreno alheio.

Meia final da Taça Inatel levou centenas de pessoas ao campo União de de Lamas, no Carvoeiro. Foto: José Belém/mediotejo.net

Quase nove anos depois, a “cereja no topo do bolo” aconteceu na sexta-feira Santa, em que todos os caminhos foram dar ao Campo União de Lamas (a renovada e hospitaleira casa dos “Escaravelhos” do concelho de Mação) para a receção à experiente e sempre difícil da Bemposta Futebol Clube, com a esperança de fazerem história.

Grande moldura humana no jogo entre Carvoeiro e Bemposta. Foto: DR

Ambos os emblemas tinham a noção de que era um jogo do “tudo ou nada”, em que estava em causa um dos dois únicos bilhetes para a final da Taça Fundação Inatel de Santarém, que se disputará em Alcaravela (Sardoal) no próximo dia 15 de maio.

Carvoeiro (Mação) e Bemposta (Abrantes) disputaram uma emotiva meia final da Taça Inatel. Foto: José Belém/mediotejo.net

O sol a rondar os 30 graus pintou a tarde de muito calor, tornando as gargantas secas e, com o aproximar da hora do jogo, a azáfama do bar do clube local também fervilhava de adeptos dos dois lados, ávidos de “lubrificarem” as suas cordas vocais para o que aí viria. E, de facto, não faltou apoio a nenhum dos clubes durante todo o encontro.

Árbitros e capitães das respetivas equipas. Foto: José Belém/mediotejo.net

Pela hora certa, o árbitro António Henriques dava início à partida onde, algo nervosa, a equipa da casa foi dando alguns espaços ao visitante que foi espreitando o “espaço” de Leonardo, guardião da casa. Aos 9 minutos, Menoti, em condições de faturar, tentou o “chapéu” que chegou a fazer sombra no travessão da baliza do Carvoeiro, dando mesmo a sensação de golo.

Foi o primeiro grande aviso para os locais que, viram Luís Espadinha falhar, de forma incrível, um golo para a Bemposta que já se festejava na zona da bancada com mancha amarela. Estavam decorridos 16 minutos.

Reagiu o Carvoeiro com uma boa chance, em cima dos 20 minutos, altura em que foi efetuado um pequeno interregno para os atletas se refrescarem…. é que estava mesmo uma tarde muito quente.

Jogo muito equilibrado entre duas boas equipas. Foto: José Belém/mediotejo.net

A formação de Carvoeiro que tinha andado um pouco “perdida” na primeira metade do primeiro tempo, parece ter gostado da paragem e começou a reagir à notória superioridade da Bemposta nos primeiros minutos. À passagem da meia hora de jogo, conquistam dois pontapés de canto seguidos, mas, em ambos, falharam as emendas necessárias. Tal como falhou a emenda ao segundo poste, no lado contrário, a um livre apontado por David Silva a pedir um desvio para golo, o que não aconteceu. Na sequência do canto, o guarda-redes local foi obrigado a aplicar-se evitando danos gravosos nas suas redes.

Aos 35 minutos, os homens da Bemposta reclamaram falta para penalty por suposto desvio com o braço de um atleta da casa. De facto, houve contacto, mas o árbitro nada assinalou pois o remate desviado foi feito muito em cima do atleta, não tendo tempo para reação.

Jogo muito disputado com lances de perigo em ambas as balizas. Foto: José Belém/mediotejo.net

À medida que se aproximava o final do primeiro tempo, a Bemposta ia tentando levar outro resultado para o balneário mas, a bom nível, Leonardo Silva ia defendendo de forma segura, sempre que era solicitado.

Chegou o intervalo com o mesmo resultado com que começou o desafio, sendo de destacar a superioridade dos amarelos de Bemposta e com o Carvoeiro a ter na baliza um guardião a mostrar qualidades que iriam a ser decisivas para o desfecho do jogo. Mas quanto a isso já lá vamos.

O muito público presente apoiou as suas equipas de princípio ao fim do jogo. Foto: José Belém/mediotejo.net

O tempo de descanso das três equipas foi aproveitado para nova romaria ao bar para os adeptos de ambos os clubes hidratarem e a refrescarem as gargantas para o que faltava jogar. Por certo que muitos não viram o reatar da partida onde a equipa da casa se apresentou com outra postura, sempre em crescendo até final.

Ao intervalo, e com o resultado em branco, foi tempo de refrescar para a segunda metade do desafio. Foto: José Belém/mediotejo.net

Aos 11 minutos após o reinício do “duelo”, a formação da casa teve tudo para abrir o ativo, primeiro com um potente remate de Sérgio Penela a que Ricardo Dias correspondeu com uma defesa enorme, e na recarga, com o esférico e a baliza à sua mercê, Jorge Mansinho atirou por cima, desperdiçando a melhor ocasião do Carvoeiro em todo o jogo, até então.

Até que chega o minuto 13, em que tudo se alterou a favor dos “Escaravelhos” com a entrada em campo de Rodrigo Ribeiro a render João Filipe. A partir desse momento, a formação caseira acreditou que era possível vencer o desafio no tempo regulamentar, com esta mudança pela entrada de um avançado muito rápido (a trabalhar também a extremo direito).

A a equipa do Carvoeiro avançou no terreno e Rodrigo Ribeiro, juntamente com Jorge Mansinho e Sérgio Penela, foram levando o jogo para cima do adversário, com jogadas bem desenhadas e de bom recorte técnico. A Bemposta estava, por esta altura, com dificuldades em segurar atrás e fazer jogar à frente.

Segunda parte com início de maior ascendente da Bemposta mas o Carvoeiro tinha um trunfo no banco. Foto: José Belém/mediotejo.net

À passagem do quarto de hora, Penela cai na área numa jogada perigosa e confusa, mas que não foi motivo de reparo técnico por parte do árbitro da partida que mandou seguir o jogo. Na sequência do lance e após protestos, Mansinho viu a cartolina amarela.

O Carvoeiro ia insistindo, jogada após jogada, até que surgiu o golo que fez “explodir” as gargantas já secas, mas que guardavam por este momento. Rodrigo Ribeiro (o tal homem entrado ao minuto 13), disse ao que veio à meia hora da segunda parte. Numa jogada individual de grande qualidade, através do corredor direito do seu ataque e sem pedir licença, alvejou com êxito a baliza da Bemposta, com um remate bem colocado ao poste mais distante de Ricardo Dias que bem se esticou, mas sem hipótese de defesa.

Festa do Carvoeiro com um golo que seria decisivo para definir a eliminatória. Foto: DR

Estava instalada a festa no seio dos “Escaravelhos” e seus adeptos, com um golo que colocava em vantagem o Carvoeiro no seu melhor momento na partida.

Golo de Rodrigo Ribeiro fez estalar a festa no Carvoeiro. Foto: DR

Contudo, dois minutos volvidos, ainda as bancadas fervilhavam de emoção, a Bemposta respondeu com toda a sua força e determinação pois o resultado não lhes servia e, dentro da área dos locais, o árbitro António Henriques descortina um corte defensivo com a mão e, sem qualquer dúvida, assinala penalty a beneficiar a equipa do concelho de Abrantes. 

Jogo muito disputado e em que um golo ditou a sorte da eliminatória. Foto: José Belém/mediotejo.net

Não houve grande contestação dos comandados de Alexandre Marques que aceitaram a decisão do “homem do apito”. Tinham passado apenas noventa segundos do seu golo e a festa mudou de rumo, passando a ser feita em cor amarela. Momento de grande tensão nas bancadas e dentro das quatro linhas. Em dois minutos o jogo poderia mudar. Mas, chamado à conversão do castigo máximo (32 minutos da segunda parte), Tiago Nobre permite a defesa a Leonardo Silva.

De novo os adeptos do Carvoeiro festejaram como se de um golo seu se tratasse. Amargo golpe para as hostes de Bemposta que viram um possível momento de alegria se transformar em tristeza.

O guarda-redes do Carvoeiro defendeu um penalti e a equipa soube defender a vantagem até final. Foto: José Belém/mediotejo.net

Tendo a noção do imperativo que era manter o resultado, os homens de Carvoeiro desceram as linhas na tentativa de segurar o adversário que, sem sucesso, tentaram até final contrariar aquilo que viria a ser o desfecho do encontro. Mais com a coração do que com a cabeça, os últimos minutos (a partida contou com dez minutos de desconto por via das muitas paragens nesta segunda metade por lesões e pequenas “picardias”) foram de um certo desespero de ambas as partes, naturalmente com objetivos diferentes.

Carvoeiro marcou um golo e defendeu a vantagem com unhas e dentes. Foto: José Belém/mediotejo.net

Após um alarme falso de final da partida onde já se preparava a festa e a invasão de campo, o árbitro deu por finalizada esta meia-final da Taça Fundação Inatel, com a vitória do Carvoeiro sobre a Bemposta pela margem mínima. Podiam ter surgido mais golos para os dois conjuntos e até a decisão final por pontapés de grande penalidade se ajustaria ao que se passou nesta tarde quente de dia santo, mas venceu a equipa mais eficaz pois marcou um golo sem sofrer nenhum.

Com o apito final os adeptos do Carvoeiro deram largas à alegria pela passagem à final da Taça. Foto: José Belém/mediotejo.net

Arbitragem segura do trio que viajou de Torres Novas com um outro lance de difícil juízo, mas sem influência no resultado final. A amostragem de apenas dois cartões amarelos a jogadores do Carvoeiro (um por protestos e outro ao autor do golo por ter despido a camisola na celebração) indicam a segurança com que encararam esta meia-final.

Ficou assim definido o primeiro finalista da Taça Fundação Inatel. O Carvoeiro vai defrontar o Figueirense, vencedor do outro encontro das meias-finais em jogo que se disputou este domingo de Páscoa entre o Bairrense e o Juventude Figueirense para marcar no GPS o destino Alcaravela (Sardoal) já no próximo dia 15 de maio.

Ficha de Jogo
GRUPO DESPORTIVO E RECREATIVO DE CARVOEIRO

Equipa do Carvoeiro. Foto: José Belém/mediotejo.net

Leonardo Silva, Filipe Rocha, Miguel Costa, Fábio Vicente, Francisco Fonseca, Bruno Antunes, Ricardo Alves (cap.), João Filipe, Maykon Barbosa, Jorge Mansinho e Sérgio Penela.

Suplentes: Tiago Pereira, Bruno Martins, Rodrigo Carmona, Ricardo Dias, Rodrigo Ribeiro, Rodrigo Oliveira e David Dias.

Treinador Alexandre Marques.


BEMPOSTA FUTEBOL CLUBE

Equipa da Bemposta. Foto: José Belém/mediotejo.net

Ricardo Dias, Carlos Gaspar, Tiago Nobre, Pina,  Pedro Pequeno, Hugo Emídio, David Cabaço, João Oliveira (cap.), David Silva, Luís Espadinha e Menoti.

Suplentes: Guilherme Silva, Duarte Paredes, Tiago Dias, Marco Martins, Jaime Góis, Luís Santos e Artur Machado.

Treinador Nelson “Calor”

GOLO Rodrigo Ribeiro (GDR Carvoeiro)

Equipa de Arbitragem António Henriques, Pedro Moreira e Sérgio Morujo

Equipa de arbitragem esteve em bom plano num jogo onde os jogadores também não complicaram. Foto: José Belém/mediotejo.net

No final, e com sentimentos completamente distintos, ouvimos os dois treinadores e também o presidente do G. D. R. Carvoeiro

Alexandre Marques, treinador do Carvoeiro
Luís Quintas, presidente do Carvoeiro
Nelson Calor, treinador da Bemposta

José Belém

A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

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